Cantor vê o palco principal da Festa do Peão como a consagração do projeto que une pagode e sertanejo e adianta comemoração dos 25 anos de carreira solo em São Paulo.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Alexandre Pires considera o show em Barretos o ponto alto da turnê do projeto Pagonejo Bão.
- Cantor prepara um novo projeto em São Paulo, sem ligação com o Pagonejo, para celebrar 25 anos de carreira solo em novembro.
- Pires revelou o sonho antigo de gravar um disco de reggae em um futuro próximo.
A expectativa em torno da 71ª Festa do Peão de Barretos ganhou um tempero especial nas últimas horas. Alexandre Pires, um dos grandes nomes do pagode brasileiro, não escondeu a empolgação ao classificar sua apresentação no palco principal do Barretão como o momento mais relevante da turnê do Pagonejo Bão até agora. Em entrevista recente, o cantor foi taxativo: a consagração do projeto, que funde pagode e sertanejo em uma mesma pegada, passa necessariamente por um dos palcos mais tradicionais do interior do Brasil.
Para entender o peso dessa declaração, é preciso olhar o caminho que o Pagonejo Bão percorreu desde que foi lançado, em agosto de 2025. O disco nasceu de uma vontade antiga de Alexandre de revisitar as músicas sertanejas que embalaram sua infância em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e transportá-las para o universo do samba e do pagode. O próprio nome já entrega a proposta: a fusão do pagode com o sertanejo, costurada por uma pegada de baile que lembra as rodas de samba e os botecos de raiz. Canções clássicas do cancioneiro sertanejo ganharam arranjos com cavaquinho, pandeiro e violão, além de participações especiais de nomes como Lauana Prado e Ana Castela, que representaram a nova geração do gênero no projeto.
Não é por acaso que Barretos virou o termômetro para medir o sucesso do Pagonejo Bão. A Festa do Peão investiu pesado no pagode em 2026, trazendo para a grade nomes como Turma do Pagode, Belo e Pixote, antes da chegada de Alexandre Pires. Trata-se de um circuito cobiçado, como bem definiu o próprio cantor, capaz de validar qualquer projeto musical diante de um público que vai muito além do pagode tradicional. O reconhecimento veio de uma das plateias mais ecléticas e exigentes do país, frequentada por fãs de sertanejo, rap, rock e, claro, pagode. Em outras palavras, é o teste de fogo para qualquer artista que queira provar que sua música atravessa fronteiras de gosto.
A estratégia por trás do projeto
O que o Pagonejo Bão representa dentro da carreira de Alexandre Pires vai além de um simples experimento sonoro. Depois de consolidar sua trajetória solo e o legado do Só Pra Contrariar, o cantor encontrou no projeto uma maneira de dialogar com públicos diferentes sem abrir mão da própria identidade. A escolha de regravar clássicos sertanejos, em vez de apostar em composições inéditas, funcionou como uma porta de entrada inteligente: em vez de competir com o repertório atual do sertanejo, ele propõe uma releitura afetiva, que conecta gerações. Ao unir o repertório de raiz com a linguagem do pagode moderno, Alexandre cria um produto que funciona tanto nas plataformas de streaming quanto nos palcos ao vivo.
Para o show em Barretos, o cantor prometeu uma mistura entre os clássicos regravados no DVD do Pagonejo Bão e os sucessos próprios da carreira, aquela parte do repertório que o público já sabe cantar de cor. É uma estratégia certeira: ao mesclar o novo com o familiar, ele garante que a festa agrade tanto quem foi ao Barretão especificamente por ele quanto quem está lá pela atmosfera da Festa do Peão. Em tempos de fragmentação de público e disputa por atenção, a capacidade de entregar um show que sirva como ponto de convergência virou diferencial.
O que vem pela frente
Apesar de tratar Barretos como ponto alto, Alexandre Pires já tem os olhos voltados para os próximos passos. Em novembro, o cantor leva a São Paulo um projeto sem ligação com o Pagonejo Bão, dedicado a celebrar os 25 anos de carreira solo — uma marca que reforça sua longevidade em um mercado que costuma descartar artistas com velocidade impressionante. A ideia de não descartar uma sequência do Pagonejo, mas esperar o momento certo, também mostra maturidade: em vez de saturar a marca, ele deixa o projeto respirar e ganhar musculatura antes de uma eventual continuação.
Mas a revelação mais curiosa da entrevista veio quando Alexandre falou sobre outros gêneros que gostaria de explorar. O cantor admitiu o sonho antigo de gravar um disco inteiro de reggae, gênero que, segundo ele, mexe com as raízes e carrega uma força que sempre o atraiu. Para um artista que já transitou pelo pagode, pelo sertanejo e pelo samba, o reggae aparece como o próximo território a ser desbravado, mais um capítulo de uma carreira que se recusa a se acomodar. Se depender da consistência demonstrada nos últimos anos, é melhor o público ficar atento: Alexandre Pires tem mostrado que, quando anuncia um sonho, costuma transformá-lo em projeto.
💡 Você sabia que Alexandre Pires nasceu em Uberlândia, no interior de Minas Gerais, e cresceu ouvindo sertanejo nos anos 1980? Essa influência foi a semente do projeto Pagonejo Bão, lançado em agosto de 2025, que mistura o pagode do grupo Só Pra Contrariar com clássicos da música sertaneja raiz.
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— Douglas W.


