Pioneiro da bossa nova se torna novamente o artista mais velho a pisar no Palco Mundo e celebra o revival do gênero com uma agenda intensa de apresentações pelo Brasil.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Roberto Menescal sobe ao Palco Mundo do Rock in Rio no dia 7 de setembro ao lado de Luísa Sonza
- Aos 88 anos, ele se torna novamente o artista mais velho a se apresentar no festival
- O encontro marca o lançamento de um álbum dedicado à bossa nova feito em parceria com a cantora pop
- Menescal tem agenda cheia até dezembro, com shows em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e interior fluminense
Tem coisa que só o tempo explica. Aos 88 anos, prestes a completar 89 em outubro, Roberto Menescal se prepara para um daqueles momentos que vão além do show em si — é quase um manifesto. No dia 7 de setembro, o mestre da bossa nova sobe ao Palco Mundo do Rock in Rio ao lado de Luísa Sonza, em um encontro que sintetiza sete décadas de história da música brasileira em uma única apresentação. Mais do que isso: ele volta a ser, como já aconteceu em edições anteriores, o artista mais velho a pisar naquele palco.
Não se trata de um convite casual. Menescal e Luísa Sonza lançaram recentemente um álbum dedicado à bossa nova, fruto de uma parceria que, à primeira vista, parece improvável, mas faz todo o sentido quando se percebe que a cantora-pop tem se aproximado cada vez mais de projetos com raiz na música brasileira. A apresentação no Rock in Rio funcionará como a coroação pública dessa troca, com a banda clássica de Menescal — Renato Massa na bateria, Adriano Giffoni no contrabaixo, Alexandre Caldi nos sopros e Marcos Nimeritcher no piano — dando a moldura ideal para o encontro.
O contexto ajuda a entender o peso do momento. Menescal não é um artista em modo de回顾; ele está em plena atividade. Em entrevista recente, ele mesmo celebrou o momento: “A Bossa está em alta e eu estou aqui para presenciar isto que está acontecendo no Brasil. Estou fazendo shows no meu país como nunca!”. Para quem acompanha a cena, a declaração soa como um diagnóstico certeiro. A bossa nova vive um ciclo de retomada que envolve novos públicos, novas leituras e, principalmente, o interesse de artistas de outras gerações — como Luísa Sonza — em revisitar o repertório sem medo de parecerem deslocados.
Há algo simbólico muito potente nessa escolha de programação do Rock in Rio. Em um festival historicamente dominado por pop, rock e, mais recentemente, pelo sertanejo e pelo funk, abrir espaço para um diálogo direto com a bossa nova é um posicionamento editorial relevante. O Palco Mundo costuma ser o espaço das grandes declarações pop, e levar Menescal para lá — e com uma artista do porte de Luísa Sonza — tira o gênero da condição de “patrimônio em vidro”. Ao contrário, o coloca como algo vivo, pulsante, capaz de dialogar com plateias de todas as idades.
A agenda de Menescal depois do Rock in Rio é a prova concreta de que o momento vai muito além do festival. Logo depois, no dia 11 de setembro, ele estreia uma série de quatro apresentações no interior do Rio de Janeiro com a cantora Cris Delanno e o percussionista Reginaldo Vargas, dentro do projeto Sesc Pulsar Rio. O formato intimista — voz, guitarra e percussão — mostra a versatilidade de um artista que se sente tão à vontade em arenas quanto em espaços menores. Em novembro, são mais três datas com o projeto “Bossa Sempre Nova”, ao lado de Patty Ascher e Danilo Caymmi, passando por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. No meio do caminho, ainda tem Blue Note São Paulo com o projeto “O Novo na Bossa”, em parceria com Calainho. É uma rotina que faria inveja a artistas com metade da idade.
Quem ouve Menescal falar sobre os próximos anos percebe que ele não tem a menor intenção de desacelerar. “Estou fazendo tudo e acho que ainda temos muitas coisas para fazermos. A Giselle me lembrou que ano que vem são meus 90! Aviso, irei aonde der…”, brincou, referindo-se à empresária Giselle Kfuri. A frase, dita com humor, esconde uma verdade: estamos diante de um dos capítulos mais produtivos da carreira de um músico que, no fundo, nunca parou. Se a bossa nova vive mesmo esse novo momento, como ele próprio afirma, Menescal não está só assistindo — está no centro, com a guitarra no ombro e a agenda lotada.
💡 Você sabia que Roberto Menescal é considerado um dos criadores da batida da bossa nova? Foi ele quem, ao lado de Carlos Lyra, Helouise Pereira e outros, participou das sessões no apartamento de Nara Leão em Copacabana que moldaram o som que conquistaria o mundo nos anos 1960.
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— Douglas W.


