Vocalista do Evanescence aponta Inside (The Songs) de Bo Burnham e traz revelações inesperadas sobre carreira, influências e o que vem por aí.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Amy Lee declara que o maior álbum de todos os tempos nasceu durante a pandemia: Inside (The Songs), de Bo Burnham.
- Vocalista do Evanescence revela suas influências: Björk como voz favorita e Tori Amos como pianista de referência.
- Ela aponta Sanctuary (2026) como melhor trabalho do Evanescence e All You Need Is Love para o próprio funeral.
Em uma declaração que pode parecer estranha à primeira ouvida, mas que carrega a sinceridade característica de quem já percorreu décadas no mundo da música, Amy Lee, a voz que definiu o rock gótico dos anos 2000, acaba de chocar e emocionar fãs com uma escolha inesperada: para ela, o maior álbum de todos os tempos nasceu trancado em casa, durante a quarentena da pandemia.
A revelação que desafia o senso comum
Em entrevista à revista britânica Classic Rock, a vocalista do Evanescence não hesitou: a obra que ela considera a maior de todos os tempos é Inside (The Songs), trilha sonora do especial de comédia criado e gravado inteiramente sozinho por Bo Burnham em 2021. “Vai parecer a resposta mais doida, mas é verdade”, confessou a cantora, admitindo que ainda ouve o disco o tempo todo. A declaração é especialmente curiosa porque, longe do mundo das orquestrações sinfônicas e dos metais dramáticos que marcaram o Evanescence, Inside é um trabalho intimista, minimalista e visceralmente humano — uma compilação de canções que nasceram do isolamento global.
Ao elogiar a obra, Amy destaca a capacidade de Burnham de misturar humor e dor em uma única canção: “Obviamente, estávamos todos presos em casa, mas ele fez uma obra de arte incrível. Acho que ele se inspira em diferentes artistas, que ele meio que imita, e é um ótimo compositor. Vai te fazer rir, mas também vai partir o seu coração”. Para uma artista cuja carreira foi construída justamente na intersecção entre o teatral e o profundamente emocional, essa leitura da arte feita em isolamento revela uma evolução de gosto que poucos esperariam de quem lançou Fallen, em 2003.
Quem moldou a voz de Amy Lee
Ao lado da revelação sobre o álbum, a entrevista traça um mapa das influências que formaram uma das cantoras mais distintas da música moderna. Na categoria de voz favorita, a escolha recai sobre a islandesa Björk. “Ela é uma força da natureza. Para cantores, o instrumento é o próprio corpo, e o som é como se o coração saísse pelo rosto”, disse Amy, aos risos, referindo-se especialmente ao clássico Post, de 1995, e à faixa “Army of Me”. Entre os pianistas, a referência é Tori Amos, cuja abordagem improvisada e detalhista nos anos 1990 impressionou a vocalista, formada em música clássica: “Ela parece uma daquelas pessoas que conseguem tocar e improvisar sem pensar, e é lindo e cheio de detalhes”.
O melhor e o mais difícil trabalho da própria banda
Quando o assunto é a própria discografia, Amy Lee não pensa duas vezes. Para ela, o melhor álbum do Evanescence é Sanctuary, lançado em 2026. “Sinto que levou todo esse tempo para conseguir fazer isso agora”, afirmou, numa declaração que sugere uma maturidade artística alcançada após anos de experimentação. Ao mesmo tempo, ela reconhece o peso histórico de Fallen, o disco de estreia que vendeu milhões de cópias e colocou a banda no mapa, mas que, segundo ela, foi feito quando “éramos só crianças”.
O trabalho mais complicado, por sua vez, foi o álbum autointitulado de 2011. “Tive que redescobrir o quanto eu precisava do rock com a banda”, contou Amy, referindo-se às primeiras sessões com uma pegada de synth-pop sombrio que a gravadora não compreendeu e que acabaram sendo descartadas. Esse episódio, que quase redefiniu o som da banda antes de sua volta às raízes, mostra o quanto o processo criativo de Amy sempre foi marcado por conflitos entre visão artística e expectativas comerciais — uma batalha que ela parece ter aprendido a vencer com o tempo.
O que esperar depois disso
Mais do que uma simples lista de preferências, a entrevista com Amy Lee funciona como um retrato de uma artista que, após mais de duas décadas no topo da cena, finalmente parece em paz com o próprio caminho. A escolha de Inside (The Songs) como seu álbum favorito não é aleatória: é o registro de um momento coletivo de solidão transformado em arte, algo com o que ela, como vocalista que sempre canalizou emoções cruas, certamente se identifica. Com Sanctuary agora apontado como sua obra-prima, os fãs do Evanescence devem esperar um período de consolidação criativa — e quem sabe, de novas surpresas. E, se um dia a pergunta for sobre como ela quer ser lembrada, a resposta é simples e reveladora: “All You Need Is Love”. “Quando eu morrer, quero que as pessoas sintam que o amor vive para sempre, mais do que fiquem tristes porque eu me fui”.
💡 Você sabia que a primeira música que Amy Lee lembra de ouvir é Goodnight My Love, de Jesse Belvin, cantada pelos pais para ela dormir? O pai dela, músico que trabalhava no rádio em Miami, ouvia a faixa como a última da programação antes de a emissora sair do ar.
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— Douglas W.


