Skrillex afirma que músicas geradas por IA até viralizam, mas sentem falta da conexão humana

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Em sua primeira entrevista formal em mais de dez anos, o produtor reflete sobre o que acontece com a cultura de raves quando a origem emocional das canções se perde na era das máquinas.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Skrillex defende que a música feita por inteligência artificial até consegue viralizar, mas não consegue reproduzir a emoção e a história por trás de cada faixa.
  • Em entrevista à revista 032c, o produtor fala sobre suas raízes no From First To Last e como a tecnologia sempre carregou sentimento em suas produções.
  • O artista argumenta que o futuro da dance music depende menos da rejeição às máquinas e mais da confiança que os ouvintes depositam nos artistas por trás das canções.

O debate em torno da música gerada por inteligência artificial costuma focar em vocais falsos, estilos copiados e questões de direitos autorais. Mas Skrillex trouxe a conversa de volta para algo mais essencial: a conexão humana. Em sua primeira entrevista formal em mais de dez anos, publicada na revista 032c Issue #49 Summer 2026, o produtor conversou com Ecco2K sobre criatividade, cultura de raves e os limites da IA na música. Ele argumenta que uma canção criada por máquina pode até viralizar, mas ainda assim deixa a sensação de que ninguém está realmente nos vendo.

Skrillex afirma que músicas geradas por IA até viralizam, ma
Skrillex afirma que músicas geradas por IA até viralizam, ma

Essa perspectiva vai muito além do simples medo de computadores tomando o lugar de artistas. Antes de se tornar um dos nomes mais influentes da música eletrônica, Skrillex foi vocalista do From First To Last, uma banda de pós-hardcore onde emoção ao vivo, distorção e a fandom da era da internet já caminhavam juntas. Essa trajetória nunca sumiu — ela apenas se transformou em faixas como Scary Monsters And Nice Sprites e Bangarang, onde vocais processados, basses agressivos e edições cortantes se tornaram parte da identidade sonora. O mesmo artista que ajudou a levar esses sons a um público massivo hoje diz que a IA pode replicar texturas, mas não consegue carregar as bandas, os acidentes de estúdio, os anos de gosto refinado e as decisões artísticas que existem por trás de cada escolha.

Quando o assunto são as canções de IA que viralizam, é impossível não lembrar de casos como Heart On My Sleeve, a faixa fictícia com vocais simulados de Drake e The Weeknd. Aquele sucesso não aconteceu porque o público descobriu um novo artista com uma história real — aconteceu porque as pessoas ficaram obcecadas em descobrir o quão realista eram os vocais, se os envolvidos haviam aprovado e o que significava uma colaboração falsa travelar tão rápido. Esse tipo de atenção pode fazer uma música parecer bem-sucedida na superfície, mas a reação está ligada ao golpe, à confusão e à tecnologia por trás, e não a uma conexão genuína entre artista e ouvinte.

A dance music tem sua própria versão desse problema, já que as faixas costumam ganhar significado muito antes do lançamento oficial. Rumble, de Skrillex, Fred again.. e Flowdan, já circulava por gravações de sets e clipes de multidões antes de chegar às plataformas. Da mesma forma, Baby again.., de Fred again.., Skrillex e Four Tet, ganhou destaque após ser tocada ao vivo, inclusive no set conjunto no Madison Square Garden. Esse caminho é completamente diferente de uma canção de IA viralizar apenas por soar parecida com um artista famoso. Na cultura de raves, a memória em torno de uma música está ligada ao DJ que a testou, à pista que reagiu, ao clipe do festival que continuou circulando e aos meses em que o público pediu o lançamento. A IA pode copiar o som de um hit, mas não consegue recriar o rastro humano que faz com que as pessoas se importem com a origem da faixa.

O próximo capítulo da música com IA provavelmente vai depender do que artistas, gravadoras e plataformas estarão dispostas a deixar claro antes que uma canção chegue aos ouvintes. O pedido de John Summit por gravadoras que valorizem música feita por humanos aponta para uma possível resposta, especialmente quando vocais falsos e estilos copiados ficam cada vez mais difíceis de identificar de primeira ouvida. O experimento de David Guetta com um vocal gerado por IA no estilo de Eminem mostrou o quão rápido um simples teste técnico pode levantar questões gigantes sobre semelhança e consentimento. E o próprio deadmau5 já alertou sobre deepfakes e falsos endossos. O ponto central, como reforça Skrillex, não é apenas se a canção soa convincente, mas se o ouvinte sabe quem realmente fez o que está ouvindo.

À medida que a inteligência artificial facilita a criação musical e dificulta a identificação da origem, o futuro da dance music pode depender menos de os ouvintes rejeitarem a tecnologia e mais de eles ainda confiarem nas pessoas ligadas às canções. Skrillex toca em um problema que vai além de um único hit viral ou de uma voz copiada: o risco maior é uma cultura onde a fonte de uma música se torna obscura e a relação entre artista e público passa a parecer incerta. A dance music sempre se moveu por clubes, festivais, IDs, edições e gravações compartilhadas, mas esses momentos só duram quando as pessoas acreditam que há um ser humano real por trás das escolhas, dos riscos e da história de cada registro. A IA pode continuar criando canções que viajam rápido online, mas a pergunta difícil que fica é: velocidade pode substituir confiança? E uma música pode continuar significando algo muito depois da primeira impressão, se ninguém conseguir sentir a vida humana por trás dela?

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Skrillex começou sua carreira musical como vocalista da banda de pós-hardcore From First To Last, antes de se tornar um dos maiores nomes da produção eletrônica mundial?


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— Douglas W.