O veterano de 81 anos sobe ao palco do Sesc Itaquera com o projeto Bem Brasil e um repertório que equilibra nostalgia e novidades autorais.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Show Gratuito acontece no Sesc Itaquera no domingo (2) ao meio-dia
- Transmissão ao vivo pela TV Cultura e YouTube do Sesc
- Veterano de 81 anos passeia por clássicos como Dia Branco e Caravana
Aos 81 anos e com mais de cinco décadas de estrada, Geraldo Azevedo não apenas confirma sua vitalidade inabalável, mas reafirma o poder transformador da música brasileira autêntica. O veterano pernambucano desembarca neste domingo (2) no gramado do Sesc Itaquera, na zona leste de São Paulo, para um show gratuito que promete ser um dos eventos mais significativos da cena cultural da cidade, transmitindo ao vivo tanto pela TV Cultura quanto pelo YouTube do Sesc.
A atração faz parte da retomada do programa “Bem Brasil”, um formato que se tornou referência na televisão brasileira desde sua criação em 1991. Apresentado por Wandi Doratiotto e com a participação da jornalista Roberta Martinelli interagindo diretamente com o público presente, o projeto já trouxe lendas como Tim Maia, Gal Costa e Cássia Eller ao pequeno e médio telespectador, fechando um ciclo de 17 anos na grade da emissora em 2008 e retornando agora com edições especiais que resgatam a essência do encontro entre artistas e plateia.
No palco, Geraldo não vem apenas para um passeio nostálgico, mas para mostrar que a criatividade segue afiada. O repertório passeia por clássicos incontestáveis como “Dia Branco”, “Dona da Minha Cabeça” e “Caravana”, mas também reserva surpresas exclusivas para o evento. Recentemente, o músico lançou a parceria “Eu Mandei Meu Amor Pro Espaço” ao lado de Lucas Bezerra, provando que a fase de criação autoral está longe de ter atingido um platô, e conta com uma banda de luxo que mistura a tradição da sanfona e da flauta com a energia precisa de uma percussionista como Jerimum de Olinda.
O que torna este evento particularmente relevante no cenário atual é a escolha do Sesc Itaquera como palco. Enquanto o mercado musical insiste em empurrar experiências pagas e excludentes para arenas metropolitanas, a decisão de levar um artista do calibre de Geraldo Azevedo de graça para a periferia de São Paulo é um ato político e cultural de enorme magnitude. É a valorização do acesso democrático à arte, quebrando a barreira do ingresso que frequentemente separa o público da classe trabalhadora dos grandes festivais e shows pagos.
Além da questão social, a escolha do repertório revela um equilíbrio raro entre conservação e inovação. O veterano não se esconde atrás de um “best of” seguro, mas insiste em incluir canções que marcaram épocas diferentes de sua trajetória, enquanto apresenta novidades autorais. A formação da banda, com destaque para Cesar Michiles na flauta e Johnanthan Malaquias na sanfona, mostra que a sonoridade do forró e da MPB nordestina continua viva e respirando, longe de ser apenas um museu sonoro para turistas.
O retorno do “Bem Brasil” e este grande show gratuito funcionam como um marco de resistência cultural. Em uma era dominada por algoritmos e lançamentos descartáveis, ver Geraldo Azevedo ocupar o espaço público com tanta energia é um lembrete vital de que a música brasileira precisa de raiz, presença e conexão real com seu público. O que se espera, agora, é que este formato de transmissão e encontro presencial continue a ganhar espaço, provando que a tradição e a modernidade podem coexistir no mesmo território de relevância cultural.
💡 Você sabia que a icônica música ‘Avôhai’, gravada por Geraldo Azevedo no álbum de estreia de 1974, se tornou um hino nacional e ajudou a popularizar o forró eletrônico nas rádios de todo o Brasil?
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— Douglas W.


