Do autismo ao cego congenital, histórias de superação transformam o palco Ritual em símbolo de inclusão na cena eletrônica brasileira
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⏱️ Em 5 segundos:
- Autisday e TheozinhoPK, ambos com 10 anos, abrem o House Mag Festival no palco Ritual
- Os DJs têm condições neurodivergentes ou visuais que influenciam sua arte
- O festival reforça seu compromisso com a diversidade e inclusão na cena eletrônica
Quando um garoto de 10 anos com autismo e outro cego congenital decidem abrir um dos maiores festivais de música eletrônica do Sul do Brasil, o palco não é mais um espaço de entretenimento, mas um manifesto de superação. Autisday e TheozinhoPK, dois jovens que transformam suas condições em vantagens artísticas, marcam a terceira edição do House Mag Festival com uma performance B2B inusitada no Ritual, das 17h às 18h, no sábado (19), no Surreal Park, em Camboriú.
Uma ponte entre identidade e expressão
Autisday, projeto de David, florífero de Florianópolis, encontra no tech house uma linguagem que traduz sua percepção apurada do mundo. Diagnóstico de autismo, TDAH e TOD não são obstáculos para ele, mas sim ferramentas que aguçam sua audição e foco. “Autismo nunca foi desculpa, é meu estilo. Só aumenta o som e me deixa tocar”, afirma, revelando como a hipersensibilidade se converte em uma escuta que capta nuances que muitos artistas passam despercebidas. Já TheozinhoPK, de Theo, nasceu com glaucoma congênito, o que o fez desenvolver uma relação íntima com a sonoridade. Sua fala é marcada por uma precisão que só quem vive o mundo pelas audições pode alcançar, e seu amor pelo tech house nasceu de um sonho que, mesmo sem ver, nunca foi interrompido.
Inclusão como eixo do House Mag Festival
O House Mag Festival, que desde sua primeira edição tem como pilar a valorização de vozes minoritárias, não abre as portas ao acaso. A dupla participa da House Mag Academy, uma escola que forma novos talentos da música eletrônica e já revelou nomes como Aloss, DJ surdo que estreou em 2025 e retorna ao festival nesta edição. “A música não tem limites de cor, idade ou corpo”, afirma a mãe de David, Fernanda, que descreve como o tech house organizou o caos interno de seu filho. A aposta na inclusão também se reflete na formação do line-up: mais de 70 atrações, com destaque para artistas indígenas como Eric Terena e nomes femininos como BLANCAh, Bruna Strait e Devochka, que dominam palcos como Raw Room e Nomad.
Um olhar crítico sobre a representatividade
Em uma cena frequentemente acusada de elitismo e exclusão, a presença de Autisday e TheozinhoPK desafia premissas. Enquanto alguns questionam se a juventude deve ocupar espaços de artistas consolidados, outros veem nisso uma oportunidade de redefinir o que é “artístico”. A mistura de tech house, afro house e percussão no set do B2B não é apenas uma demonstração técnica, mas uma celebração de como diferentes experiências podem enriquecer a linguagem musical. O fato de ambos serem alunos da Academy também reforça o papel de instituições como catalisadoras de talentos subrepresentados.
Além do palco: um legado de transformação
Além de abrir o festival, Autisday e TheozinhoPK são símbolos de uma mudança mais ampla. O House Mag Festival, que já contou com a participação de Aloss em 2025, demonstra que a inclusão não é uma tendência, mas uma necessidade. Para artistas como David e Theo, o palco é um convite para reescrever regras: o autismo não é uma barreira, e a cegueira não é um obstáculo, mas uma perspectiva única. Sua estreia pode ser o primeiro passo de uma carreira que, ao contrário de seres anônimos, será lembrada por sua origem e impacto.
O futuro da inclusão na eletrônica
Com o House Mag Festival consolidado como um dos maiores eventos de música eletrônica do país, a presença de jovens com deficiências abre espaço para novas narrativas. Será que outros festivais seguirão esse modelo? O sucesso de Autisday e TheozinhoPK pode inspirar uma nova geração de festivais que vejam a diversidade não como desafio, mas como fonte de inovação. Enquanto isso, o palco Ritual, com sua pegada psytrance, ganha um novo significado: não apenas um espaço para trilhas sonoras de festa, mas para histórias que redefinem o que é possível.
💡 Você sabia que David, o Autisday, desenhou sua própria logo artística antes mesmo de tocar seu primeiro set? Sua criatividade e precisão técnica são diretamente ligadas à sua neurodivergência.
— Douglas W.


