Felipe Poeta revela ‘Clubber’s Fever’, EP que traduz a energia de uma noite em cinco faixas

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Segundo trabalho autoral do produtor carioca narrar uma jornada completa de pista, do pôr do sol ao amanhecer, com referências que vão de Moodymann a Action Bronson.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Felipe Poeta lança o EP ‘Clubber’s Fever‘ com cinco faixas autorais que narram a evolução de uma noite de festa, do pôr do sol ao amanhecer.
  • O projeto transita entre house, jazz e eletrônica experimental, trazendo referências de Moodymann e Action Bronson em uma narrativa pensada para a pista.
  • O lançamento acontece em meio à fase intensa do artista, que também produz ‘Chico 2.0’ e levou seu álbum ‘RJ Garage’ ao Tomorrowland em 2025.

Na madrugada da próxima sexta-feira, 31 de julho, Felipe Poeta coloca no ar seu segundo EP de carreira, o aguardado Clubber’s Fever. São cinco faixas autorais que não funcionam como um conjunto de músicas soltas, mas como um único arco narrativo — a jornada completa de uma noite de pista, desde o clima contemplativo do pôr do sol até o esgotamento do amanhecer. O lançamento reforça o posicionamento do produtor carioca como uma das vozes mais originais da cena eletrônica brasileira contemporânea.

Uma trajetória construída com paciência e ousadia

Felipe Poeta estreou no cenário em 2020, com o EP Creation, e desde então construiu um catálogo que poucos nomes nacionais conseguem igualar em consistência. Em 2022, assinou a trilha sonora da série Arcanjo Renegado, produção brasileira que teve reconhecimento internacional ao ser premiada em Nova York. No ano seguinte, seu remix de Um Corpo no Mundo, de Luedji Luna, consolidou sua habilidade de traduzir a sensibilidade da música brasileira para estruturas eletrônicas. Agora, em 2025, o produtor levou seu álbum de estreia, RJ Garage, ao palco principal do Tomorrowland, na Bélgica — um marco que o coloca no mapa global sem perder a identidade local.

O projeto que transforma noite em arco musical

A ideia por trás de Clubber’s Fever nasceu de uma percepção íntima de Poeta sobre o que realmente acontece dentro de uma pista de dança. ‘Sempre enxerguei a pista como um lugar onde cada momento tem uma energia diferente. Quis transformar essa sensação em música, fazendo o EP acompanhar a evolução de uma noite inteira’, explica o artista. Essa narrativa sequencial é rara no formato EP, onde faixas muitas vezes funcionam de forma desconexa. Aqui, cada faixa é um capítulo: o calor do crepúsculo, a euforia da madrugada e o silêncio pós-festa. O resultado é uma obra que se ouve de ponta a ponta como se fosse um DJ set conceitual, não apenas uma compilação de singles.

Referências que dialogam com a pista

O que torna Clubber’s Fever particularmente interessante é a paleta de influências que Poeta escolheu para tecer sua narrativa. O DJ Moodymann, figura central do house de Detroit e ícone do chamado deep house com alma, aparece como uma referência estética clara — a forma como o produtor americano mistura groove analógico com emoção crua ressoa diretamente na abordagem de Poeta. Já Action Bronson, o rapper, chef e apresentador norte-americano conhecido por sua prosa exuberante e cultura gastronômica, acrescenta uma camada de irreverência e humor que foge do rigor clínico típico da música eletrônica de pista. Juntar essas duas referências em um mesmo projeto e ainda manter a coesão é um exercício de curadoria que poucos produtores brasileiros tentam — e menos ainda executam com tanta naturalidade.

Entre o house, o jazz e o experimental

Musicalmente, o EP transita por territórios que poucos artistas do gênero exploram com tanta fluidez. O house é a base estrutural, mas Poeta não se prende a subgêneros — há momentos que beiram o jazz em suas progressões harmônicas, outras que flertam com texturas mais experimentais e ásperas. Essa versibilidade não é acidental: ela reflete o fato de Poeta ser também um dos poucos produtores nacionais a trabalhar extensivamente com sistemas modulares, tanto no estúdio quanto em suas apresentações ao vivo. Enquanto a maioria dos DJs opera com sets pré-programados, Poeta alterna entre performances com sintetizadores, improvisações em tempo real e a tradicional cabine de turntables — uma tríade que dá ao seu material de estúdio uma qualidade quase orgânica, como se cada faixa tivesse sido moldada ao vivo.

O que esperar depois do lançamento

O momento escolhido para o lançamento de Clubber’s Fever não poderia ser mais estratégico. Com o Tomorrowland ainda fresco na memória do público e a participação simultânea no projeto coletivo Chico 2.0 — uma série de releituras da obra de Chico Buarque que coloca Poeta em diálogo com a MPB —, o artista demonstra uma versatilidade que poucos conseguem sustentar sem se diluir. O EP não é apenas mais um lançamento: é uma declaração de que Felipe Poeta entende a música eletrônica como forma de arte narrativa, não apenas como ferramenta de entretenimento. Se o RJ Garage apresentou ao mundo o que ele faz no estúdio, Clubber’s Fever revela para onde ele quer levar essa conversa — e a pista, definitivamente, é o destino.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Felipe Poeta é um dos poucos produtores brasileiros a integrar sistemas modulares tanto em seu estúdio quanto em suas apresentações ao vivo, alternando entre DJ sets tradicionais, performances com sintetizadores e improvisações em tempo real — uma abordagem que poucos conseguem sustentar com consistência na cena nacional?

— Douglas W.