BUHR leva álbum ‘Feixe de Fogo’ ao Sesc 24 de Maio em dois shows imperdíveis

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Cantora cearense apresenta trabalho que mescla rock, reggae e eletrônica com participações de Scandurra, Catatau e Russo Passapusso em São Paulo.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • BUHR apresenta o álbum ‘Feixe de Fogo‘ no Sesc 24 de Maio nos dias 29 e 30 de agosto
  • O disco é o primeiro trabalho de estúdio da artista desde ‘Desmanche’, de 2019
  • Show tem 90 minutos de duração e reúne participações de nomes como Russo Passapusso, Josyara e Negadeza

Quando uma artista atravessa cinco cidades, quase dois anos de processo criativo e ainda consegue reunir nomes como Edgard Scandurra, Arto Lindsay, Fernando Catatau e Russo Passapusso em um único disco, o mínimo que se pode dizer é que o resultado não é trivial. É exatamente esse o cenário de “Feixe de Fogo”, o novo álbum de BUHR, que ganha seu primeiro ciclo de apresentações em São Paulo com dois shows no Sesc 24 de Maio, neste sábado (29) e domingo (30). A expectativa é de noites que fogem completamente da fórmula pasteurizada que domina a indústria — e isso, por si só, já é um evento.

BUHR não é uma novidade no cenário alternativo brasileiro, mas a chegada de “Feixe de Fogo” marca um reencontro importante. O álbum é o primeiro trabalho de estúdio desde “Desmanche”, de 2019, o que representa um hiato de seis anos — um período mais do que suficiente para que um artista acumule vivências, revisite referências e chegue ao estúdio com uma proposta madura. Com 11 faixas e pouco mais de 34 minutos de duração, o disco transita por rock, reggae, música eletrônica e experimentação, costurando gêneros como quem muda de roupa ao longo de uma viagem. O conceito de deslocamento entre cidades, tempos e relações não é apenas temático: ele molda a própria estrutura da obra, gravada em sessões que passaram por Fortaleza, Sobral, Salvador, São Paulo e Recife.

A produção, assinada por BUHR ao lado de Rami Freitas, evidencia uma visão artística clara. A escolha de parcerias não parece偶然 — Moon Kenzo em “70 Cigarros”, Josyara e Negadeza em “Oxê” e Russo Passapusso em “Desmotivacional” formam um time que dialoga com diferentes vértices da música brasileira contemporânea, da cena nordestina de afrofuturismo à experimentação paulistana. Quando a esses nomes se somam Arto Lindsay, Scandurra, Catatau e Dadi como músicos convidados, o álbum deixa claro que se posiciona como um ponto de convergência raro, onde diferentes gerações e linguagens se encontram sem disputar espaço.

Mais do que um show: um conceito encenado

O espetáculo que chega ao Sesc 24 de Maio não é uma simples tradução ao vivo do disco. BUHR leva ao palco uma banda enxuta e afiada — Rami Freitas na bateria e sintetizador, Susannah Quetzal nos sintetizadores e guitarra, e Izma Xavier no baixo —, enquanto a própria artista assume a percussão em parte do repertório. Com 90 minutos de duração, o show inclui as 11 faixas de “Feixe de Fogo” e ainda resgata canções de outros momentos da carreira, como “Selvática” e “Avião Aeroporto”, criando um arco que conecta passado e presente sem nostalgia preguiçosa.

Do ponto de vista estético, a proposta é ousada. Em um momento em que a música brasileira independente disputa atenção com a enxurrada diária de lançamentos algorítmicos, apostar em um disco que bebe de rock, reggae, eletrônica e experimentação é um ato quase político. Não se trata de um “feijão-letro” genérico nem de um produto calculado para playlists de chill. “Feixe de Fogo” soa como obra de alguém que se permitiu errar, revisar e reescrever ao longo do processo — e esse tipo de entrega rara é exatamente o que diferencia projetos memoráveis de meras passagens pelo mercado.

Serviço e contexto

Os shows acontecem no Sesc 24 de Maio, localizado na Rua 24 de Maio, 109, em São Paulo, às 20h no sábado e às 18h no domingo. Os ingressos custam R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia) e R$ 15 para portadores de Credencial Sesc, e podem ser adquiridos pelo site do Sesc São Paulo, pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou nas bilheterias das unidades. A classificação é 12 anos, o que torna a programação acessível para um público jovem em formação — algo nada desprezível em tempos de encarecimento generalizado da cultura.

Para quem acompanha a cena alternativa brasileira, a passagem de BUHR por São Paulo é daquelas oportunidades que merecem ser priorizadas. Em um cenário saturado de lançamentos descartáveis, presenciar ao vivo o resultado de um processo criativo de quase dois anos, conduzido por uma artista que claramente se recusa a repetir fórmulas, é um privilégio cada vez mais raro. Depois desses dois shows, a expectativa natural é que “Feixe de Fogo” ganhe novos ciclos de apresentação pelo país — e que continue provocando conversas sobre os rumos da música autoral brasileira.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que o álbum ‘Feixe de Fogo’ foi gravado ao longo de quase dois anos em cinco cidades diferentes — Fortaleza, Sobral, Salvador, São Paulo e Recife — refletindo o conceito de deslocamento geográfico e temporal que orienta tanto o disco quanto o espetáculo?


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— Douglas W.