Marina Mole estreia ‘Azucrim’ e reinventa o rock brasileiro com narrativa gnóstica

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álbum conceitual de dez faixas mistura surf rock, garage e punk em uma história sobre um anjo que desafia Deus para sentir a experiência humana.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Álbum ‘Azucrim‘ reúne dez faixas que transitam entre surf rock, garage, punk, shoegaze e no wave
  • Narrativa surrealista de um anjo enviado à Terra para sentir emoções, com raízes no gnosticismo
  • Gravado em fita analógica e lançado pelo selo Café8 Music, com videoclipes para três faixas

A cena independente do rock brasileiro acaba de ganhar um dos lançamentos mais ousados do ano. Marina Mole, cantora e compositora brasiliense radicada em São Paulo, estreia o álbum conceitual ‘Azucrim’ — um trabalho de dez faixas que não se contenta em ser apenas uma coleção de músicas, mas mergulha de cabeça em uma narrativa surrealista onde um anjo é enviado à Terra para conhecer, de fato, os sentimentos e dilemas da existência humana.

A ideia nasceu de uma inquietação pessoal da artista. ‘Azucrim vem de azucrinar’, explica Marina. Na história inventada para o disco, o anjo perturba Deus por sua postura remota e inacessível diante dos humanos — uma inspiração direta do conceito do ‘Deus Estrangeiro’, presente nas tradições gnósticas. A partir dessa rebeldia celestial, o personagem é ordenado a descer à Terra, e o álbum retrata cada emoção vivida nesse percurso: memória, desconforto, desejo e a aceitação das próprias falhas.

Musicalmente, ‘Azucrim’ é um quebra-cabeça sonoro que faz justiça à sua proposta conceitual. Marina transitou por surf rock, garage, punk, shoegaze e no wave ao longo de quatro anos de composição, período em que morou entre Brasília, Portugal e São Paulo. As referências são claras e declaradas — Beatles, Ramones, Patti Smith, The Velvet Underground e The Cramps —, mas o resultado nunca soa como mera reprodução; é uma releitura contemporânea que dialoga com o presente.

Do ponto de vista da produção, o álbum ganha alma analógica. Gravado em fita por Beeau Gomez, com cleozinhu na bateria, Lucas Monch no baixo e Vitor Wutzki na guitarra — músicos que também colaboraram na construção dos arranjos —, ‘Azucrim’ respira como os discos de rock dos anos 1990, quando havia uma coragem maior em experimentar sem a segurança do digital. A escolha pelo formato analógico não é estética vazia: é parte da narrativa, uma busca por algo cru e real, exatamente o que o anjo protagonista procura na Terra.

O que torna ‘Azucrim’ relevante no cenário atual é sua ousadia narrativa. Em tempos de músicas descartáveis e lançamentos acelerados, Marina Mole apostou em uma construção de quatro anos para contar uma história que exige atenção. Os videoclipes de ‘Luneta Azul’, ‘Slowdancing’ e ‘Sonho de Voo’ ampliam esse universo visual, transformando o álbum em uma experiência multimídia que vai além do som. É um manifesto sobre a necessidade de sentir — de verdade — em uma época de distanciamento emocional.

Com apresentação de lançamento em São Paulo e uma série de shows confirmados pelo sudeste — Americana, Juiz de Fora, Rio de Janeiro e mais duas datas na capital paulista —, Marina Mole coloca ‘Azucrim’ não apenas como disco, mas como projeto vivo. O que se espera daqui para frente é que essa narrativa gnóstica ganhe novos capítulos, que a artista continue a explorar essa fusão entre rock e filosofia, e que o mercado reconheça que o rock brasileiro ainda tem muito a dizer — desde que alguém tenha a coragem de contar do seu jeito.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que o nome ‘Azucrim’ vem do verbo ‘azucrinar’, que em português significa irritar, perturbar — exatamente a atitude do anjo protagonista da história que Marina Mole construiu para o álbum?


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— Douglas W.