Do vinil ao clube: Mozambo revela bastidores da parceria com Maz e Martinho da Vila em ‘No Embalo da Vila’

0
7

Lançamento via Dawn Patrol une a tradição do samba de raiz às batidas eletrônicas, com participação especial do icônico Martinho da Vila e do produtor brasileiro Maz.

Um encontro de gerações e culturas

O duo francês Mozambo, conhecido por suas produções que mesclam influências africanas, latinas e brasileiras, acaba de lançar um dos trabalhos mais marcantes de sua carreira. A faixa “No Embalo da Vila” é uma colaboração direta com o produtor brasileiro Maz e o icônico cantor de samba Martinho da Vila, disponível agora via gravadora Dawn Patrol. Mais do que um lançamento para as pistas, o single se posiciona como uma ponte entre continentes, unindo a energia hipnótica da música eletrônica de pista à profundidade emocional de clássicos do samba e da MPB.

A construção da faixa nasceu de um processo orgânico, como revelado pela dupla em entrevista exclusiva. Tudo começou quando os produtores estavam revirando seus arquivos pessoais de discos brasileiros em vinil, redescobertos pouco antes do período de carnaval. Já imersos em uma fase de forte influência da música brasileira – com um remix de Gilberto Gil em desenvolvimento –, eles criaram uma primeira demonstração, um esboço eletrônico com forte pegada de samba, e enviaram para Maz apenas para ouvir sua opinião. O produtor brasileiro se identificou imediatamente com o trabalho e sugeriu transformar a ideia em uma colaboração oficial. A partir daí, todos decidiram investir pesado no desenvolvimento da faixa, dando origem ao projeto.

Trabalhar com Martinho da Vila, uma lenda do samba e da MPB, foi um marco pessoal para os produtores franceses. Os dois possuem diversos discos do artista e sua música está intimamente ligada às experiências que tiveram no Brasil, onde passaram longos períodos em bares de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo, buscando entender a cultura local de dentro para fora. Oficializar um trabalho ligado a esse patrimônio, ao lado de artistas brasileiros, foi como construir uma ponte entre gerações e culturas diferentes. “É uma honra imensa, e somos extremamente gratos por essa oportunidade”, afirmam.

Um dos elementos centrais da faixa são os motivos de guitarra, que surgiram de forma gradual. A versão original já trazia alguns elementos de cordas, mas na produção da nova versão, o foco inicial foi a voz e a base rítmica, impulsionando a energia do samba através da percussão e da bateria. A ideia da guitarra melódica surgiu depois, por sugestão de Maz, que gravou um guitarrista brasileiro em seu estúdio no Rio. Essa performance ao vivo trouxe emoção e musicalidade, reconectando a faixa às tradições da MPB – o toque final que deu identidade completa ao registro.

Mas o que torna esse lançamento diferente dos trabalhos anteriores do Mozambo com influências brasileiras? Segundo a dupla, a diferença está no fato de a faixa ser construída em torno de um clássico do samba e da MPB, em uma verdadeira colaboração com Maz e Martinho da Vila. Não é apenas um disco do Mozambo, mas um projeto compartilhado, moldado por uma herança brasileira forte. Comparado aos trabalhos anteriores, a faixa pende mais para a energia do samba e do carnaval, mantendo ainda a base da música eletrônica de pista. Cada colaboração é um exercício de troca, e essa carrega um peso cultural muito específico.

Maz, profundamente conectado à cena eletrônica brasileira, trouxe uma autenticidade que os produtores franceses não alcançariam sozinhos. Sua maior contribuição foram as gravações de guitarras ao vivo no Rio, mas além disso, ele ajudou a moldar a estrutura, a energia e diversos detalhes da faixa. Houve uma troca constante de versões, reformulação do baixo, ajustes na percussão e testes de diferentes arranjos. A perspectiva dele, somada à dos franceses, é o que deu forma ao trabalho final – uma colaboração fluida e inspiradora.

A escolha da gravadora Dawn Patrol para o lançamento também foi estratégica. A label, fundada por Maz, tem uma identidade forte voltada para a eletrônica afro com identidade brasileira – gênero que a gravadora tem se posicionado como referência. Os produtores respeitam o selo há anos, não apenas pela música, mas pela energia humana e positiva que transmite. Como se trata de um disco brasileiro, feito com artistas brasileiros e enraizado na herança local, lançar em uma gravadora brasileira pareceu natural e respeitoso – a casa óbvia para a faixa.

Mozambo tem um histórico de lançar em selos underground e também em grandes gravadoras como Sony e Spinnin’ Deep. Onde “No Embalo da Vila” se encaixa nessa jornada? Segundo a dupla, a faixa está em uma gravadora que ainda mantém um espírito underground, mas cresce rápido e se torna uma referência chave na cena da eletrônica afro. Eles não pensam em termos de underground versus mainstream: o que importa é a coerência. O lançamento se encaixa naturalmente na jornada recente deles, da Dawn Patrol ao seu próprio selo Jungle Disco, passando por outras colaborações. O objetivo é simples: lançar música para as pistas e para as pessoas, mantendo a liberdade e a consistência.

Ao olhar para o registro finalizado, o que mais transmite as raízes brasileiras? O que se destaca é a energia emocional da música brasileira. Há algo na MPB e no samba que fala diretamente ao coração: essa sensação de calor, esperança e positividade foi o ponto mais importante de preservar. Os produtores adicionaram seu ritmo e sua visão, mas o núcleo permanece sendo a emoção e o sentimento humano do original.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui