Cantor carioca volta ao festival em palco maior, com show enxuto de ‘Vinho‘ e uma carreira que já não cabe em rótulos — ele mesmo diz: ‘sou música urbana‘.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Delacruz encerrou o palco Supernova no Rock in Rio 2026, sete anos após estrear no Espaço Favela.
- O show de 50 minutos trouxe um corte da turnê de ‘Vinho’ (2024), privilegiando os maiores hits.
- Em entrevista, o carioca de 28 anos diz que a pandemia foi seu momento de reelaboração pessoal e artística.
Sete anos são quase vinte. A frase não é metáfora poética — é a constatação direta de quem olha para trás e vê o quanto a estrada mudou. Delacruz voltou ao Rock in Rio no sábado (12) não como novato dividindo palco pequeno, mas como atração de encerramento do Supernova, ao lado de Celo Dut, Yago Oproprio e Milo J. A trajetória entre uma noite e outra atravessou pandemia, lançamentos e uma redefinição sonora que o próprio artista ainda tenta traduzir em palavras.
De Espaço Favela ao Supernova: a evolução em números reais
Em 2019, Delacruz subiu ao palco ao lado de MARIA, numa noite em que o Espaço Favela era o grande termômetro da nova geração do rap carioca. Sete anos depois, o cenário é outro: o cantor, agora pai de dois filhos e com 28 anos, encerra a programação de um palco que concentrou nomes de peso da cena urbana nacional. Não é apenas mudança de tamanho — é mudança de postura. O próprio artista admite, em entrevista à Billboard Brasil, que hoje encara seu trabalho com uma segurança que não existia na estreia.
A pandemia como pausa forçada — e produtiva
Entre 2019 e 2026, o calendário de qualquer artista foi interrompido pela covid-19. Para Delacruz, o período serviu como uma espécie de retiro criativo. “A gente passou por uma pandemia, uma coisa bem diferente, onde eu pude parar para pensar bastante sobre a minha vida, sobre o que eu fazia, sobre o que estava certo e o que estava errado. O ritmo desacelerou”, contou. A frase carrega um peso que vai além da carreira: revela um jovem que usou a crise para reorganizar prioridades — algo raro na indústria que empurra lançamento atrás de lançamento.
‘Vinho’ em versão compacta, mas sem perder a essência
O show no Supernova trouxe ao festival uma versão enxuta da turnê de “Vinho”, álbum de 2024 que representou uma das fases de maior alcance da carreira. O formato habitual do projeto dura cerca de uma hora e meia; no Rock in Rio, Delacruz reduziu para 50 minutos. A solução? Priorizar os hits — as músicas que a galera conhece “a fundo”. Curiosamente, ele não vê redução como perda: “É um show um pouco mais curto, mas com a mesma pegada, com a mesma dinâmica”. A adaptação ao formato festival sem sacrificar a identidade do espetáculo é prova de amadurecimento técnico.
O problema de enquadrar Delacruz em um gênero
Se em 2019 ele chegava ao Rock in Rio classificado como “artista de rap”, hoje essa definição soa limitada até para ele mesmo. O repertório mistura samba, rap, R&B, soul, pagode e funk — referências que convivem sem conflito. “Hoje meu som é uma mistura mesmo. Tem um pouco das minhas referências de samba, mas samba não é meu gênero. Eu surgi no rap, me considero também do rap, apesar da capacidade de cantar melodias”, explicou. A conclusão do cantor é direta: “Delacruz é música urbana. É neo soul, é R&B brasileiro, é rap brasileiro, pagode, funk. A música urbana é isso.”
O que fica dessa volta
A apresentação de Delacruz no Rock in Rio 2026 funciona como marco de transição: não é mais o rappeiro promessa do Espaço Favela, mas um artista urbano com voz definida e público consolidado. A capacidade de condensar um show longo em meia hora eficaz, sem perder a narrativa, sugere que ele está pronto para palcos maiores — e talvez para um headliner em edições futuras. Se “Vinho” abriu portas, a maturidade demonstrada neste sábado pode empurrá-las de vez.
— Douglas W.


