Cantor carioca estreia no projeto com ‘Te Deixar’, faixa que encapsula sua busca por autenticidade e autonomia emocional — e que pode marcar o início de uma das vozes mais originais da pop nacional.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Alê se apresenta no Billboard Descobre com a faixa ‘Te Deixar’, que mistura pop, Piseiro e referências de sua trajetória pessoal.
- O cantor carioca transformou a pandemia em ponto de virada: saiu dos covers em eventos corporativos e mergulhou na composição autoral a partir de poemas e vivências.
- Seu primeiro álbum, ‘Ama Eu’, contou com produção de TH4I e equipe técnica com passagens por Beyoncé, Luísa Sonza e Liniker.
- A pauta LGBTQIA+ aparece sem se limitar a um público nicho — Alê defende a verdade artística como ferramenta universal de conexão.
Há uma frase que resume a trajetória de Alê com uma honestidade que poucos artistas da nova geração brasileira se permitem: “Eu decidi que não ia morrer sem tentar”. Dito assim, parecesimples — mas essa declaração carrega anos de adiamento, medo e uma transformação pessoal que culminou no momento mais decisivo de sua carreira: a estreia no Billboard Descobre, onde o cantor carioca apresenta “Te Deixar” ao vivo em um registro que sintetiza tudo o que ele construiu até aqui. Não é apenas mais uma estreia em um projeto de divulgação. É o grito de alguém que transformou um hobby de anos em missão de vida — e que chega para questionar o que a pop nacional ainda tem medo de abordar.


A formação musical de Alê é, por si só, um manifesto sonoro. Criado por um pai baterista e uma mãe fã declarada de Gal Costa, Rita Lee e Celia Cruz, ele cresceu em uma casa onde o mpb dialogava com o rock brasileiro, a salsa e a música latina. Essa herança eclética não é apenas decorativa — ela explica por que sua sonoridade, hoje, consegue transitar entre o pop contemporâneo, o reggaeton e o piseiro sem soar forçada ou calculada. É uma mistura que nasce orgânica, como se cada referência herdada em casa tivesse encontrado seu lugar natural nas composições que ele começou a escrever séries depois.
O ponto de virada veio, como tantos outros na história recente da música, durante a pandemia. Por anos, Alê tratou a música como um escape, nunca como projeto de carreira. Cantava covers em eventos corporativos, se apresentava esporadicamente, mas nunca se via como artista de fato. Foi nesse período de isolamento que a introspecção virou matéria-prima: poemas pessoais ganharam melodia, sentimentos antes engolidos viraram letras e o desejo de “não morrer sem tentar” se transformou em ação concreta. Em maio deste ano, esse processo se materializou no álbum de estreia “Ama Eu”, projeto que já coloca Alê em outro patamar — não apenas como promessa, mas como nome com identidade própria e time técnico de peso.
“Ama Eu” não é um disco qualquer. A produção fica a cargo de TH4I, nome associado a colaborações de Luísa Sonza, o que já sinaliza o nível de ambição do projeto. Além disso, a mixagem e masterização foram assinadas por profissionais que acumulam trabalhos com Beyoncé, Sandy, Liniker e Vitão — uma curadoria técnica que diz muito sobre o padrão que Alê quer estabelecer para si. O resultado é um som que equilibra a acessibilidade do pop com a pulsação visceral do piseiro, sem nunca perder a alma íntima das composições. É uma aposta que desafia o mercado a levar a sério uma proposta que mistura o popular e o particular de maneira rara no cenário nacional.
É justamente em “Te Deixar” que essa identidade se expressa com mais clareza. A faixa, gravada no projeto Billboard Descobre, fala sobre autonomia emocional e honestidade afetiva — temas que, embora universais, ganham uma tonalidade especial quando partem da perspectiva de uma pessoa LGBTQIA+. Alê é claro em sua visão: “Minhas músicas vêm da perspectiva de uma pessoa LGBTQIA+, mas são para todo mundo”. Essa afirmação não é retórica vazia. É uma posição artística que recusa a armadilha de diluir a própria identidade para alcançar um público mais amplo — e, ao contrário, aposta que a verdade pessoal é, paradoxalmente, o caminho mais universal. “Te Deixar” funciona assim: é uma canção pop direta, cantável, mas que carrega uma camada de profundidade que vai muito além do refrão grudento.
O Billboard Descobre, por sua vez, funciona como uma vitrine estratégica para essa nova geração — um projeto que combina gravações em estúdio, videoclipes exclusivos e cobertura editorial para dar visibilidade a artistas que estão construindo suas trajetórias fora dos mecanismos tradicionais de promoção. Para Alê, estar nesse programa não é apenas exposição: é reconhecimento de que o que ele faz tem peso, relevância e potencial de impacto. Olhando para frente, o momento pede atenção. Com um álbum de estreia já consolidado, uma equipe técnica sólida e uma mensagem artística clara, Alê está posicionado para se tornar uma das vozes mais significativas da pop brasileira nos próximos anos — desde que consiga manter a autenticidade que, neste ponto, já se tornou seu maior trunfo e sua maior marca registrada.
💡 Você sabia que Alê cresceu em um ambiente onde a mãe ouvia Gal Costa, Rita Lee e Celia Cruz, enquanto o pai — baterista — construía a relação dele com o ritmo desde a infância? Essa dualidade entre MPB, rock e música latina fermentou a sonoridade eclética que hoje o define.
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— Douglas W.


