Luedji Luna estreia no João Rock e revela ritual de palco

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Cantora baiana confirma presença histórica no festival e explica como levar MPB e jazz a um palco tradicionalmente ligado ao rock é, na verdade, continuidade da própria identidade brasileira.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Luedji Luna fez sua estreia no João Rock no Palco Aquarela em Ribeirão Preto
  • Cantora baiana revelou ritual pessoal antes de subir ao palco: reza e pé direito
  • Ela defende que o rock brasileiro sempre foi plural e celebra a diversidade nos festivais

O cenário dos festivais de música no Brasil ganhou, neste sábado (1), um reforço de peso e sensibilidade inegável. Luedji Luna subiu ao Palco Aquarela do João Rock, em Ribeirão Preto (SP), marcando sua estreia em um dos maiores eventos de música ao vivo do país — e o fez com a segurança de quem carrega uma trajetória sólida construída ao longo de quase uma década de carreira. A cantora baiana, natural de Salvador, não veio apenas para ocupar um espaço: veio para reafirmar que a música brasileira, em toda a sua diversidade, já é parte indissociável da identidade dos grandes palcos nacionais.

Luedji Luna construiu sua trajetória artística sobre uma base rara de sensibilidade e ancestralidade, transitando com naturalidade entre a MPB e o jazz desde o lançamento de seu álbum de estreia, Um Corpo no Mundo, em 2017 — trabalho que lhe rendeu o Prêmio Bravo e uma indicação a melhor artista revelação no Multishow. Dois discos depois, com Bom Mesmo é o Mar (2022), a artista consolidou-se como uma das vozes mais relevantes da nova geração da música brasileira, capaz de preencher espaços que historicamente foram negligenciados em grandes eventos.

Em entrevista exclusiva à Billboard Brasil, Luedji Luna revelou que a expectativa para se apresentar no João Rock era antiga. “João Rock é um festival que eu namoro já há muitos anos. Conheço a história do festival, moro em São Paulo, é um festival perto da capital, muita gente e artistas que eu admiro já tocaram aqui. Eu tava esperando a minha vez”, contou, deixando claro que a espera valeu cada segundo. A artista destacou ainda que o momento era especial porque seus dois discos premiados serviram como respaldo artístico para o convite.

A questão de levar uma sonoridade intimista, ligada à MPB e ao jazz, para dentro de um festival historicamente associado ao rock não pareceu incomodar Luedji Luna em momento algum. Pelo contrário: ela foi direta ao afirmar que a própria história do rock brasileiro sempre foi, na verdade, uma história de fusão. “O rock do Brasil, ali na década de 80, era o pop, era a coisa mais popular do Brasil. Só que a própria música brasileira se reconfigura o tempo todo”, argumentou, lembrando que nem o Rock in Rio se limita a um único gênero. “Tem de tudo, teve reggae, teve eu, teve Nação Zumbi, teve BaianaSystem, tem rock também, obviamente. O rock do Brasil é assim”.

Mas talvez o momento mais revelador da entrevista tenha sido quando Luedji Luna abriu o coração sobre seus rituais nos Bastidores antes de subir ao palco. “Aqueço a voz, religiosamente, faço xixi do nervoso, que às vezes é só psicológico, mas eu vou ao banheiro, e na beira do palco eu rezo. Faço as minhas orações, subo com o pé direito e vamos embora, vamos brilhar”. Essas palavras humanizam a artista e revelam o quanto cada apresentação é um ato de fé — literal e figurativamente — para quem carrega a ancestralidade e a espiritualidade como pilares de sua arte.

A estreia de Luedji Luna no João Rock não é apenas mais uma presença ilustre em um lineup diversificado. Ela representa uma mudança de paradigma na forma como os grandes festivais brasileiros enxergam a programação: a de que MPB, jazz e afrocentricidade não são complementos, mas parte essencial da experiência do público. Com dois álbuns premiados e uma carreira em franca ascensão, a artista baiana se posiciona como uma das grandes apostas para continuar abrindo portas — não apenas para si mesma, mas para uma nova geração de músicos que se recusam a ser enquadrados em uma única categoria. O futuro, como ela mesma disse, é brilhar.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Luedji Luna é formada em Direito pela Universidade Federal da Bahia antes de seguir carreira artística em tempo integral, e que seu nome artístico é uma homenagem à avó paterna, dona Luedji, que sempre a incentivou musicalmente?


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— Douglas W.