O segundo álbum de estúdio do quarteto sul-coreano consolida a identidade sonora única do grupo e redefine sua narrativa com 10 faixas que transitam entre hip-hop industrial, hyperpop, R&B e rock.
⏱️ Em 5 segundos:
- Segundo álbum de estúdio do aespa consolida a identidade sonora única do grupo, conhecida como ‘soe-mat’ (gosto metálico).
- Álbum traz 10 faixas que transitam entre hip-hop industrial, hyperpop, R&B, rock e hardstyle.
- Participações especiais de G-DRAGON, Ty Dolla $ign e Becky G.
- Faixa-título ‘LEMONADE‘ combina riffs de sintetizador ácidos com drops de hardstyle.
- ‘WDA (Whole Different Animal)’ com G-DRAGON é o canto mais sombrio do álbum.
- ‘Switchblade’ com Ty Dolla $ign é considerada a peça mais sofisticada do disco.
No universo do K-pop, grupos com conceitos elaborados e mitologias complexas já se tornaram quase uma regra. Mas o aespa sempre se destacou por algo além das narrativas visuais: o quarteto construiu uma identidade sonora tão peculiar que os fãs cunharam um termo exclusivo para descrevê-la. Chamada de soe-mat (쇠맛), a expressão significa literalmente “gosto de metal” e captura aquele timbre metálico, afiado e inconfundível que permeia as produções do grupo desde sua estreia.
Sete anos depois de chegar ao cenário musical, o aespa lançou seu segundo álbum de estúdio, “LEMONADE”, e transformou essa metáfora em realidade. As dez faixas do disco representam um novo capítulo na história do grupo, indo muito além de KWANGYA e dos avatares digitais conhecidos como ae. Agora, KARINA, GISELLE, WINTER e NINGNING não parecem mais humanas navegando por um universo virtual — elas soam como artistas que absorveram essa mitologia por completo, carregando cada conflito e cada versão de si mesmas dentro de suas próprias vozes.
Na coletiva de imprensa realizada em 28 de maio, WINTER foi questionada sobre o que a autodeterminação significa para o aespa neste momento. Sua resposta foi direta e poderosa: amar o que se ama sem se importar com a opinião alheia é “a razão e a definição de existir como eu mesma”. Essa filosofia transpira por cada segundo do álbum.

A paleta sonora de “LEMONADE”: dispersão como estratégia
Musicalmente, o álbum funciona como uma fusão dos momentos mais marcantes da carreira do aespa. A autoconfiança inabalável de “Girls”, a energia kitsch de “Spicy” e “Supernova”, e a tensão contida de “Whiplash” — que se tornou a primeira entrada do grupo no Top 10 da Billboard Global 200, alcançando o 8º lugar em 2024 — se liquefazem em algo completamente novo.
A paleta sonora é deliberadamente dispersa porque a dispersão é justamente o objetivo. O álbum transita do hip-hop industrial da faixa de pré-lançamento “WDA (Whole Different Animal)”, com participação de G-DRAGON, passando pela atmosfera hyperpop de “Camouflage” e o R&B suave de “My Plan”, até o pop-rock vibrante de “‘Til We Die”. Há ainda colaborações com Ty Dolla $ign em “Switchblade” e Becky G em uma versão da faixa-título. Construído sobre uma das mitologias mais bem estruturadas do K-pop, “LEMONADE” se consolida como o álbum mais coeso do aespa justamente por se recusar a permanecer em um único formato.
Análise faixa a faixa
10. “Roll”
A faixa mais leve do álbum, e propositalmente. “Roll” desliza sobre uma batida minimalista e vibrante, arranjada por Cook Classics, lançando indiretas adocicadas a um ex com mais diversão do que veneno. Exige pouco do ouvinte e o recompensa mesmo assim — o tipo de encanto descomplicado que todo álbum maximalista precisa para respirar.

9. “‘Til We Die”
O aespa encerra o álbum voltando-se para as pessoas que os trouxeram até aqui. Construída sobre uma guitarra precisa e uma ascensão vocal grandiosa, é um hino de lealdade direcionado aos fãs. O arranjo de SACCO mantém a essência do rock limpa, em vez de pesada, dando à música leveza sem arrastá-la para o melodrama.
8. “Bite”
Uma dose pura de adrenalina. “Bite” avança com uma base instrumental forte e percussiva e um refrão feito para ser cantado em coro, transmitindo uma mensagem concisa com máxima eficiência: cruze a linha, pague por isso. É o aespa em modo ataque puro.
7. “My Plan”
É aqui que o álbum mostra sua versatilidade. Uma faixa de R&B de ritmo moderado, com arranjos de Simon Petrén, que envolve uma superfície suave e tranquila em torno de uma letra silenciosamente calculista: um relato passo a passo de como convencer uma pessoa amada a ter exatamente o final que ela deseja. Seda por cima, estratégia por baixo.
6. “Can’t Help Myself”
A incursão mais convincente do álbum no rock. Markus Videsäter, Grace Baer e David Straaf constroem a faixa com guitarras distorcidas e uma batida grave e pulsante, e o aespa responde com vocais que vão além do polimento, revelando uma certa aspereza. Prova que o registro rock é algo que o grupo pode habitar, e não apenas vestir.
5. “SHAKIN'”
Polido, mas abrasivo, concebido diretamente para o refrão. Combina um baixo sintetizado áspero com um dos ganchos mais grudentos do álbum, tudo a serviço de uma única ideia: desestabilizar completamente a vida de alguém. O arranjo de Moonshine é impecável, e o tom maduro do grupo impede que a arrogância se dissipe.
4. “Camouflage”
A faixa menos conhecida que vai prender a atenção dos fãs mais dedicados. Uma névoa hyperpop de sintetizadores vítreos e flutuantes do ACT SOCIAL que transforma seu título em uma metáfora funcional: esconder o que você sente, transitar entre diferentes personalidades para se manter seguro. A beleza começa a parecer um mecanismo de defesa, e é exatamente isso que a faz permanecer na memória.
3. “WDA (Whole Different Animal)” com G-DRAGON
O canto mais sombrio do álbum. Dem Jointz e RYAN JHUN constroem a faixa sobre o peso do hip-hop industrial, com um baixo sintetizado grave e penetrante e um refrão que impacta como uma porta se fechando. G-DRAGON não apenas aparece — ele intensifica a atmosfera ao seu redor, transitando entre arrogância e ameaça sem perturbar o centro de gravidade do grupo. É o sinal mais claro de que “LEMONADE” pretende ser perigoso antes de ser divertido.
2. “Switchblade” com Ty Dolla $ign
A peça de construção mais sofisticada do álbum. Arranjada por Evan Blair, funciona com tensão e relaxamento, contrapondo a entrega fria e contida do aespa a uma produção que se transforma constantemente. A lâmina se torna um objeto perfeito para o grupo: elegante, perigosa, flexível, bela porque pode cortar. Ty Dolla $ign é tecido na faixa em vez de simplesmente adicionado, atuando como um contraponto genuíno cuja textura completa a arquitetura da música.
1. “LEMONADE”
A faixa-título é a tese do álbum transformada em algo alegremente literal. O arranjo de Shift K3Y empilha riffs de sintetizador com influências ácidas e drops de hardstyle sob provocações cantadas que explodem em improvisos, transformando um dos idiomas mais familiares do pop — fazer limonada — em algo mais incisivo, estranho e mais aespa. Aqui, doçura não é suavidade: é uma arma, uma euforia, um colapso disfarçado de festa. O movimento de espremer limão no refrão será inescapável, mas a música funciona porque o conceito não se sobrepõe à música — ele borbulha em cada batida. É a rara faixa-título que também é, simplesmente, a melhor música do álbum: conceito, som e atitude fundidos em um todo azedo e elétrico. Limonada, de fato.
Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui.
💡 Você sabia que o aespa desenvolveu uma identidade sonora única chamada ‘soe-mat’ (쇠맛), que literalmente significa ‘gosto de metal’? Esse termo descreve o toque metálico e distinto que os fãs e a crítica associam ao som do grupo, algo raro no K-pop, onde a identidade costuma se basear apenas em aparência ou conceito visual.



