Dennis DJ revela os bastidores da carreira: ‘A gente vai negociando’ entre shows e filho

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Em entrevista exclusiva no Rock in Rio 2026, o veterano do funk carioca fala sobre pausas na agenda, resiliência de três décadas e a homenagem a Mr. Catra no Palco Favela.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Dennis DJ, veterano de 30 anos do funk carioca, revela que passou a impor limites na agenda há dois anos para estar presente na vida do filho caçula, Zinho.
  • No Rock in Rio 2026, Dennis abriu o show com MOTINHA 2.0 e Tá OK — faixa que conquistou o prêmio Lo Nuestro na categoria Pop Urbano/Dance com remix de Maluma e Karol G.
  • O artista fez homenagem a Mr. Catra no Palco Favela, com o Coral das Quebradas interpretando Ô Simpático, reafirmando a reverência às raízes do gênero.

Entre o palco e a paternidade: Dennis DJ revela como reinventou o próprio ritmo depois de 30 anos

Há quem passe a vida inteira buscando o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Dennis DJ, aos 50 anos e mais de três décadas de estrada, parece ter finalmente encontrado a fórmula — e ela não vem com discurso motivacional, vem com negociação real. Em conversa com a Billboard Brasil no estande de KitKat no Rock in Rio 2026, o veterano do funk carioca soltou uma frase que resume tudo: “A gente vai negociando”. Simples, direta e carregada de anos de estrada.

Para entender o peso dessa conversa, é preciso voltar ao ponto de partida. Dennis não chegou ao topo por acaso. Começou aos 13 anos em uma rádio comunitária, produziu clássicos absolutos como “Cerol na Mão”, “Eguinha Pocotó” e “Jonathan da Nova Geração” — faixas que definiram a sonoridade do baile funk carioca em sua fase de consolidação — e enfrentou de frente o preconceito que tentava sufocar o gênero durante anos. De lá para cá, foram parcerias com Kelly Key, Luan Santana, Ronaldinho Gaúcho e uma presença constante nas picapes que transformaram o funk de marginalizado em fenômeno cultural global.

A grande virada, porém, veio recentemente. Há dois anos, Dennis decidiu mudar o próprio modo de operar. “Comecei a dar um break. Passei a pedir pro meu empresário: ‘ó, tal final de semana não quero fazer show'”, revelou. O motivo? Zinho, apelido carinhoso do filho caçula, que agora ocupa uma parte significativa da rotina: “Durante a semana eu tenho uma vida bem diferente! Levo ele para a escola, para a natação, para o jiu-jitsu. Isso te leva pra outro lugar.” A confissão de um homem que, durante décadas, colocou o trabalho acima de tudo — e que agora escolheu conscientemente desacelerar.

E quando Dennis sobe ao palco, fica claro que esses momentos de pausa não enfraquecem a performance — eles a alimentam. No Rock in Rio 2026, a abertura foi elétrica: “Vai começar! E vai ser na chuva!”, provocou à plateia, que respondeu com pulos e gritos nos hits “MOTINHA 2.0” e “Tá OK”. Esta última, parceria com Kevin O Chris, rendeu o prêmio Lo Nuestro na categoria Pop Urbano/Dance na versão remixada com Maluma e Karol G — uma prova de que o funk carioca não apenas atravessou fronteiras, como se reinventou no mercado internacional sem perder a essência.

Mas nenhum show de Dennis está completo sem uma conexão com as raízes. No encerramento do Palco Favela, o artista fez uma homenagem emocionante a Mr. Catra, falecido em 2018. “Eu tenho máximo respeito por quem veio antes de mim. Quem pavimentou tudo isso aqui”, declarou, enquanto o Coral das Quebradas se preparava para executar “Ô Simpático”. O gesto vai além da deferência: é um reconhecimento de que toda a evolução do funk carioca se sustenta sobre alicerces construídos por gênios como Wagner Costa. Dennis sabe disso — e faz questão que o público também saiba.

Antes de cada apresentação, um ritual que poucos conhecem: agradecimento e pedido de proteção divina para si e para os fãs. É nesse contraste — entre a energia avassaladora dos shows e a introspecção dos bastidores — que Dennis revela a maturidade de quem enxergou o funk crescer, sobreviveu às crises do gênero e continua em pé. “Graças a Deus, tá dando certo”, disse com um sorriso que carrega a tranquilidade de quem aprendeu que nem todo domingo precisa ser de estrada. A resiliência, afinal, também tem nome: Zinho, a família, e a sabedoria de saber quando dizer “não”.

— Douglas W.