DJ e produtor brasileiro de Afro House conversa com a Billboard Brasil após estreia no palco Core do Tomorrowland Bélgica 2026 e fala sobre a temporada global perseguindo o calor.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Bruno Gustavo, o Antdot, conversou com a Billboard Brasil após tocar no palco Core do Tomorrowland Bélgica 2026
- DJ de 30 anos celebra 15 anos de produção e revela obsessão por perseguir o verão ao redor do mundo
- Tomorrowland Brasil 2027 está confirmado para abril, em Itu, com o tema Consciencia
Enquanto o Brasil enfrenta o frio do inverno, Bruno Gustavo — o produtor e DJ por trás do projeto Antdot — está em plena turnê europeia, embalado pelo calor das pistas do continente. Recém-saído do palco Core do primeiro fim de semana do Tomorrowland Bélgica 2026, o artista de 30 anos conversou com a Billboard Brasil e revelou um hábito que virou rotina: perseguir o verão por todos os cantos do planeta. “Parece que eu estou sempre procurando o verão. Estou aqui agora, e quando chega o inverno vou atrás dele em outro lugar”, contou, em declaração que sintetiza bem o momento de efervescência da carreira.
A trajetória de Antdot é, na verdade, uma história de persistência silenciosa. Antes de se tornar um dos nomes mais fortes do afro house nacional, Bruno era um adolescente de Joinville, em Santa Catarina, que produzia música no quarto e trabalhava na linha de produção de uma usina mecânica para custear um curso de DJ. Hoje, aos 30 anos, ele acumula uma gravadora própria — a Dawn Patrol Records, fundada ao lado do produtor Maz — e uma sequência ininterrupta de apresentações em festivais de peso, como o próprio Tomorrowland.
O relato reforça o que o artista já havia mencionado em outras entrevistas: a paixão pela produção nasceu na adolescência, impulsionada pela curiosidade em torno do hip-hop e pelo primeiro computador em casa, muito antes de a música eletrônica se tornar profissão. “Eu produzo desde os 15 anos. Sempre fui aquele moleque que ia pro estúdio acreditando que algo ia acontecer”, disse Antdot, destacando que a virada recente na carreira é fruto direto de mais de uma década de dedicação ininterrupta.
Essa busca incessante pelo verão também gerou uma reflexão pessoal sobre o calendário das festas. Para o produtor, a estação quente continua sendo o terreno mais fértil para as grandes celebrações. “Eu acho que talvez as melhores festas sejam no verão. Esse ano toquei minha primeira vez no Tomorrowland Winter, foi muito sinistro, mas pra mim, na minha opinião, o verão é diferente”, avaliou. A declaração coloca Antdot em uma posição curiosa: um artista brasileiro que, ao invés de se fixar em uma temporada, transformou a mobilidade global em estilo de carreira — uma estratégia que cada vez mais DJs nacionais adotam para ganhar visibilidade no mercado internacional.
O que chama a atenção, porém, é a narrativa de superação que permeia o discurso de Antdot. “Muita gente olhava e falava que esse cara não ia dar certo”, reconheceu o produtor, sem romanticizar o caminho, mas com a honestidade de quem transformou a dúvida alheia em combustível. A fundação da Dawn Patrol Records ao lado de Maz representa não apenas um marco empreendedor, mas a consolidação de uma visão de carreira que vai além do DJ: a construção de um ecossistema próprio dentro da cena eletrônica brasileira. É um sinal de amadurecimento que poucos nomes do afro house nacional conseguiram alcançar neste estágio.
Olhando para frente, o calendário de Antdot ganha um novo capítulo relevante: o Tomorrowland Brasil 2027 já está confirmado para acontecer entre 30 de abril e 2 de maio, no Parque Maeda, em Itu (SP), com o tema “Consciencia”. Para o produtor, que hoje se define em uma encruzilhada entre o auge europeu e a responsabilidade de representar a cena nacional, o retorno ao Brasil no verão será tanto um momento de celebração quanto de reafirmação. “Hoje eu estou aqui representando o Brasil e fazendo o que eu amo. Olha o privilégio que é viver de música”, resumiu. A frase ecoa como um lembrete de que, depois de 15 anos entre estúdios modestos e palcos que pareciam distantes, Antdot finalmente está colhendo o que plantou — e a colheita promete ser ainda mais alta.
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— Douglas W.


