Artista celebra parceria histórica no Palco Brasil e relembra momentos marcantes de suas participações anteriores no maior festival de rock do país.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Rael realizou sua terceira apresentação no João Rock 2025, desta vez ao lado de Marcelo D2, como parte do tema “De Norte a Sul”.
- O rapper relembrou suas participações anteriores, tendo dividido o palco com Emicida, Mano Brown, Rincon Sapiência e FBC ao longo das edições.
- Rael lançou dois álbuns em pouco mais de um ano — “Onda” (2025) e “Nas Profundezas da Onda” (2026) — e prefere focar em shows antes de anunciar novos projetos.
O rapper Rael consolidou mais uma vez sua presença como um dos nomes mais relevantes da nova geração do rap brasileiro ao subir ao Palco Brasil do João Rock neste sábado (1). Ao lado de Marcelo D2 — uma figura que ele cita como ídolo desde a infância —, a apresentação representou o Sudeste dentro do tema “De Norte a Sul” da edição deste ano, marcando a terceira vez do artista no maior festival de rock do país. E diferente do que o nome do evento possa sugerir para quem não acompanha a cena, Rael provou mais uma vez que a fronteira entre gêneros é cada vez mais porosa e irrelevante quando a música é boa.
O que torna a trajetória de Rael no João Rock particularmente interessante é a evolução clara de suas escolhas artísticas ao longo das edições. Na estreia, ele apareceu ao lado de Emicida, convidando Mano Brown para um encontro que já prometia a força da nova e da velha guarda do rap nacional. No ano seguinte, a aposta foi em Rincon Sapiência e FBC, nomes que representam a vertente mais alternativa e experimental do cenário. E agora, com Marcelo D2 no palco, Rael fecha um ciclo que fala muito sobre seu posicionamento: de rapper em formação a artista consagrado, capaz de não apenas dividir o palco, mas de compartilhar o microfone com alguém que ele ouvia quando ainda andava de skate pelo Planeta Rock. São escolhas que revelam um artista em construção constante, sem medo de se colocar em diálogo com diferentes gerações e estilos.
O repertório de Rael transita por rap, reggae e afrobeat — uma mistura que, em um festival de rock, poderia soar desconfortável para parte do público, mas que ele conduz com naturalidade e segurança. Durante a apresentação, o momento em que Marcelo D2 cantou “Zé do Caroço” foi o ponto alto da noite: a pista não ficou parada nem por um segundo. É a prova de que o João Rock, apesar do nome, tem se reinventado e absorvido a diversidade que sempre fez parte da música brasileira. Rael resumiu bem ao dizer que leva o nome do rock como algo que “mexe com a música”, e não como uma barreira — uma leitura que reflete a maturidade de quem entende que gênero é construção, e que a energia do público é o único gênero que realmente importa quando o show começa.
Do ponto de vista artístico, o momento atual de Rael é de consolidação. Em pouco mais de um ano, ele lançou dois álbuns: “Onda” (2025) e “Nas Profundezas da Onda” (2026), um ritmo de entrega que poucos artistas da cena nacional mantêm com tanta consistência. No entanto, diferente de muitos que se deixam levar pela velocidade das redes sociais e anunciam novidades a cada semana, Rael demonstra uma consciência rara sobre os próprios limites criativos. Em entrevista, ele deixou claro que, por enquanto, o foco está em digerir o que já foi produzido e em curtar o ciclo de shows — uma postura que, embora pareça contraintuitiva em tempos de excesso de conteúdo, pode ser o diferencial para que seu próximo trabalho tenha a mesma força e coerência dos dois que o antecederam.
A cena do rap brasileiro vive um momento de expansão sem precedentes, e a presença recorrente de Rael em festivais de grande porte como o João Rock é um reflexo direto disso. Não se trata mais de um nicho restrito a shows underground ou pistas alternativas: o rap ocupa os palcos principais, divide espaço com ícones de gerações passadas e dialoga com públicos que, há dez anos, jamais imaginaria ver um MC em um festival de rock. A parceria com Marcelo D2, em particular, simboliza essa ponte entre eras — o encontro entre quem construiu a fundação e quem agora herda o espaço, mas com identidade própria e voz forte o suficiente para ocupá-lo sem sombra.
Olhando para frente, o que se espera de Rael é que ele continue nesse ritmo ambicioso, mas sem se perder na pressão da produção acelerada. O mercado pede novidade constante, mas a arte pede tempo — e Rael parece saber disso. O ritual de bater o pé duas vezes antes de entrar no palco, a benzedeira e tudo mais, é quase uma metáfora: ele prepara o corpo e a mente antes de cada apresentação, e provavelmente fará o mesmo com seus próximos projetos. Seja um terceiro álbum, uma turnê internacional ou uma colaboração inesperada, o que se pode afirmar com segurança é que quando Rael voltar a anunciar algo, a cena vai parar para ouvir — como já parou neste sábado, ao som de um rap que atravessa fronteiras e gerações sem pedir licença.
💡 Você sabia que Rael tem um ritual de bastidor peculiar: antes de subir ao palco, ele bate o pé duas vezes, um costume que uma benzedeira lhe receitou antes de apresentações importantes.
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— Douglas W.


