Depois de anos caminhando juntos pelo circuito independente, os dois artistas finalmente se reúnem em estúdio para criar um disco visceral que desafia expectativas.
⏱️ Em 5 segundos:
- EP de estreia gravado em menos de dez horas, praticamente ao vivo
- Temática urgente aborda tempo, envelhecimento e pensamento rígido
Quando a música nasce do impulso e não do planejamento, o resultado costuma ser algo mais verdadeiro. É exatamente isso que aconteceu com Anderson Foca e Fabrício Nobre, dois nomes que já marcaram a cena independente brasileira por caminhos paralelos, mas que agora se encontram pela primeira vez dentro de um estúdio. O fruto dessa junção é o EP Varado, lançado pelo selo Dosol e que chega às plataformas digitais como uma declaração crua e sem filtro.
Um disco feito em poucas horas
Gravado em menos de dez horas no Estúdio Costella, em São Paulo, o material tem cinco faixas que foram registradas praticamente ao vivo, sem polimento excessivo. A proposta era clara desde o início: fazer o simples, manter a essência da performance e deixar a voz e a energia de Fabrício Nobre como eixo central das composições. A produção ficou sob responsabilidade de Anderson Foca, com coprodução de Carlos Fermentão e contribuições de Gabriel Zander e Alexandre Capilé. As letras, segundo o próprio Foca, refletem as inquietudes compartilhadas entre os dois artistas – questões que atravessam relações com o tempo, papéis sociais e a pressão das transformações contemporâneas.
O EP percorre diferentes climas ao longo das faixas. Fenda Vil do Tempo questiona a relação do ser humano com a passagem dos anos e os papéis que a sociedade insiste em impor. Já Sente-se tensiona o momento presente e o lugar do homem diante de um mundo em constante mutação. Em Água Parada, o foco se desloca para o envelhecimento e a urgência de seguir em frente. Pensamento Linear parte para um ataque direto contra a rigidez ideológica, enquanto De Volta ao Começo fecha o disco mergulhando em ciclos de excessos – seja químico, seja digital. O resultado, como definem os próprios criadores, é algo “urgente e desvairado”.
A estética do projeto segue a mesma lógica de honestidade. A capa, ilustrada por Caio Vitoriano com desenhos de Anderson Foca, remete à mimeografia e aos processos manuais, em contraste direto com a era da tecnologia avassaladora. Nos vídeos, a estética garage se mantém: imagens sujas, diretas e feitas pelo próprio Foca, sem pretensão de acabamento. Há também uma dimensão generacional forte no material. “Nunca é tarde para fazer o que você está a fim com música. Ter uma banda nova depois dos 50 anos é uma delícia”, afirma o artista, destacando que a coragem de recomeçar é, por si só, um gesto de resistência.
💡 Você sabia que Anderson Foca e Fabrício Nobre já compartilhavam anos de ações culturais juntos, mas nunca haviam se reunido em um projeto musical até agora?



