A cantora neozelandesa usou o figurino do festival ACL para marcar diretamente o empresário dono do Gillette Stadium, em meio à troca de farpas envolvendo Macklemore e a Loop Tour.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Lorde usou jaqueta com ‘FREE PALESTINE’ no festival ACL e marcou Robert Kraft no Instagram
- A provocação acontece após Kraft pressionar para remover Macklemore da Loop Tour de Ed Sheeran
- Lorde já havia feito gesto semelhante no Madison Square Garden em 2025
A cena foi calculada e direta. Em pleno festival Austin City Limits, Lorde vestiu uma jaqueta customizada à mão com a mensagem ‘FREE PALESTINE!!!!!!’ em letras maiúsculas e, logo depois, marcou Robert Kraft no Instagram. Não foi um acidente — foi um tiro certeiro. A cantora neozelandesa transformou o figurino em arma política e mirou no empresário dono do Gillette Stadium, que recentemente orchestrhou a saída de Macklemore da Loop Tour de Ed Sheeran.
Para entender a dimensão dessa provocação, é preciso voltar à linha do tempo que explodiu em setembro. Macklemore foi escalado como atração de abertura da ‘Loop Tour’ e, nos dois primeiros shows, gritou ‘Palestina Livre’ e exibiu imagens da violência em Gaza. A reação de Kraft foi imediata e implacável: o empresário mobilizou outros donos de estádios para boicotar apresentações de Ed Sheeran caso o rapper permanecesse na programação. A Messina Touring Group não hesitou e rescindiu o contrato de Macklemore. A resposta veio em cadeia: Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham também deixaram a turnê em solidariedade.
O que torna a jogada de Lorde estrategicamente inteligente é o timing. Enquanto Kraft anunciava planos de destinar recursos a organizações humanitárias em Gaza — tentando equilibrar a narrativa —, a cantora de 29 anos reapareceu com a mesma causa que defendeu quase um ano antes, quando gritou ‘Palestina livre’ durante ‘Team’ no Madison Square Garden. A diferença é que agora ela tem um alvo nomeado: o homem que effectively censurou um artista por exercer exatamente o tipo de expressão que ela acaba de fazer em público.
Do ponto de vista artístico, Lorde sempre soube usar o palco como plataforma de ativismo — algo raro entre estrelas pop do seu calibre, que frequentemente optam pela neutralidade comercial. A jaqueta não foi um gesto espontâneo; foi uma declaração calculada que conecta sua trajetória de resistência a uma crise maior da indústria: até onde artistas e empresários podem ir na censura de posicionamentos políticos sem perder legitimidade? A resposta parece ser: não muito.
O timing também é relevante porque Macklemore já anunciou a ‘Free Palestine Tour’, com datas esgotadas em Dublin, Paris e Londres — provando que há público e demanda por essa mensagem. A especulação sobre uma possível participação de Lorde nessa série de shows beneficentes não é absurda; estaria alinhada ao posicionamento que ela vem construindo nos últimos meses. Se isso se confirmar, teremos não apenas solidariedade, mas uma aliança artística de peso em torno da causa.
O desfecho dessa história ainda está por se escrever. Kraft ainda não se posicionou publicamente sobre a provocação de Lorde, e a Billboard informou que representantes do empresário foram contatados sem resposta até a publicação. O que é inegável é que a cena pop está vivendo um momento raro de confronto direto entre poder econômico e voz artística — e Lorde, mais uma vez, escolheu o lado certo da história. A pergunta que fica é: quantos outros artistas estarão dispostos a fazer o mesmo quando a câmera desligar?
— Douglas W.


