Com apenas 18 anos e quase 213 mil ouvintes mensais no Spotify, a mineira radicada em São Paulo mostra que sua chegada ao palco do festival carioca é apenas o começo de uma trajetória que promete redefinir o rap brasileiro.
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⏱️ Em 5 segundos:
- A rapper mineira Ciça, de apenas 18 anos, está confirmada no line-up do AFROPUNK Experience Rio, marcado para 15 de agosto no Terreirão do Samba Nelson Sargento.
- Filha do rapper Slim Rimografia e da MC Bárbara Sweet, Ciça cresceu imersa na cultura hip-hop e já acumula mais de 212 mil ouvintes mensais no Spotify.
- Sua faixa “MINA QUENTE”, produzida pelo pai, ultrapassou 900 mil reproduções e a colocou em playlists editoriais, consolidando-a como uma das grandes apostas do rap nacional em 2026.
Aos 18 anos, Ciça está prestes a pisar em um dos palcos mais simbólicos da cultura negra e independente do Brasil. Confirmada no AFROPUNK Experience Rio de Janeiro, evento que acontece em 15 de agosto no Terreirão do Samba Nelson Sargento, a rapper mineira radicada em São Paulo representa tudo aquilo que a cena tem observado com atenção nos últimos meses: uma voz nova, autoral e sem medo de ocupar espaço. Com um catálogo ainda enxuto, mas estrategicamente construído, ela chega ao festival como uma aposta que já se tornou realidade concreta.
Filha de dois nomes históricos do hip-hop brasileiro, Ciça carrega uma herança que poucos jovens artistas podem dizer ter. Seu pai, Slim Rimografia, produz as faixas da filha sob o pseudônimo Bruce Slim Beats e assume o papel de DJ nos shows. A mãe, Bárbara Sweet, construiu trajetória na cena de Belo Horizonte e também atua como jurada no tradicional Duelo de MCs do Viaduto Santa Tereza. Crescer nesse ambiente não foi apenas uma questão de influência — foi uma formação intensa, onde composição, produção e crítica musical faziam parte do jantar de cada dia. Essa bagagem explica a maturidade lírica precoce que Ciça demonstra em suas letras, que abordam inseguranças, ambição profissional e os desafios da transição para a vida adulta com uma sinceridade que ressoa fortemente com o público jovem.
O ponto de inflexão na carreira veio em 2026, com o lançamento de “MINA QUENTE” em parceria com Bruce Slim Beats. A faixa ultrapassou 900 mil reproduções no Spotify, um número expressivo para uma artista que ainda está nos primeiros anos de carreira profissional. Esse resultado não foi isolado: antes disso, músicas como “Entre Vielas e Avenidas”, “Tranquila & Calma” e “Bonde do Esculacho” já haviam construído uma base sólida de ouvintes fiéis, totalizando mais de 212 mil ouvintes mensais na plataforma. Em junho do mesmo ano, Ciça deu mais um passo estratégico ao lançar “Foca em Mim” pelo programa Spotify Singles, após ser selecionada como uma das embaixadoras do AMPLIFIKA — programa de fomento à cena independente.
O que diferencia Ciça de tantas outras vozes emergentes no rap nacional é a coerência entre sua identidade artística e suas escolhas de carreira. Enquanto muitos artistas jovens são empurrados por algoritmos ou apostam em fórmulas de curto prazo, ela mantém uma abordagem orgânica, com produção familiar que preserva a autenticidade do boom bap sem perder a contemporaneidade. Sua indicação como revelação do rap durante o WME Awards de 2025, premiação dedicada às mulheres da música, reforça esse posicionamento: Ciça não é apenas uma novidade passageira, mas uma artista com identidade clara e voz própria. Suas letras, que ela mesma assina, funcionam como um diário sonoro de uma geração que busca se definir através da arte.
A estreia no AFROPUNK Experience, no entanto, vai além de uma simples apresentação. O formato itinerante do projeto, que em 2026 expandiu sua atuação para o Rio de Janeiro com uma edição especial no Terreirão do Samba, coloca Ciça ao lado de nomes como Rachel Reis, Psirico, Slipmami, Afrolai e Carlos do Complexo — um line-up que mistura gerações, estilos e territórios. A edição carioca, originalmente prevista para junho, foi adiada para agosto e passou por uma reformulação no elenco, o que acabou beneficiando a trajetória da rapper ao inseri-la em um contexto de peso. Depois do Rio, o AFROPUNK Brasil segue com uma edição do Experience em Recife e o festival principal em Salvador, nos dias 7 e 8 de novembro — uma agenda que promete ampliar ainda mais o alcance de Ciça para além dos centros urbanos onde ela já conquistou seu público.
Olhando para frente, o momento que Ciça vive no segundo semestre de 2026 é decisivo. Com um primeiro EP em preparação e uma presença cada vez mais orgânica nas playlists editoriais e nas redes sociais, ela está na fronteira entre o status de aposta e o de artista estabelecida. O show no AFROPUNK pode funcionar como o catalisador que transforma uma audição crescente em uma carreira de longo prazo — desde que ela consiga manter a autenticidade que a trouxe até aqui. A cena do rap brasileiro tem pouco a perder com essa jovem mineira e muito a ganhar com o que ela ainda vai mostrar. O palco está montado; agora é só deixar a música falar.
💡 Você sabia que o pai de Ciça, Slim Rimografia, não apenas produz as faixas da filha sob o nome Bruce Slim Beats, mas também acompanha suas apresentações ao vivo como DJ — uma dinâmica familiar que transforma o palco em um espaço de legado e inovação simultâneos?
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— Douglas W.


