Em sua quinta passagem pelo festival, o rapper mineiro relembra a emoção de voltar ao mesmo palco onde subiu pela primeira vez em 2019 e revela os bastidores da escolha do repertório
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⏱️ Em 5 segundos:
- djonga completou sua quinta passagem pelo joão rock neste sábado, retornando ao Palco Fortalecendo a Cena
- O rapper relembrou a emoção de se apresentar no mesmo palco onde estreou em 2019, defendendo que o rap é, na essência, rock and roll
- Em entrevista, Djonga falou sobre o desafio de montar o setlist entre oito álbuns e adiantou que novidades estão por vir
DJonga celebra reencontro com palco de estreia no João Rock
Há algo de simbólico e quase cinematográfico quando um artista retorna ao exato lugar onde tudo começou. Foi assim que Djonga se sentiu ao subir novamente no Palco Fortalecendo a Cena do João Rock neste sábado (1), marcando sua quinta participação no festival e, ao mesmo tempo, reencontrando o mesmo palco onde deu seus primeiros passos em 2019. Para o mineiro que se consolidou como uma das vozes mais relevantes do rap nacional desde o lançamento de “Heresia”, em 2017, o momento carregou um peso emocional que transcende a simples logística de festival.
A trajetória de Djonga é um caso de estudo sobre a evolução do hip-hop no Brasil. De um jovem de Belo Horizonte que despontava com letras afiadas e um flow incisivo, ele se transformou em um dos nomes mais consistentes da nova geração, acumulando oito álbuns de estúdio e uma base de fãs que ultrapassa fronteiras de gênero. O João Rock, tradicionalmente associado ao rock e ao alternative, tornou-se ao longo dos anos um espaço de convergência para diversas linguagens musicais — e a presença constante de Djonga é um reflexo dessa democratização dos palcos.
Em entrevista à Billboard Brasil, o rapper foi direto ao ponto ao ser questionado sobre a natureza do evento. “Somos e fazemos rock and roll pra caralho. Somos é bate-cabeça, é todo mundo pulando, todo mundo gritando, cantando. Então isso aí, pra nós não é problema”, declarou com a convicção de quem já provou seu valor em diversos tipos de pista. A fala não é apenas uma resposta provocativa — é uma afirmação de que o rap, por sua própria essência visceral e comunitária, carrega em si a mesma energia de ruptura que sempre definiu o rock.
Se o palco em si foi uma declaração de pertencimento, o maior desafio do show, segundo o próprio Djonga, foi outro: a curadoria. Com uma discografia extensa de oito álbuns — incluindo o mais recente “Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto”, lançado em março deste ano e que conta com participações de Milton Nascimento e Samuel Rosa —, a tarefa de escolher quais faixas levar para o show é comparável a montar a escalação de uma seleção brasileira. “A gente quer trazer as músicas do disco novo pra estrada, mas ao mesmo tempo não pode deixar de cantar os clássicos”, explicou, revelando a tensão criativa entre inovação e nostalgia que assola qualquer artista com uma carreira longe de ser superficial.
Essa dinâmica diz muito sobre o momento que Djonga atravessa. O álbum com Milton Nascimento e Samuel Rosa, por exemplo, sinaliza uma disposição para diálogos que ultrapassam as fronteiras do rap — uma ousadia que poucos artistas da cena nacional ousam com tanta naturalidade. Não se trata de uma mera colaboração comercial, mas de uma tentativa genuína de expandir a linguagem, algo que se reflete também na receptividade de seu público em festivais de gêneros distintos do rock e do pop.
Quando questionado sobre o que vem por aí, Djonga manteve o tom enigmático de quem sabe que o melhor marketing é o mistério: “Sempre tem novidade, mas aí tem que ficar atento no dia a dia que logo menos sai.” A promessa, embora vaga, é suficiente para manter a antecipação em alta. O que se pode afirmar com segurança é que o reencontro de Djonga com aquele palco em 2019 não foi apenas uma nostalgia — foi a confirmação de que o rapper chegou para ficar na história dos grandes festivais brasileiros, e de que seu próximo capítulo promete ser tão intenso quanto os que já foram escritos.
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— Douglas W.


