A cantora internacional assume o papel de líder da bateria da escola carioca, unindo pop e tradição carnavalesca em marco histórico
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⏱️ Em 5 segundos:
- Anitta é coroada Rainha de Bateria da Grande Rio em cerimônia em Duque de Caxias
- Coroação entregue por Eloína dos Leopardos, primeira rainha de bateria e primeira travista da história
- A cantora assinou samba-enredo e participou da disputa pelo enredo
A noite de 20 de setembro em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, virou um marco histórico para o Carnaval carioca. Anitta, a artista mais influente do Brasil no cenário global, foi coroada rainha de bateria da Acadêmicos da Grande Rio, um título que mistura tradição, inovação e um sonho de infância que a cantora revelou em entrevista coletiva: ‘É uma honra muito grande. Sempre quis ser rainha de bateria. Esse é um sonho de muitas meninas cariocas que cresceram no subúrbio, em comunidades e favelas’.
Para entender a magnitude desse momento, é preciso olhar para trás. Anitta, que cresceu em São Gonçalo e Vila Kennedy, sempre se inspirou na cultura popular e no universo do Carnaval, mesmo quando sua carreira se destacava internacionalmente. Em 2023, ela já demonstrava interesse por temas folclóricos em seu trabalho, como em ‘Envolve’, que mesclava batida eletrônica com ritmos regionais. A coroação de Anitta não é apenas um reconhecimento institucional, mas a culminância de uma trajetória que, mesmo longe da quadra da escola, sempre carregou a essência do Carnaval em seu DNA.
Uma coroação histórica e simbólica
O ato de coroação, realizado por Eloína dos Leopardos, resgata um legado que vai além do espetáculo. Eloína, com 80 anos, é uma figura pioneira: a primeira rainha de bateria da história do Carnaval do Rio, eleita em 1976 ao lado da Beija-Flor, e a primeira travesta a assumir o título. Sua presença ao lado de Anitta reforça o diálogo entre gerações e a evolução da inclusão no universo do Carnaval. ‘Ela tem se mostrado uma pessoa fantástica, que busca entender o tempo todo o que é a bateria da Grande Rio, a história de cada integrante, e se preocupa com todos’, destacou Fafá, mestre de bateria da escola, em entrevista coletiva.
Do samba-enredo à bateria: uma aposta ousada
Além da coroação, Anitta se envolveu na disputa pelo samba-enredo da Grande Rio. Entre as composições finais, ela assinou uma das propostas, que compete com outras já consolidadas. A escola revelou que o enredo escolhido, ‘Sankofa Tabon – Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade’, abordará a trajetória de africanos escravizados que, após conquistarem a liberdade, retornaram ao continente africano. Essa aposta reflete o compromisso da Grande Rio com narrativas profundas e representativas, e Anitta, como rainha, será a embaixadora desse enredo na Avenida.
O desfile, previsto para o próximo Carnaval, promete surpresas. Fafá destacou que a bateria será ‘alegre, com vontade de recuperar a nota máxima’, mas também alertou para a presença de Anitta como protagonista: ‘Ela vai estar no centro das atenções, e a tecnologia e a performance artística serão peças fundamentais’.
Além do espetáculo: um impacto cultural
Esta coroação não é apenas um evento carnavalesco. Ela ecoa debates sobre a democratização do Carnaval e a valorização de quem vem do subúrbio. Anitta, que já se consagrou como uma das mulheres mais influentes do mundo (segundo a revista Forbes), abraça uma nova identidade: a rainha que une a globalidade da música eletrônica à raiz do samba. Para muitos, especialmente jovens de comunidades periféricas, é uma prova de que sonhos de infância — mesmo os mais inusitados — podem se concretizar. A Grande Rio, por meio dessa escolha, reafirma seu papel como uma das escolas mais inovadoras do Carnaval, sempre à frente de tendências.
Enquanto os anos se acriminuem, o legado de Anitta como rainha de bateria provavelmente será lembrado como o ápice de uma transição: a do Carnaval tradicional para o do Carnaval do futuro, onde a força da multidão se mistura com a força da individualidade. Afinal, como disse a própria Anitta: ‘Para mim, é uma honra enorme’.
💡 Você sabia que Eloína dos Leopardos, que coroou Anitta, é a primeira rainha de bateria da história do Carnaval do Rio (1976) e também a primeira travesta a assumir o título, abrindo caminho para a inclusão no universo do Carnaval?
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— Douglas W.


