A engrenagem invisível que faz o Rock in Rio acontecer

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Enquanto o público curte os shows, centenas de profissionais trabalham nos Bastidores para que cada detail técnico e humano esteja perfeito — e é isso que ninguém vê.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • A operação do Rock in Rio funciona 24 horas por dia, dividida em três turnos, com load-in e load-out simultâneos entre shows.
  • A diretora de produção artística Anna Clara Chermont revela como cada show exige adaptações únicas de iluminação, LED e som dentro de uma estrutura-base fixa.
  • Os bastidores também envolvem cuidados humanos — desde catering coreano para artistas de K-pop até um vinho caro guardado no cofre do CFO.

A operação secreta por trás do maior festival da América Latina

Quando os Foo Fighters encerram sua apresentação com “Everlong”, na madrugada que separa o dia 4 do dia 5 de setembro, o público do Rock in Rio provavelmente já está pensando na próxima festa ou no hotel. Mas, para quem trabalha ali, a verdadeira maratona está apenas começando. O camarim se transforma em canteiro de obras: equipes de cenografia invadem o palco, equipamentos são desmontados em tempo recorde e, em poucas horas, a estrutura precisa estar pronta para receber o Avenged Sevenfold, que inicia seu próprio processo de montagem. É um ballet logístico que o público jamais presencia — e que, sem dúvida, é tão impressionante quanto qualquer show no palco principal.

O segredo dessa operação monumental está na divisão em turnos contínuos de 24 horas. Segundo Anna Clara Chermont, diretora de produção artística da Rock World, o festival funciona como uma máquina que nunca dorme. O processo começa muito antes mesmo do primeiro acorde sobrar: assim que um artista é confirmado no line-up, a equipe de Artist Relations assume a frente, mapeando cada necessidade — do transporte internacional aos vistos, passando por hospedagem, estrutura de backstage e direção técnica. É uma investigação minuciosa para entender como aquele artista trabalha, o que carrega na estrada e quais adaptações serão necessárias para que o show se encaixe na Cidade do Rock.

Apesar da escala gigantesca do festival, a estrutura-base do palco permanece inalterada entre as noites: teto, boca de cena, painéis de LED e sistema de som já definidos. O que muda é o que é acrescentado ou adaptado. Um artista pode exigir um LED central maior; outro, uma mesa de luz específica; há bandas que viajam com instrumentos próprios e preferem alugar tudo localmente. A iluminação, em particular, é ponto de tensão constante. “Existe um limite estrutural do que o teto é capaz de suportar, e trabalhamos a partir dele”, explica Anna Clara. Em 2024, um headliner pediu que o LED traseiro fosse ampliado — e a produção teve apenas uma hora para montar, processar e testar tudo. Não havia espaço para erro.

Mas a engrenagem vai muito além da técnica. A produção artística começa com apenas nove pessoas na estrutura-base e pode chegar a 300 profissionais durante a operação completa. Cada detalhe exige atenção: um microfone na cor errada, um pedido que não constava no rider, exigiu que um fornecedor local pintasse o equipamento em tempo recorde. Nos bastidores, o improviso é regra — mas o objetivo é que ele nunca chegue ao público. E é aí que entra o lado humano da produção, que Anna Clara considera o mais desafiador. “Às vezes, a gente perde a perspectiva de que o artista é um ser humano”, afirma. Equipes diferentes, expectativas conflitantes, cansaço acumulado — tudo isso exige não apenas competência técnica, mas habilidade de comunicação e empatia.

Nos últimos anos, os bastidores do Rock in Rio também refletem as mudanças culturais que atravessam a indústria da música. A cultura do bem-estar invadiu os camarins: incensos, velas e óleos essenciais são pedidos com frequência. No dia dedicado ao K-pop, o festival preparou um catering com pratos coreanos — não apenas por conveniência, mas como forma de respeitar e acolher a cultura dos artistas. “É uma forma de fazer com que se sintam em casa e percebam que sua cultura e sua arte são respeitadas”, diz Anna Clara. Pedidos que parecem extravagantes, como uma garrafa de vinho de valor proibitivo guardada no cofre do CFO por cinco dias, revelam o nível de confiança e exclusividade que o festival exige de sua equipe.

O que o público vê — luzes, som, emoção, energia — é apenas a ponta de um iceberg que envolve centenas de pessoas trabalhando nos bastidores para que nada falhe. Cada show é o resultado de uma operação que começa semanas antes, se intensifica nas horas que antecedem a apresentação e só se encerra quando o próximo artista já está em posição de entrar. E talvez esse seja o verdadeiro measure de sucesso do Rock in Rio: quando as luzes acendem e a música começa, ninguém no público dá a mínima para o que acontece nos bastidores. E é exatamente esse o sinal de que tudo funcionou como deveria — silenciosamente, profissionalmente, e com a precisão de um relógio suíço.

James Hetfield, do Metallica, no Rock in Rio (Raul Aragão/Grudaemmim)

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que um artista pediu uma garrafa de vinho extremamente cara que chegou cinco dias antes do festival e precisou ser guardada no cofre do CFO da Rock World até o dia do show? O nível de exigência e confiança nos bastidores do maior festival da América Latina é impressionante.


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— Douglas W.