Festival Perifericu confirma segunda edição com cinema, música e cultura de quebrada em São Paulo

0
35

Evento gratuito reúne Linn da Quebrada, Vita Pereira, sAGITO e House Of Dengo no Jardim Ibirapuera de 1º a 6 de setembro.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

⏱️ Em 5 segundos:

  • festival perifericu realiza sua segunda edição de 1º a 6 de setembro no Jardim Ibirapuera, em São Paulo, com entrada gratuita.
  • Programação reúne mais de 34 filmes, shows, oficinas e rodas de conversa focadas em produções negras, indígenas e LGBT+.
  • Encerramento fica por conta de sAGITO e House Of Dengo, com competição de ballroom e DJs no Aftermatch Furry Ball.

Quando o assunto é democratizar o acesso à cultura nas periferias brasileiras, poucos eventos conseguem articular com tanta coerência cinema, música e debate político como o Festival Perifericu. Em sua segunda edição, confirmada para acontecer de 1º a 6 de setembro no Jardim Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, o festival gratuito se consolida como um dos encontros mais urgentes do calendário cultural paulistano — e, por que não dizer, brasileiro.

A programação reúne mais de 34 filmes, shows, oficinas, rodas de conversa e atividades voltadas a productions negras, indígenas e LGBT+. Entre os homenageados estão nomes como Linn da Quebrada, Neon Cunha, Dona Madalena, Seu Escurinho do Acordeon e Leo Moreira Sá — figuras centrais de uma cena que resiste e reinventa a estética periférica a cada geração. Parte dos filmes poderá ser assistida online pela plataforma Todes Play, ampliando o alcance para além do território físico do evento.

Um dos pontos altos fica por conta da presença de Vita Pereira, cantora que integrou a dupla Irmãs de Pau e que participa da roda de conversa “funk é Cultura: Criminalização da Arte Periférica”, no dia 5 de setembro. A mesa, mediada por Aline Anaya, também conta com a pedagoga Renata Prado e Cristina Quirino. Vita ainda terá o filme “Quando abandonamos a humanidade, o que resta de nós?” exibido durante a mostra — uma espécie de diálogo entre música e cinema que simboliza bem o espírito do festival.

Mais que cinema: uma programação musical plural

O que chama a atenção — e merece destaque — é a curadoria musical do Perifericu, que vai muito além do óbvio. O evento abre espaço para DJ Sthe, DJ NZão, Laylah Arruda e o grupo Maracatu Baque Atitude, além de uma roda de samba com a Velha Guarda do Bloco do Beco, uma noite dedicada ao reggae e outra ao funk e baile black. A decisão de abraçar múltiplos gêneros em um mesmo território não é acidental: é um gesto político que reconhece a complexidade sonora das periferias, recusando o reducionismo de tratar a “música de quebrada” como sinônimo de um único ritmo.

Mas é no encerramento, em 6 de setembro, que o festival entrega seu momento mais visceralmenteclub: a sAGITO convida a House Of Dengo para o Aftermatch Furry Ball, uma noite que une competição de ballroom e DJs. A escolha é emblemática. O ballroom, nascido nas casas noturnas queer de Nova York nos anos 80 e fincado no imaginário pop pelo reality “Legendary”, encontrou nas periferias brasileiras um terreno fértil de reinvenção — e a House Of Dengo é uma das coletivas que mais tem empurrado essa cena para frente no Brasil.

O impacto de um festival que pensa a quebrada como potência

O Perifericu não é apenas um festival de cinema com pitadas musicais. É uma declaração de princípios. Em tempos de avanço da criminalização de artistas periféricos — tema central da mesa com Vita Pereira —, oferecer um espaço gratuito, curado por e para pessoas da quebrada, com premiações e oficinas, é um ato de resistência cultural. A Mostra Escolar, que levará sessões e debates para mais de 800 estudantes de escolas públicas da região, e o Desafio Cine-Corre, que propõe a produção de um curta em três dias, são iniciativas que transformam o festival em uma plataforma de formação de novos realizadores.

Para quem acompanha a cena, o Perifericu representa o tipo de iniciativa que precisa ser não apenas prestigiada, mas replicada. Em um país onde a produção audiovisual e musical periférica historicamente luta por espaço em editais, grifos editoriais e palcos, ver um evento gratuito desse porte ocupar as ruas do Jardim Ibirapuera com mais de 34 filmes, DJs, mesas de debate e ballroom é a prova de que a cultura brasileira mais vibrante está — como sempre esteve — nas bordas. A expectativa agora é que a segunda edição consolide o festival como referência nacional e inspire iniciativas semelhantes em outras capitais.

Serviço: Festival Perifericu — de 1º a 6 de setembro, entrada gratuita. Associação Bloco do Beco: Rua Bento Barroso Pereira, 288, Jardim Ibirapuera, Zona Sul de São Paulo. Outras atividades: Rua Salgueiro do Campo, na altura do número 500, próximo ao ponto final do Jardim Ibirapuera.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que o termo “quebrada” foi ressignificado pela cultura urbana brasileira nas últimas décadas? Originalmente usado de forma pejorativa para designar regiões periféricas e violentas, o termo foi apropriado por artistas, rappers e coletivos para transformar as periferias em símbolos de potência criativa, identidade e resistência — exatamente o espírito que move o Festival Perifericu.


Mídia / Redes Sociais:



— Douglas W.