Anitta celebra 38 anos da Grande Rio e reafirma legado como nova rainha de bateria

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Cantora retorna à quadra após coroação oficial e participa da apresentação dos protótipos de fantasias para o carnaval 2027

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  • anitta esteve na quadra da grande rio dois dias após coroação como rainha de bateria
  • Escola celebra 38 anos e apresenta protótipos de fantasias para o Carnaval 2027
  • Enredo ‘Sankofa Tabon’ conta história de africanos libertos que retornaram à Gana

A noite de terça-feira (22) foi de festa genuína na quadra da Grande Rio, em Duque de Caxias. Anitta voltou ao palco que a coroou como rainha de bateria dois dias antes e, desta vez, caiu no samba de verdade ao lado da comunidade que há décadas sustenta a escola. A presença não foi apenas protocolar — a cantora chegou vestindo camisa da diretoria e, depois, trocou para um look mais descontraído, com jeans e top personalizado, para sambar ao som da bateria comandada pelo mestre Fafá.

O contexto da festa dos 38 anos da agremiação vai além da comemoração: é um ensaio geral para o Carnaval 2027. Durante a noite, a Grande Rio exibiu os protótipos das fantasias que desfilarão na Marquês de Sapucaí com o enredo “Sankofa Tabon – Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”, uma narrativa potente sobre a trajetória de africanos libertos que retornaram à região da atual Gana. É um tema que pesa, que exige respeito histórico, e a escola parece entender isso.

A coroação de Anitta no último domingo (20) foi um momento carregado de simbolismo. Ela recebeu a coroa das mãos de Eloína dos Leopardos, pioneira que comandou a bateria da Beija-Flor em 1976 — um elo direto com as raízes do samba no Rio. Anitta sucede Virginia Fonseca no posto e, ao assumir, disse ter aceitado o convite “com muito respeito”. Nas redes, emocionada, afirmou: “Não posso explicar com palavras minha emoção. Chorei junto com minha família e amigos”.

O que essa presença na quadra revela é a intenção de Anitta de se ancorar culturalmente além da música pop. Nos úso últimos anos, a cantora tem expandido suas fronteiras artísticas — do funk ao reggaeton, das colaborações internacionais aos projetos pessoais. Agora, o Carnaval se consolida como parte central dessa identidade. Não é figurante: ela disputou ativamente o samba-enredo da Grande Rio para 2027, em parceria com Arlindinho e outros compositores, chegando às etapas finais antes de a escola optar por outra parceria.

Há um risco calculado nisso tudo. Associar a imagem a uma escola de samba é abraçar uma cultura que exige autenticidade — e a comunidade sambaqueira não perdoa quem chega apenas por projeção. Anitta parece consciente disso: participou da festa de aniversário, sambou, se misturou à comunidade. A pergunta que fica é se essa conexão vai se sustentar no dia a dia da escola ou se ficará restrita aos desfiles oficiais.

Olhando para frente, o Carnaval 2027 será o grande teste. A Grande Rio carrega um enredo histórico e uma nova rainha que traz milhões de olhares para a Sapucaí. Se houver equilíbrio entre a ousadia pop e a tradição do samba, o desfile pode marcar não apenas a carreira de Anitta, mas também redefinir como as escolas de samba dialogam com as novas gerações. A festa de 38 anos foi só o começo.


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— Douglas W.