Jamiroquai revela força de uma superbanda em show histórico e impecável em São Paulo

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Após oito anos longe do Brasil, Jay Kay e sua banda transformiram o Nubank Parque em uma aula de groove, entrosamento e fidelidade ao público, mesmo sob chuva.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Jamiroquai voltou ao Brasil após oito anos e lotou o Nubank Parque em São Paulo com um show de quase duas horas.
  • A banda contou com músicos de altíssimo nível, incluindo o brasileiro Fabio de Oliveira na percussão, e fez imersões pela cidade antes da apresentação.
  • Jay Kay declarou que ‘Virtual Insanity’ nunca esteve tão atual, em meio a guerras e violência, e entregou um set repleto de hits.

Há gestos que transcendem o palco — e a apresentação do Jamiroquai no Nubank Parque, em São Paulo, neste domingo 13, foi um deles. Depois de oito anos sem pisar no Brasil e de uma estreia explosiva no Rock in Rio 2026, Jay Kay não veio apenas relembrar hits. Veio provar que, numa era em que shows se tornaram espetáculos vazios de playback e pista de dança, uma banda de verdade ainda comove, entrega e transforma música em obra de arte. E o fez sob chuva, com milhares de fãs de capas amarradas e pés no chão, sem arredar um centímetro.

O contexto desta visita é tão raro quanto significativo. Jamiroquai não tocava no Brasil desde 2017, e a última vez que enfrentou um toró histórico foi em 2010, no festival Natura Nós, quando a Chácara do Jóckey virou lama e mito. Desta vez, a chuva de setembro não foi inimiga — virou testemunha. Mais do que isso: a banda usou os dias entre os dois shows para mergulhar na cultura local. Paul Turner, o baixista, deu workshop numa loja renomada; Derrick McKenzie tocou soulful house e disco no Soho House; e o percussionista brasileiro Fabio de Oliveira levou colegas a uma roda de samba de raiz no Tatuapé. Não é turismo — é reverência.

No palco, a engrenagem sonora do Jamiroquai funcionou com precisão cirúrgica. McKenzie, na bateria desde 1994, segurou a base com autoridade; o conjunto de sopro — Malcolm Strachan, James Russell e Jim Corcy — pintou o groove com cores de jazz; Rob Harris e Matt Johnson costuraram texturas de guitarra e teclado; e o trio de backing vocals — Valerie Etienne, Hazel Fernandez e Romina Johnson — elevou cada refrão a outro patamar. E o que dizer de Rick Pope, engenheiro de som há mais de três décadas com a banda? O groove que saiu das caixas não era efeito — era intenção.

O que este show revela é algo raro na cena atual: a coerência de uma banda que não precisa provar nada, mas prova todo vez. Jay Kay, visivelmente mais ágil e com a voz cristalina, estava livre para fazer o que melhor sabe — cantar, dançar e conectar. E a banda respondia com a mesma energia. Havia momentos intimistas, mergulhos longos onde o vocalista participava dançando entre os músicos, e momentos explosivos, com o público cantando junto “Virtual Insanity” como se os 30 anos da faixa fossem irrelevantes — porque, na letra, a distopia nunca esteve tão perto.

O discurso de Jay Kay antes da faixa-title foi o momento mais forte da noite. “Infelizmente essa letra está mais atual do que nunca”, disse, referindo-se aos crimes de guerra e à violência contra mulheres e crianças. Num palco que poderia ser só celebração, ele escolheu confronto. E o público respondeu. Isso diz muito sobre o Jamiroquai: não é só nostalgia, não é só “Virtual Insanity” e “Cosmic Girl”. É uma banda que entende o papel da música num mundo em crise — e usa o groove como arma de resistência.

Olhando para frente, o que fica é a pergunta: por que bandas assim são exceção e não regra? O Jamiroquai provou que, quando você tem músicos de gabarito, um líder que sabe o que quer e um público que corresponde, o resultado é irresistível. Os fãs paulistanos que lotaram o Nubank Parque sob chuva não foram apenas consumidores — foram parceiros dessa obra. E Jay Kay, com seu cocar de LED e suas Adidas coordenadas, fez questão de deixar claro: o rei do groove ainda reign — e reina porque sabe se cercar dos melhores. O Brasil pediu bis. A banda, como sempre, sabe quando ficar.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Jamiroquai foi, na virada do milênio, a terceira maior exportação musical do Reino Unido, ficando atrás apenas de Oasis e Spice Girls — e sobreviveu artisticamente a ambos?

— Douglas W.