Quarta edição do festival carioca acontece em agosto no Jockey Club Brasileiro com curadoria de Nelson Motta e programação que atravessa gerações e gêneros musicais brasileiros.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Quarta edição do Doce Maravilha acontece nos dias 7, 8 e 9 de agosto no Jockey Club Brasileiro, na Gávea, com curadoria de Nelson Motta.
- Line-up reúne encontros históricos como Caetano Veloso com Emicida, Raimundos com Charlie Brown Jr., e Paulinho da Viola com Maria Bethânia.
- Programação se divide entre rock na sexta e atrações nos palcos Bradesco, Corona e Deezer nos dois dias seguintes, com portões a partir das 14h.
O Doce Maravilha está de volta e com a quarta edição promete ser a mais ambiciosa até aqui. Entre os dias 7 e 9 de agosto, o Jockey Club Brasileiro, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, recebe um festival que não se limita a um único gênero — é uma declaração de amor à diversidade sonora brasileira, curada por ninguém menos que Nelson Motta, figura central na história da música nacional desde os anos 1970.
A edição 2026 do Doce Maravilha vem em um momento curioso: enquanto festivais pelo país enfrentam crises de programação e cancelamentos, este evento aposta na força de uma curadoria que privilegia o encontro entre gerações. A ideia de Nelson Motta de criar “harmonia pelo contraste” — como ele mesmo definiu em entrevista exclusiva ao portal — se traduz em um line-up que coloca lado a lado nomes fundamentais da música popular com artistas que estão redefinindo o cenário atual. É uma aposta na continuidade, não na repetição.
A sexta-feira (7) já entra com o pé direito voltado para o rock nacional, com uma programação concentrada no Palco Bradesco que celebra dois marcos importantes: os 25 anos de carreira do Dibob e os dez anos do álbum “A Sinfonia de Tudo que Há” do Fresno, apresentado ao lado da Nova Orquestra. Mas o grande momento da noite fica por conta do encontro histórico entre Raimundos e membros do Charlie Brown Jr. — Thiago Castanho e Marcão Britto — uma reunião que fala diretamente ao coração dos fãs do rock brasileiro dos anos 1990 e 2000. A noite termina com o Melton Sello DJ Set e a abertura para o Fresno, que sobe às 21h.
No sábado (8), o festival se expande para três palcos — Corona, Bradesco e Deezer — revelando a vocação multicultural do evento. No palco Corona, o Cortejo Afro se une a Luedji Luna e Margareth Menezes em uma mistura de axé e MPB que promete ser um dos momentos mais potentes da programação. Já no Bradesco, Leci Brandão e Rappin’ Hood sobem juntos pela primeira vez, unindo samba e rap em uma parceria que diz muito sobre a cena carioca contemporânea. O Deezer, por sua vez, abre espaço para artistas emergentes como Yasmin Lisboa, Sô Lyma e Larinhx, mostrando que o festival também investe em revelar novos nomes.
O domingo (9) fecha com chave de ouro e um prato cheio para os fãs de Os Paralamas do Sucesso, que apresentam o álbum “Selvagem?” na íntegra para celebrar seus 40 anos — um tributo a uma das obras mais importantes do rock brasileiro. Mas o ponto alto do último dia é, sem dúvida, o encontro entre Caetano Veloso e Emicida, dois titãs de gerações completamente diferentes que nunca haviam dividido um palco. Completam o dia o Noites Tropicais DJ Set de Nelson Motta e Lou Cascudo, o Falamansa, e Sandra Sá comemorando os 40 anos de seu álbum de estreia. É uma programação que funciona como um mapa afetivo da música brasileira das últimas quatro décadas.
Do ponto de vista prático, o festival se posiciona como um dos mais acessíveis do calendário carioca. Com portões abrindo às 17h na sexta e às 14h no sábado e domingo, a organização reservou espaço para que o público tenha tempo de se situar antes dos shows. O acesso pela estação Antero de Quental, a cerca de 1,5 km de distância, é a opção mais viável para quem vem de metrô, embora a organização alerte para o trânsito intenso da região nos horários de pico. O espaço conta ainda com rampas, banheiros acessíveis, intérpretes de Libras e áreas reservadas para pessoas com deficiência — um compromisso com a inclusão que deveria ser referência para outros eventos do porte.
Classificado para maiores de 16 anos, o Doce Maravilha 2026 também abre espaço para um público mais jovem, permitindo a entrada de menores entre 5 e 15 anos acompanhados por responsáveis. Os ingressos seguem à venda pelo Ingresse, com preços variáveis conforme o dia e o lote, e a bilheteria física funcionará no próprio Jockey Club na véspera e durante os três dias do evento. Com uma proposta que equilibba nostalgia e novidade, esta quarta edição pode muito bem se consolidar como um dos festivais mais relevantes do segundo semestre no Brasil — não por seguir tendências, mas por ter a coragem de apostar na riqueza de um repertório que poucos outros eventos ousam reunir.
💡 Você sabia que o nome “Doce Maravilha” é uma referência direta à canção “Doce Maravilha” de Jorge Ben Jor, lançada em 1977 e imortalizada por Gilberto Gil — uma das obras-primas da música brasileira que celebra a alegria e a diversidade cultural do Brasil?
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— Douglas W.


