O guitarrista do Queen explica sua decisão após cinco décadas de carreira e cita desejos de se dedicar à astrofísica e à família.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Brian May, aos 79 anos, anuncia que não quer mais fazer turnês após 50 anos de carreira.
- A decisão veio após a morte de um amigo próximo nos EUA e a percepção de que não podia simplesmente ‘dar um pulo em casa’.
- May sugere que o Queen pode criar algo ‘revolucionário’ com experiências imersivas, possivelmente usando IA, mas com sérias ressalvas sobre a tecnologia.
Brian May, o lendário guitarrista do Queen, acabou de jogar um balde de água fria em milhões de fãs pelo mundo: aos 79 anos, ele decidiu que não quer mais fazer turnês. A declaração, dada ao jornal britânico The Times, não vem de uma hora para outra — o músico revela que tomou a decisão há 18 meses, mas foi um episódio pessoal que selou de vez essa posição. Um amigo próximo da família morreu enquanto a banda estava nos EUA, e May pediu para voltar para casa alguns dias. A resposta da empresária de turnê foi seca: “Você sabe que não pode fazer isso”. Foi o estopim.
Estamos falando de um homem que passou mais de cinco décadas nos palcos, construindo uma das carreiras mais icônicas da história do rock. Desde a morte de Freddie Mercury, em 1991, o Queen seguiu em turnê com dois vocalistas distintos — primeiro Paul Rodgers e depois Adam Lambert — mantendo viva uma chama que muitos consideravam impossível de sustentar. A última grande empreitada foi a “Rhapsody Tour”, encerrada em fevereiro de 2024. Meses depois, May sofreu um pequeno derrame que temporariamente comprometeu os movimentos do braço esquerdo, um alerta vermelho que ele mesmo reconhece: “Essas coisas acontecem comigo, mas parece que consigo superá-las. Elas servem como um alerta”.
O que surpreende não é o cansaço de um homem de 79 anos — é a clareza com que May enxerga o preço dessa vida. “Adoro tocar e viajar, mas o preço a pagar é sacrificar a liberdade”, disse. Ele menciona a mulher, a atriz Anita Dobson, os netos e uma paixão que vai muito além da música: a astrofísica. May tem doutorado pela Imperial College London e já publicou pesquisas científicas sobre poeira zodiacal. Aos poucos, o guitarrista tem dividido seu tempo entre o rock e a ciência, e agora parece decidido a inclinar a balança de vez.
Mas aqui está o ponto que torna essa notícia mais interessante do que um simples “artista cansado quer descansar”. May sugeriu que o Queen pode fazer algo “bastante revolucionário” para oferecer uma nova experiência aos fãs. Ele visitou a Sphere, em Las Vegas, e chegou a esboçar um show completo da banda pensando em imersão total. Acredita que é possível criar algo que “transcenda o tempo e o espaço” — mas com uma ressalva fundamental: acredita que isso não pode ser feito sem inteligência artificial, e tem “sérias reservas” sobre isso.
A relação de May com a IA já gerou polêmicas. Ele já pediu publicamente ao primeiro-ministro britânico que barre o avanço da tecnologia “antes que seja tarde demais”. Em agosto, criticou a Meta AI depois que a ferramenta gerou uma capa horrorosa para o álbum “The Game”, de 1980. “Então é esse o tipo de inteligência que vai governar o mundo em breve??! Pois é, ótimo. Talvez seja a hora de perceber que NÓS REALMENTE NÃO PRECISAMOS DE IA!”, escreveu no Instagram. A tensão entre inovação e preservação artística é real, e May está claramente do lado da cautela.
Resta uma pergunta no ar: o que o Queen prepara sem turnês tradicionais? A referência ao projeto “ABBA Voyage”, com hologramas performando em Londres, sugere que May quer algo na linha — mas com uma identidade própria. O retorno surpresa ao Coachella em 2025, tocando “Bohemian Rhapsody” com Benson Boone, provou que ele ainda tem fogo. A questão é se 50 anos de estrada são mesmo suficientes para um homem que ajudou a redefinir o que o rock pode ser. Uma coisa é certa: quando Brian May decide encerrar um capítulo, o mundo para para ouvir.
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— Douglas W.


