Cantor volta ao festival após 15 anos de trajetória e revela como a maturidade transformou a insegurança em combustível para os palcos. O novo disco chegou em maio com 11 faixas que misturam passado e presente.
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⏱️ Em 5 segundos:
- di ferrero confirmou participação no rock in rio 2026 pelo Palco Sunset em 4 de setembro, sua quarta edição brasileira no festival.
- O cantor lançou o álbum se7e em maio, com 11 faixas em 34 minutos, incluindo faixas como Universo Paralelo e Fim do Mundo.
- Em entrevista, ele reflete sobre a evolução de 2011 para cá e como o repertório do nx zero se tornou patrimônio do rock nacional.
Di Ferrero está de volta ao Rock in Rio. E desta vez, o retorno carrega um peso completamente diferente daquele jovem de 25 anos que subiu ao Palco Mundo em 2011 com o NX Zero. Em 4 de setembro, o cantor abrirá o Palco Sunset pela quarta vez no festival brasileiro, agora como artista solo, com o disco SE7E recém-lançado nas mãos e uma história de vida que transformou cada insegurança em aprendizado. O que antes o travava nos bastidores hoje virou combustível — e essa evolução diz muito sobre onde ele está e para onde a cena do rock nacional caminha.
A estreia de Di Ferrero no Rock in Rio aconteceu em 2011, quando o NX Zero abriu o Palco Mundo na segunda noite do festival e ainda contou com a participação de Emicida em ‘Só Rezo’. Depois, houve uma pausa longa até 2022, quando o cantor dividiu o Sunset com Vitor Kley. Dois anos mais tarde, retornou com o NX Zero para encerrar uma noite do mesmo palco durante a turnê de reunião do grupo. Agora, em 2026, ele chega concentrado na carreira solo e na turnê de SE7E, disco lançado em 21 de maio que reúne 11 faixas em apenas 34 minutos — incluindo destaques como ‘Universo Paralelo’, ‘Azul (Oceano)’, ‘Além do Fim’, ‘Deixa Sonhar’ e ‘Fim do Mundo’.
Em entrevista exclusiva à Billboard Brasil, Di Ferrero foi direto ao ponto ao comparar o artista de 2011 com o de hoje. ‘Tocar no Rock in Rio, principalmente quando é a primeira vez, traz muita insegurança. Agora, com a idade e a experiência, surgem outras questões que, para mim, fazem toda a diferença no palco. Hoje estou mais seguro porque tenho um repertório maior. Consigo colocar no show diferentes momentos da minha vida. O Rock in Rio é uma vitrine e um momento muito importante para o artista. Antes, tudo isso me atrapalhava. Agora, me empolga.’ A declaração revela um homem que deixou para trás a fase de excessos — ‘eu chegava para um show rouco e pensava: também, fui dormir às seis da manhã, virei a noite e tomei todas’ — e que agora busca a disciplina de ícones como Ney Matogrosso e Mick Jagger, que sabem ‘segurar a onda para entregar a performance’.
Um dos pontos mais interessantes da entrevista é a forma como Di Ferrero enxerga o repertório do NX Zero já consolidado como clássico do rock brasileiro. ‘Às vezes eu me sinto meio tiozão, mas no bom sentido’, brinca ele, ao contar que levou uma mãe e seu filho de sete anos ao palco em um show em Brasília. O menino, que vivia sua primeira experiência em um show, passou a entregar a mãe dizendo que ela amava o cantor quando era mais nova. ‘Existe essa osmose, essa passagem para a frente. Já virou um clássico, e fico honrado com isso.’ Essa transmissão geracional se completa ainda por outro caminho: há quem descubra primeiro o trabalho solo e só depois se interesse pelo NX Zero. Um menino de 12 anos chegou a dizer que ‘admirou o álbum’ antes de saber que Di Ferrero tinha uma banda. ‘Ele começou pelo caminho contrário. Escutou tudo e veio perguntar quando a banda faria show. Isso é muito louco.’
Essa dinâmica mostra que as músicas do NX Zero não estão congeladas no tempo — elas encontram novas audiências e criam vidas próprias. A capacidade de um catálogo de 20 anos atrás continuar relevante para quem nasceu depois de 2010 é um sinal raro no rock nacional, onde bandas costumam ter janelas curtas de popularidade. Di Ferrero, ao manter tanto o trabalho solo quanto o legado do NX Zero em circulação simultaneamente, está construindo uma ponte entre gerações que poucos artistas do cenário conseguem manter. A disciplina que ele menciona — respirar no palco, dosar a energia, pensar o show como um todo — é exatamente o que separa quem tem carreira longa de quem faz apenas barulho temporário.
O que esperar de Di Ferrero no Rock in Rio 2026? Se ele levar ao Palco Sunset a mesma intensidade dos shows de SE7E, descrita como ‘quase sem pausas’, o público terá uma apresentação que equilibra as raízes do NX Zero com a evolução solo de um artista que já sabe o que quer. A estreia do álbum no festival pode funcionar como um marco de consolidação: depois de três passagens como banda ou convidado, agora ele chega como nome solo com disco novo, maturidade e um repertório que dialoga tanto com os fãs de longa data quanto com uma galera que chegou por outro caminho. O rock brasileiro, novamente, terá um nome que sabe contar sua história em palco — e é exatamente isso que o Rock in Rio precisa.
💡 Você sabia que… Di Ferrero estreou no Rock in Rio em 2011 pelo Palco Mundo ao lado do NX Zero, e nessa mesma noite recebeu Emicida para uma versão ao vivo de ‘Só Rezo’ — uma das poucas colaborações entre rap e rock no palco principal do festival naquela geração?
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— Douglas W.


