Ivete Sangalo revela herança latina e reescreve sua trajetória no Rock in Rio

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A cantora baiana levou ao Palco Mundo do festival o espetáculo ‘A La Sangalo’, misturando ritmos latinos com sucessos de três décadas de carreira sob chuva

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Ivete Sangalo encerrou sua participação no Rock in Rio 2026 com o espetáculo ‘A La Sangalo’, celebrando suas raízes latinas e sua trajetória de mais de trinta anos de carreira
  • O repertório mesclou sucessos da Banda Eva, hits solo e referências latinas como ‘Corazón Partío’ de Alejandro Sanz e ‘Bamboléo’ dos Gipsy Kings
  • A cantora destacou que a latinidade do show vem de sua família, especialmente de seu pai, de quem herdou o sobrenome Sangalo

A chuva não foi obstáculo para uma das maiores celebrações da música brasileira no festival

Sob gotas que caíam sem trégua sobre o Palco Mundo, Ivete Sangalo provou por que é considerada uma das maiores intérpretes da história dos festivais no Brasil. Neste domingo (13), último dia do Rock in Rio 2026, a cantora baiana subiu ao palco com o espetáculo “A La Sangalo” e transformou a apresentação em uma verdadeira viagem pelas diferentes fases de sua carreira — e também pelas raízes latinas que sempre fizeram parte de sua identidade artística. Não foi apenas um show: foi um manifesto pessoal sobre origem, memória e celebração.

Três décadas de trajetória revisitadas com propósito e personalidade

Ivete não chegou ao Rock in Rio 2026 para tocar apenas seus maiores hits. O espetáculo “A La Sangalo” foi concebido como uma narrativa que percorre desde seus anos na Banda Eva, passando por seus trabalhos solo, até as referências que moldaram seu gosto musical. O repertório incluiu desde “Dançando” e “A Galera” — que abriram a apresentação com energia contagiante — até canções como “Não Precisa Mudar”, “Alô, Paixão” e “Me Abraça”, que remetem diretamente à sua passagem pelo grupo baiano. A proposta de revisitar diferentes momentos de sua trajetória confere ao show uma dimensão rara: a de uma artista que não teme olhar para trás e celebrar de onde veio.

A latinidade presente no repertório não foi um acaso comercial. Durante entrevista à Billboard Brasil antes da apresentação, Ivete foi enfática ao explicar que essa sonoridade é uma herança familiar. O sobrenome “Sangalo” é uma herança do lado de seu pai, e a latinidade que permeia o espetáculo vem de uma vivência que já estava em sua formação antes mesmo de ela se tornar conhecida nacionalmente. “Está no meu sangue celebrar essa memória com a minha voz e movimento. Nas minhas veias, pertencimento”, declarou a artista, e as palavras soaram genuínas, não como marketing — como confissão.

Um repertório que dialoga com o mundo latino sem perder a identidade brasileira

Um dos pontos mais marcantes da noite foi a ousadia nas sequências. Ivete emendou “Chorando se Foi”, do Kaoma, com “Bamboléo”, dos Gipsy Kings, e ainda introduziu “NUEVAYoL”, de Bad Bunny — uma ponte contemporânea entre o pop latino atual e as referências que a moldaram. A presença de “Corazón Partío”, de Alejandro Sanz, no repertório reforçou essa aposta: a latinidade não como adereço, mas como fio condutor que costura gerações e estilos diferentes em uma narrativa coerente.

O figurino, assinado pela própria Ivete em parceria com Kevin Zanne, reforçou essa proposta de transformar referências pessoais em identidade visual. Cada detalhe funcionava como uma extensão da narrativa do show, e isso revela uma artista que não delega ao acaso a construção da sua própria obra. É um cuidado que poucos artistas de seu porte mantêm ao longo de décadas de carreira.

O momento mais emotivo da noite ficou por conta do bis, quando Ivete voltou ao palco com “Deixo”, “Faz Tempo”, “Cadê Dalila?” e “O Mundo Vai”. O encerramento ganhou um tom íntimo com “O Verão Bateu em Minha Porta”, apresentada ao lado de suas filhas Helena e Maria. Ver a artista dividindo o palco com suas filhas em um momento tão pessoal lembra que, por trás de toda a grandiosidade de um festival como o Rock in Rio, existe uma história humana que merece ser contada.

O legado de um show que coloca a latinidade no centro da conversa

A participação de Ivete Sangalo no Rock in Rio 2026 é significativa porque, em um momento em que o festival busca constantemente equilibrar apostas internacionais com a força da música brasileira, ela demonstra que a identidade local pode ocupar o palco principal sem vergonha nem concessões. O sucesso de “A La Sangalo” mostra que o público brasileiro não apenas aceita, mas celebra quando um artista brasileiro assume plenamente suas referências culturais — e as transforma em espetáculo.

Se há uma crítica a fazer, talvez seja a de que o show, por ser tão fiel à sua própria trajetória, corre o risco de reforçar o que já funciona em vez de arriscar territórios inéditos. Mas isso não diminui a importância de um artista que, ao completar mais de trinta anos de carreira, ainda consegue lotar o Palco Mundo e fazer o público cantar cada verso. Ivete Sangalo não precisa provar nada a ninguém — e mesmo assim, entregou um show que prova que a latinidade, quando tratada com autenticidade, é um dos presentes mais valiosos que a música brasileira pode oferecer ao mundo.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Ivete Sangalo começou sua carreira profissional na Banda Eva, grupo de frevo baiano que se tornou um dos maiores fenômenos da música popular brasileira nos anos 1990, e que seu nome artístico é uma referência direta à família paterna?


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— Douglas W.