João Nogueira revela bastidores do novo disco do Mastodon e fala sobre luto

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Brasileiro pernambucano oficializado como quinto membro da banda fala sobre ‘Marrow Deep‘, a perda de Brent Hinds e a renovação criativa do grupo

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Brasileiro João Nogueira é oficializado como quinto membro do Mastodon após cinco anos como tecladista de estúdio e turnê
  • Novo álbum ‘Marrow Deep’ chega em 28 de agosto com participações de Josh Homme e Geezer Butler
  • Banda enfrenta o luto pela perda de Brent Hinds, mas encontra renovação criativa e energia no novo ciclo

Quando um pianista formado em Berklee, com uma trajetória que inclui tocar com Sean Lennon e mergulhar no jazz, recebe um convite para integrar uma das bandas mais respeitadas do heavy metal mundial, algo precisa ter dado muito certo — e deu. Três anos após gravar os teclados de “Hushed and Grim”, o pernambucano João Nogueira foi oficializado como quinto membro do Mastodon, transformando um quarteto histórico em uma nova formação que chega com um disco fresco e uma história de superação que poucos poderiam imaginar.

A jornada de João até o Mastodon não segue nenhuma linha reta. Saiu de Recife, onde tocava em bandas de metal aos 13 anos, rumou a São Paulo para estudar na Berklee e se formar em Jazz Performance, depois trocou o piano pela psicodelia ao lado de Sean Lennon no Claypool Lennon Delirium — e, sem fazer plano algum, acabou caindo nas gravações e turnês de uma das maiores bandas de metal do século XXI. Essa montanha-russa de identidades musicais explica por que o brasileiro consegue hoje trazer para o som do Mastodon uma leitura que vai muito além do teclado de apoio: ele é parte ativa da construção criativa, como ficou claro no novo álbum.

Mas o novo ciclo do Mastodon não vem sem cicatrizes. Há pouco mais de um ano, Brent Hinds — guitarrista, vocalista e fundador que esteve na banda por 25 anos — perdeu a vida em um acidente de moto em Atlanta, semanas depois de ter sido convidado a se afastar por questões ligadas ao consumo de álcool. A notícia pegou João de volta do Alasca, onde a banda tinha um show, e o impacto ainda ecoa. “A morte de um amigo próximo tem uma especificidade diferente. Ela quase se denuncia como um absurdo”, disse ele em entrevista à Billboard Brasil, revelando que as lutas internas da banda com o álcool e o ambiente de alta intensidade do rock contribuíram para uma deterioração que ninguém conseguiu reverter a tempo.

O resultado desse processo de luto e reconstrução se materializa em “Marrow Deep”, disco que chega em 28 de agosto e que o grupo descreve como o mais empolgado em anos. Diferente de “Hushed and Grim”, onde cada membro trabalhava isolado em seus estúdios, desta vez o Mastodon se reuniu em sala de ensaio para fazer o que não fazia há bom tempo: jam, testar ideias em tempo real e deixar que o material ganhasse forma coletivamente. A entrada de Nick Johnston como novo guitarrista acelerou essa química, e João conta que o processo se tornou mais orgânico — “o Bill chega para mim e quer uma ideia para aquele riff; o Nick entra e uma nova visão surge”. É um disco que soa vivo, com a energia de quem estava disposto a se reinventar mesmo no meio da dor.

As participações especiais reforçam o peso simbólico do álbum. Geezer Butler, baixista lendário do Black Sabbath — a banda de metal que mais influenciou João — gravou uma faixa, e o grupo teve a oportunidade de tocar no Back to the Beginning, o grande festival de despedida do Sabbath em julho de 2025. Josh Homme, do Queens of the Stone Age, também empresta sua voz ao projeto. São colaborações que não surgiram por acaso: são reconhecimentos de uma banda que, mesmo em luto, manteve sua relevância e capacidade de atrair os nomes mais pesados do rock e do metal mundial.

O que”Marrow Deep” coloca em mesa, no entanto, é algo além da homenagem. João revelou que o solo de “Snakes for Dinner” foi gravado no dia em que perdeu sua filha ainda no ventre — uma perda pessoal que se soma à coletiva e que transforma o álbum em um documento emocional de uma intensidade rara. O solo, que saiu quase como “uma menininha dando piruetas”, foge completamente da linguagem dark e angular que João costuma adotar, e é justamente essa vulnerabilidade que dá ao disco sua alma. O Mastodon de 2025 não é o mesmo de 2011, nem de 2019. É uma banda que absorveu a morte, a perda e a renovação, e transformou tudo em música. Resta agora saber como o público recebe esse novo capítulo — e se o Brasil, como João espera, voltará a ser palco dessa montanha-russa emocional em breve.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que… Brent Hinds, guitarrista e vocalista do Mastodon por 25 anos, era um entusiasta de música country e chegou a gravar material nesse gênero — uma influência rara e inesperada no cenário do metal pesado.


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