Nelson Motta revela encontros musicais dos sonhos com Cássia Eller, Gal e mais

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O curador do Doce Maravilha 2026 fala sobre parcerias que nunca aconteceram e a lógica do ‘choque estético’ que guia a programação do festival

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Nelson Motta, idealizador do Doce Maravilha, revela quais encontros musicais dos sonhos gostaria de ver em um palco
  • Entre as duplas imaginárias estão Cássia Eller com Gal Costa, Tim Maia com Jorge Ben Jor e Elis Regina com Djavan
  • O conceito de ‘harmonia por contraste’ guia tanto as curadorias de shows impossíveis quanto o line-up do festival
  • O Doce Maravilha 2026 acontece nos dias 7, 8 e 9 de agosto no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro

Nelson Motta fala de encontros musicais como quem fala de uma ideia antiga que sempre esteve ali, latente para acontecer. O conceito que hoje estrutura o Doce Maravilha — ‘harmonia por contraste’, nas palavras dele — aparece também quando o assunto são artistas que já se foram, como Cássia Eller, ou que, na imaginação, poderiam dividir o mesmo palco. E a lógica não é só nostalgia: é o desejo genuíno de chocar estilos que podem parecer díspares, mas que, ao vivo, seriam capazes de se complementar de formas inesperadas.

Questionado pela Billboard Brasil sobre quais artistas que já partiram incluiria em encontros musicais dos sonhos, Motta parou para pensar e montou parcerias de várias dimensões. ‘De cara, Tim Maia e Jorge Ben Jor. Seria um espetáculo’, afirmou sem hesitar, evocando dois titãs que, embora tenham trilhado caminhos distintos — um mais voltado ao funk e ao soul brasileiro, outro à mistura de bossa, rock e jovem guarda — compartilham uma mesma urgência emocional que poderia gerar momentos elétricos em um palco.

O próximo show imaginário? ‘Elis Regina e Djavan. Também adoraria ver e ouvir isso.’ A dupla seria um cruzamento fascinante entre a maior voz da música popular brasileira em sua fase mais incendiária e um dos maiores compositores da geração seguinte, dono de uma sensibilidade melódica que dialoga diretamente com a herança de Elis. Motta amplia ainda mais o espectro quando projeta outras colisões possíveis: ‘Cássia Eller e Gal Costa. Também seria muito, muito interessante.’ O tom não é de ranking, mas de curiosidade sobre o que poderia surgir do choque entre duas vozes femininas que, embora pertençam a épocas diferentes, carregam uma intensidade rara na música brasileira.

A lista segue, sempre no mesmo princípio de contraste e afinidade inesperada: ‘E o Erasmo Carlos e o Roberto Carlos. Para fechar bem’, finalizou Motta, que esteve na escalação do Doce Maravilha deste ano, com encontros como Caetano Veloso e Emicida, além de Maria Bethânia e Paulinho da Viola. A inclusão dos irmãos Carlos — o ‘Tropical’ e o ‘Rei’ — como ponto final da lista de sonhos de Motta é simbólica: representa o fechamento de um ciclo que atravessa décadas de música popular, unindo dois nomes cuja influência é tão vasta que praticamente define o Brasil musical.

No centro do Doce Maravilha, Nelson Motta insiste que a curadoria não nasce de uma lista de atrações, mas de uma ideia de fricção estética — algo que ele define como ‘harmonia por contraste’. ‘Eu adoro esse conceito… coisas aparentemente até opostas, mas que se harmonizam justamente pelo contraste’, diz. A partir daí, ele explica que o festival não se organiza por gêneros ou hierarquias, mas por relações inesperadas entre artistas e gerações. O exemplo mais recorrente, segundo Motta, é justamente o que melhor sintetiza essa lógica: ‘Uma espécie de símbolo dessa nossa ideia de programação é o encontro do Caetano com o Emicida, que é mais do que um encontro de gerações. É uma harmonia por contraste também. Ninguém sabe o que vai acontecer, só sabe que vai ser bom.’

A lógica da curadoria, segundo Motta, também depende de uma engrenagem geracional, uma espécie de continuidade entre experiência e renovação. ‘Esse encontro da juventude com a experiência resulta nessa harmonia, muitas vezes uma harmonia por contraste’, diz, ao explicar como jovens curadores trabalham junto à memória histórica da música brasileira. É nesse ponto que entram as parcerias que estruturam o festival hoje. Motta destaca o papel de nomes mais jovens na construção do line-up e na leitura do presente musical: ‘O pessoal tem uma atualidade, uma visão da geração deles. E também eles sabem muito da história da música brasileira, de como nós chegamos até aqui.’ Essa combinação, segundo ele, permite que o Doce Maravilha opere em duas camadas simultâneas: a da memória e a da experimentação. ‘A cada ano, a gente vai desenvolvendo mais esse trabalho.’

Sobre a nova geração, o jornalista e escritor deixou no ar que Tim Bernardes é o artista que ele vê entrando nesta seleta lista de ícones da música popular brasileira — uma declaração que diz muito sobre o momento atual do cantor e compositor, cada vez mais reconhecido como uma voz fundamental da cena contemporânea. Com ingressos já à venda pela plataforma Ingresse e realizado nos dias 7, 8 e 9 de agosto no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, o Doce Maravilha 2026 promete materializar pelo menos parte desses encontros dos sonhos — e, quem sabe, criar novos mitos sobre o que acontece quando mundos musicais distintos colidem no mesmo palco.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Nelson Motta já produziu discos de artistas como Tim Maia, Luiz Melodia e Lulu Santos, além de ter escrito biografias de grandes nomes da música brasileira, acumulando mais de quatro décadas de atuação como um dos jornalistas musicais mais influentes do país?