50 anos de cultura paraense celebrados em uma celebração musical marcante de 2026
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- Festival Lambateria celebra 50 anos da lambada e guitarrada paraense
- Félix Robatto anuncia retorno com programa superastronomo
- Evento reforça valorização da música latino-amazônica no cenário nacional
A celebração de cinquenta anos do Festival Lambateria em Belém remonta-se a um momento crucial na história da música paraense, trazendo à tona uma nova fase para o icónico Félix Robatto e seus colaboradores. A programação de 2026 não é apenas um retrospecto nostálgico, mas uma oportunidade estratégica de reconectar a audiência com raízes culturais profundas enquanto abraça as possibilidades do presente musical.
Fundado por Félix Robatto em torno do projeto Quintarrada entre 2014 e 2016, o festival nasceu no antigo Templários, em Belém, como um ritual semanal de gambiarra musical que misturava guitarrada, cumbia e outras manifestações populares. Sua origem remonta aos primeiros dias da lambada, que surgiu em 1976 com Pinduca, mas foi Félix quem moldou o gênero em sua versão progressiva e rítmica, consolidando-o como uma voz independente no cenário norte-rio.
Separatamente, a lenda da lambada permanece viva através de figuras como Mestre Vieira, cujo disco “Lambada das Quebradas” de 1976 marcou uma época de consolidação do gênero. A celebração de 2026, portanto, transcende o simples aniversário numérico — ela representa um ato político de preservação cultural, recuando para as raízes que definiram a identidade periférica do Norte brasileiro.
Do ponto de vista crítico, o retorno de Félix Robatto ao palco evidencia sua capacidade de conectar tradição e inovação, posicionando o festival como um laboratório de identidade musical. Ao acolher artistas como Lia Sophia e Rossy War, além de homenagear o legado de Daniel Benitez, o evento demonstra que a música paraense pode dialogar com públicos globais sem perder sua essência geográfica.
O sucesso desta edição depende não apenas da programação, mas da execução técnica e da curadoria sensível que equilibra os ritmos autênticos com produção sonora de alta qualidade. A integração entre os palcos, incluindo o Mega Príncipe Negro para performances acústicas e o estúdio de Zek Picoteiro e Estamyna para danças, revela uma abordagem multidimensional que transcende o conceito tradicional de “festival de lambada”.
Olhar para o futuro, o modelo do Lambateria sugere que regiões brasileiras podem sustentar suas identidades musicais sem depender exclusivamente de grandes metrópoles. Com o Apoena Espaço Cultural já tendo organizado mais de quatro mil shows locais, a porta está aberta para que outras cidades seguam esse exemplo de autonomia creativa. O que vem a seguir é provavelmente uma ascensão contínua da influência do norte na cena dançante nacional, garantindo que a lambada e a guitarrada continuem pulsando bem beyond o ano de 2026.
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— Douglas W.


