Aos 78 anos, o ícone do shock rock lança ‘Devil on My Shoulder’ e prepara material inédito com banda original, hollywood vampires e projeto solo.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!
⏱️ Em 5 segundos:
- Autobiografia ‘Devil on My Shoulder’ chega com 445 páginas e diálogo entre Vince Furnier e o alter ego alice cooper
- Três álbuns em andamento: solo, Hollywood Vampires e reunião da banda original após ‘The Revenge of Alice Cooper’
- Cooper fala de sobriedade desde os anos 1980, cristianismo e separação entre homem e personagem
Aos 78 anos, enquanto a maioria dos ícones do rock já estacionou na nostalgia, Alice Cooper segue fervilhando em estúdio. O ícone do shock rock — nome artístico de Vincent Damon Furnier — anuncia não um, não dois, mas três álbuns em diferentes frentes, além de uma autobiografia que promete desmontar décadas de mitos construídos sobre seu próprio nome. “Devil on My Shoulder” chega às livrarias nesta terça-feira (6) com 445 páginas e uma premissa ousada: o homem real conversando com o monstro que criou.
O homem e o demônio no ombro
Ao longo da carreira, Alice Cooper sempre soube que a narrativa era tão importante quanto a música. Shows com guilhotina, cobras e sangue falso não eram apenas espetáculo — eram uma narrativa construída com precisão cirúrgica. No entanto, o próprio Cooper admite, agora, que durante décadas alimentou uma teia de exageros e meias-verdades. “Fui o entrevistado mais escandalosamente pouco confiável de todos os tempos”, escreve no prefácio de seu terceiro livro de memórias, depois de descartar o primeiro, “Me, Alice” (1976), como um “delírio de bêbado”.
A grande sacada de “Devil on My Shoulder” está no formato: Cooper conversa com seu próprio alter ego, que o questiona sobre a veracidade das histórias. O coautor Daniel Richler — responsável também pelo best-seller “My Effin’ Life” de Geddy Lee, do Rush — sugeriu esse recurso que transforma o livro em um duelo entre criador e criatura. É uma metáfora perfeita para um artista que, desde meados dos anos 1980, aprendeu a “ligar e desligar” o personagem após superar o alcoolismo e o vício em crack.
Três discos, três identidades
Enquanto escrevia, Cooper não parou. Três projetos estão em diferentes estágios de produção. O primeiro é um álbum solo, cuja direção artística ainda não foi revelada. O segundo vem do Hollywood Vampires — supergrupo que formou com Johnny Depp e Joe Perry, dos Aerosmith, e que percorreu a Europa no meio do ano. O terceiro, however, é talvez o mais simbólico: um novo álbum com a banda original Alice Cooper, formada por Dennis Dunaway, Michael Bruce e Neal Smith.
Essa reunião ganhou fôlego no ano passado com “The Revenge of Alice Cooper”, primeiro trabalho do grupo em 52 anos desde “Muscle of Love” (1975). Cooper revela que incentivou os colegas a continuarem compondo: “Vamos nos reunir, escolher as melhores músicas e entrar em estúdio”. A dinâmica não é de ressentimento — ele descreve a separação anterior como “mais uma separação do que um divórcio” — mas sim de respeito mútuo por caminhos distintos que, afinal, sempre pertenceram à mesma criatura.
Shock rock e redenção
O livro também mergulha na fase mais sombria da carreira: o fim dos anos 1970, quando a dependência química quase sepultou tudo o que havia sido construído com “School’s Out”, “Eighteen” e “No More Mr. Nice Guy”. Cooper não poupa detalhes sobre a ascensão meteórica em Los Angeles, os shows teatrais inspirados em filmes de terror e a fama de “execrado” pela sociedade conservadora da época. Mas o tom não é de arrependimento — é de equilíbrio.
A reaproximação com o cristianismo, que ele descreve como “um relacionamento pessoal com Cristo” e não com instituições, é abordada sem sermonice. “Deus escolhia pessoas que ninguém mais escolheria”, diz ele, citando Paulo e Davi. “Eu era o mesmo cara cujos discos eram queimados no programa ‘700 Club’.” A mensagem é clara: fé não apaga o artista, assim como o Alice Cooper não apaga o Vince Furnier. “É fácil ligar e desligar essa chave. Assim que a cortina se fecha, ele desaparece.”
Palco ainda tem Alice
Enquanto as memórias chegam às livrarias e os álbuns amadurecem, Cooper segue em turnê. A “Alice’s Attic” começa em 27 de outubro em Clearwater, Flórida, com oito eventos de divulgação pelo Reino Unido antes disso. Em novembro, retoma em Las Vegas as apresentações de “Welcome to Our Nightmare” ao lado do ilusionista Criss Angel — um show onde fogo sai do chão e a teatralidade é tão importante quanto os riffs.
“Nunca vou dizer que é o fim”, disse Cooper sobre a parceria com Angel. “Se ele disser que quer mais seis shows, claro, sem problemas.” Aos 78 anos, o demônio no ombro de Alice Cooper ainda sussurra as ideias certas — e desta vez, ele está ouvindo com mais clareza do que nunca.
💡 Você sabia que… O nome ‘Alice Cooper’ foi escolhido porque parecia ‘o nome mais normal do mundo’ — o oposto da imagem sombria que a banda construía. A origem real não tem nada a ver com Ouija ou reencarnação de bruxa, como ele próprio admite no livro.
Mídia / Redes Sociais:
— Douglas W.


