A décima edição do ARVO Festival foi palco de uma verdadeira catarse sonora, onde o BaianaSystem elevou a energia ao máximo com sua fusão única de ritmos e uma mensagem potente de resistência cultural.
⏱️ Em 5 segundos:
- BaianaSystem transformou o ARVO Festival em uma “panela de pressão” de energia e ritmos.
- A banda apresentou sua assinatura sonora, unindo berimbau, eletrônica e metais com a bandeira “meu axé é resistência”.
- O show contou com sucessos, faixas do novo álbum e a participação especial da cantora Claudia Manzo.
Florianópolis foi palco de um fenômeno sônico e cultural neste último sábado (16), quando o BaianaSystem subiu ao palco principal da 10ª edição do ARVO Festival. A banda baiana, conhecida por sua capacidade de transformar qualquer ambiente em um caldeirão de vibrações, entregou uma performance que, como de costume, fez a terra tremer e os corpos entrarem em um transe coletivo, confirmando sua posição como uma das forças mais potentes da música brasileira contemporânea.
O DNA inconfundível do BaianaSystem pulsou em cada batida, orquestrando uma alquimia sonora que mescla berimbau, bateria tribal, MPC e guitarra baiana, tudo complementado por uma seção de metais vibrante. Essa fusão magistral reforça a ponte que o grupo habilmente constrói entre a efervescência da rua, a alegria contagiante do carnaval, a potência dos sound systems e a acessibilidade da música pop, criando uma sonoridade que é ao mesmo tempo ancestral e futurista. Russo Passapusso, o carismático vocalista, emergiu no palco com sua boina branca e jaqueta bomber, ostentando uma bandeira do Brasil amarrada na cintura, mas com uma mensagem subversiva: “meu axé é resistência”, um grito de poder e identidade que reverberou por todo o festival.
A jornada musical começou com a força de “Alfazema” e “Reza Forte”, abrindo os caminhos para um repertório que não deu trégua. Clássicos como “A Vida É Curta Pra Viver Depois”, “Saci” (que contou com um dançarino caracterizado no palco, adicionando um toque teatral), “Capim Guiné”, “Lucro (Descomprimindo)” e “Miçanga” mantiveram a multidão em constante movimento. A noite foi ainda mais enriquecida pela presença da cantora “brachilena” Claudia Manzo, que trouxe um tempero latino-americano à mistura baiana, com interpretações emocionantes de “Quizás” e “Gracias a La Vida”. A banda também não deixou de apresentar novidades, incluindo “O Mundo Dá Voltas”, faixa-título do álbum lançado em 2025, que instantaneamente conquistou a pista. A resposta do público foi imediata, com rodas gigantes se abrindo e fechando, movidas pela intensidade dos graves que pareciam manipular o próprio espaço-tempo.
O BaianaSystem possui um efeito quase magnético sobre sua audiência: não há espaço para a passividade no “Navio Pirata” que é cada um de seus shows. A experiência exige participação plena, onde cada pessoa se entrega ao pulso hipnótico da percussão. A energia gerada é tão visceral que, para muitos, se assemelha a um fenômeno a ser estudado, uma força bruta da natureza que redefine o que é possível em um palco de festival. O BaianaSystem não apenas tocou em Florianópolis; ele a transformou, deixando uma marca indelével de ritmo, resistência e pura euforia coletiva.
💡 Você sabia que o nome BaianaSystem faz referência direta aos ‘sound systems’ jamaicanos, pilares da cultura do reggae e dub, adaptando essa ideia de amplificação sonora e cultural para a realidade baiana?



