Stray Kids, HWASA e NEXZ lideraram o dia que redefiniu a identidade do Festival e abriu as portas para a cena coreana no Brasil.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Rock in Rio 2026 realizou seu primeiro dia dedicado ao K-pop no Palco Mundo, com Stray Kids como headliner histórico.
- HWASA e NEXZ completaram a programação, trazendo representatividade para diferentes gerações do público coreano.
- No Palco Sunset, a música brasileira ganhou destaque com Os Garotin, Duquesa, Jota.pê, Luedji Luna e Zaynara, além de PJ Morton e Jamiroquai no encerramento.
- A estreia do K-pop no festival sinaliza uma expansão da curadoria do Rock in Rio rumo a mercados asiáticos.
O Rock in Rio 2026 acabou de escrever uma das páginas mais significativas de sua história recente. Pela primeira vez em mais de quatro décadas de existência, o festival dedicou um dia inteiro ao K-pop no Palco Mundo, e não fez isso de qualquer forma: Stray Kids como headliner absoluto, HWASA trazendo a energia visceral do girl group, e NEXZ representando a nova geração do ídolo coreano. Não se trata de uma simples inclusão de mais um gênero na programação — é uma declaração de intenções do festival sobre para onde o mercado musical global está caminhando.
O Rock in Rio sempre foi um evento que acompanhou as transformações da música popular mundial. Desde o rock clássico dos anos 1980 até a hegemonia do pop e do hip-hop nas últimas edições, o festival nunca teve medo de se reinventar. No entanto, a entrada do K-pop como atração principal no Palco Mundo representa um salto qualitativo diferente de tudo que já vimos antes. Stray Kids, que já esgotou estádios pela Europa, América do Norte e Ásia, não é apenas um grupo de K-pop — é um fenômeno de escala global que rivaliza com os maiores nomes do pop internacional em termos de vendas, streaming e impacto cultural.
A escolha de HWASA e NEXZ como complementos da programação revela uma estratégia calculada. HWASA, ex-integrante do MAMAMOO, carrega consigo uma base de fãs fiel e madura, enquanto NEXZ, grupo rookie da JYP Entertainment, traz o frescor e a energia da nova geração de ídolos. Essa tríade cria um arco narrativo dentro de um único dia: a veterana que abriu caminho, o fenômeno consolidado que domina o mainstage e a promessa que herdará o legado. É uma curadoria que reconhece que o K-pop não é monolítico — é um ecossistema inteiro.
Do ponto de vista analítico, essa decisão do Rock in Rio precisa ser lida em contexto. O Brasil possui uma das maiores comunidades de fãs de K-pop do mundo. Plataformas como Weverse e Genie Music registram milhões de interações vindas de território brasileiro. Grupos como BTS, BLACKPINK e agora Stray Kids já enfrentaram demandas absurdas por shows no país, com ingressos esgotados em minutos. Ao trazer o K-pop para o maior festival de música ao vivo da América Latina, o Rock in Rio não apenas atende a uma demanda reprimida — posiciona a Cidade do Rock como um destino legítimo para a indústria coreana planejar suas estratégias de tour para o continente sul-americano.
E não se pode ignorar o Palco Sunset, que neste dia entregou uma programação que poderia ter saído de um festival independente de vanguarda. Os Garotin dividindo espaço com Duquesa é o tipo de cruzamento que faz a cena brasileira respirar — ritmos regionais encontrando produções contemporâneas. Jota.pê ao lado de Luedji Luna e Zaynara é a prova de que a música brasileira de qualidade não precisa de holofotes internacionais para existir, mas merece cada vez mais deles. PJ Morton trazendo sua alma ao vivo e Jamiroquai fechando a noite com sua discografia atemporal garantiram que o dia não fosse exclusivamente sobre K-pop, mas sobre uma celebração ampla da diversidade sonora.
O que vem depois disso é previsível, mas não por isso menos empolgante. Se o Rock in Rio demonstrou que o K-pop pode sustentar um dia inteiro de programação no Palco Mundo com público satisfeito, é apenas questão de tempo até que outros festivais brasileiros sigam o mesmo caminho. Além disso, a porta está aberta para que atrações como NewJeans, SEVENTEEN, ATEEZ ou até mesmo nomes solo como IU e Taeyeon considerem o Brasil não apenas como uma parada em tours mundiais, mas como um mercado principal. A estreia do K-pop no Rock in Rio 2026 não foi apenas um dia de programação — foi uma inflexão na relação entre a indústria musical coreana e o público brasileiro, e o reverberar disso vai se sentir por muitos anos.
💡 Você sabia que o Rock in Rio, desde sua primeira edição em 1985, nunca havia dedicado um dia inteiro ao K-pop — gênero que lidera as paradas globais de streaming e conta com mais de 10 milhões de fãs no Brasil segundo dados da IFPI.
— Douglas W.


