festival celebra 10 anos de tradição, reúne artistas regionais e internacionais e é reconhecido como patrimônio cultural imaterial da cidade.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Festival Lambateria 2026 reúne artistas regionais e internacionais
- Reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Belém
- Shows de Félix Robatto, Rossy War e Companhia do Calypso
Quando o ritmo da lambada toca o salão, Belém inteiro dança. É assim que se pode descrever o Festival Lambateria 2026, uma manifestação cultural que, em seu décimo aniversário, reafirmou o papel central da música paraense na cena latino-americana. Três palcos, diversas vertentes musicais e um público que não parou de se moveram das 16h às 23h transformaram o evento em uma celebração coletiva da identidade cultural do Pará.
Uma tradição que nasceu dos rádios de Belém
A lambada, como se sabe, não surgiu do nada. Na capital do Pará, o ritmo foi moldado pela mistura de influências caribenhas, brasileiras e locais, vivida nos corredores das rádios da cidade e nos salões de festas da região. Félix Robatto, produtor e idealizador do festival, aprofundou essa história ao incorporar ao evento não apenas a música, mas também a dança, a comida e os personagens que tornaram a cultura paraense um verdadeiro patrimônio vivente. A homenagem a Seu João, Dona Nanci e Seu Godofredo não é apenas um tributo pessoal, mas uma estratégia de preservação: com músicas escritas especialmente para eles, o festival garante que sua contribuição para a lambada continue sendo lembrada e celebrada.
Intersecções culturais que conectam América Latina
Este ano, o Lambateria trouxe um passaporte cultural para a América Latina. A presença de Rossy War, da Peru, e de Lia Sophia, guianense, foi mais do que um aproveitamento do talento regional — foi um testemunho do reconhecimento mútuo entre as tradições musicais da região. “A música em nossos países está cada vez mais se reconhecendo”, afirmou a cantora peruana, que se viu refletindo em Joelma ao se apresentar em Belém. Para Tito Mauri, guitarrista de Rossy War, a semelhança entre a música peruana, caribenha e brasileira está na arrepição que ambas geram no público. Essa conexão, visível na recepção calorosa de Rossy, mostra como a lambada paraense funciona como uma ponte: ela não apenas absorve influências, mas as transforma em algo novo, mas reconhecível.
Mais do que show: um movimento de resistência cultural
O Festival Lambateria vai além da diversão. Com o título de Entidade de Patrimônio Cultural e Imaterial do Município de Belém, concedido em agosto de 2026, o evento passa a ter um reconhecimento institucional que legitima sua importância. Sônia Ferro, diretora artística, afirma que o título é “reconhecimento ao nosso trabalho, mas também ao fazer cultura em nosso estado”. A inclusão de artistas como Adilson Ramos, que celebrou 66 anos de carreira com seu estilo romântico e bailes da saudade, e a Companhia do Calypso, que mantém o brega em movimento, mostra como o festival atua como palco de transição entre gerações. A dança, o público e as homenagens são ferramentas de memória: o festival não apenas celebra o presente, mas também o passado, garantindo que a lambada não se perca no tempo.
O futuro da lambada: do salão para o mundo
Com 10 anos de história, o Lambateria já não é mais um evento local. Sua presença no Rock in Rio e no The Town abriu portas para um público global, mostrando que a lambada paraense tem o potencial de atravessar fronteiras. A combinação de tradição e modernidade, visual inspirado na procissão do Círio de Nazaré e em paisagens urbanas como o Parque Ita, deixa o festival com uma linguagem visual única. A pergunta que se faz agora é: como o Lambateria vai se reinventar nos próximos anos? Com artistas internacionais cada vez mais presentes, pode ser que a lambada paraense seja a próxima a ganhar espaço internacional — e Belém, o novo epicentro de uma cultura que nunca para de dançar.
💡 Você sabia que o Festival Lambateria já participou do Rock in Rio e do The Town, expandindo a influência da lambada paraense além de Belém?
— Douglas W.


