Vera Fischer Era Clubber: quando o underground brasileiro aperta o gatilho contra a mediocridade

0
4

O quarteto carioca mistura synthpop, pós-punk e ironia afiada para criar uma das propostas mais polêmicas e urgentes da cena eletrônica independente do país.

⏱️ Em 5 segundos:

  • Quarteto niteroiense mistura synthpop, pós-punk e humor ácido em ‘Veras I’ e prepara disco novo com universo próprio.
  • Apareição na TV Cultura viralizou e gerou debate — mas o atrito é justamente o objetivo do grupo.

Existe um tipo de artista que não quer agradar. Que prefere dividir a plateia entre risadas e rejeições do que entregar mais do mesmo. O quarteto Vera Fischer Era Clubber — formado em Niterói por Crystal (voz), Pek0 (beats), Malu (baixo) e Vickluz (synths) — é exatamente isso. Nasceu de jams em festas, ganhou forma com o disco Veras I e explodiu para o debate público depois de trechos de uma aparição no programa Cultura Livre, da TV Cultura, viralizarem nas redes. O resultado? Um dos grupos mais comentados — e mais odiados — da cena eletrônica independente brasileira.

A proposta é clara: combinar synthpop sombria, beats que desafiam a pista e letras que caminham entre desejo, ansiedade e humor cortante. O som carrega ecos de Fausto Fawcett, Cansei de Ser Sexy, No Porn e da cultura clubber carioca, mas com uma identidade própria que recusa qualquer rótulo confortável. “As pessoas confundem qualidade de produção com qualidade artística, com o que faz elas sentirem alguma coisa”, diz Crystal em entrevista. Para ela, o objetivo é atravessar o ouvinte com som e performance — não necessariamente agradá-lo.

A ironia como linguagem inevitável

O nome da banda já é um manifesto. Vera Fischer evoca o glamour da atriz loira e o Rio de Janeiro hollywoodiano; Era Clubber traz a sujeira, a pista e a decadência noturna. São duas faces de uma mesma cidade que, segundo os integrantes, convivem o tempo todo. Essa dualidade permeia tudo: nos shows, nas letras e na postura diante das redes sociais, onde o hate é tratado como combustível. “Discurso de ódio não deveria ser permitido, mas nada impede pessoas de tirarem conclusões equivocadas. Se elas olhassem na sua cara, jamais falariam isso”, observa Crystal.

Mas não é só provocação. O quarteto está trabalhando em Veras II, que promete mergulhar em um universo mais íntimo — uma cidade fictícia chamada Vulgária, onde o vulcão virou símbolo de sentimentos como ódio, tesão e vergonha. “O primeiro disco é um filme do qual a gente é espectador. O segundo é um filme que passa dentro da nossa própria cabeça”, explica Vickluz. O lançamento está previsto para o final do ano.

Uma banda sem caixinha (e sem vergonha)

Crystal vem de uma formação em cinema — estudou roteiro, artes visuais e mestrado justamente para refinar a parte visual da proposta. Ela mesma escreve, dirige e produz os clipes da banda. Essa raiz cinematográfica explica por que cada show, cada postagem e cada faixa parece uma cena de um longa-metragem com roteiro próprio. A ironia nasce das letras de Crystal, ganha corpo nos beats de Pek0 e é amplificada pela banda como um todo.

O caminho para fora dos rótulos convencionais não é fácil. “Quando começamos a tocar fora de Niterói, havia um desencaixe. Não havia galera fazendo o mesmo”, conta Pek0. A MPB carioca, os formatos tradicionais, as expectativas do público — tudo foi desafiado de frente. E mesmo assim, o quarteto recusa o rótulo de gênero: “É experimental para caralho, tem pop chiclete, tem punk para caralho, é eletrônico. É tudo isso ao mesmo tempo e não é nada”, resume Crystal.

Além do novo álbum, a banda prepara um feat com Katy da Voz e As Abusadas — que Crystal já antecipa como “o pior hino do mundo” — e busca rodar pelo Brasil. “As Veras querem trabalhar, querem fazer show por onde tiver, chamem a gente!”, pede Pek0. Mas uma curiosidade persiste: a Vera Fischer — a atriz — já sabe da existência do grupo. Comentou nos posts, assistiu aos vídeos. Os dois planetas, segundo Crystal, vão se colidir.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Crystal, vocalista das Veras, estudou cinema e roteiro antes de se dedicar às artes visuais e à música? Essa formação cinematográfica molda toda a estética da banda, desde os clipes até a construção de universos ficcionais como a cidade de Vulgária.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui