Vocalista Caio Weber transformou hit do Menos É Mais em projeto no Instagram e o resultado virou peça central do novo disco da banda.
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De cover emocionado no Instagram a riff que definiu um disco
Há uma beleza quase poética na forma como uma música nasce — e a história de “Furacão”, nova faixa da Bad Luv, é a prova viva disso. O vocalista Caio Weber revelou que o riff pesadíssimo do breakdown não saiu de uma sessão de estúdio sofisticada, mas de uma versão emo que ele gravou em casa, de bobeira, para uma série no Instagram. O alvo? Nada menos que “Lapada Dela”, hit do Menos É Mais com Matheus Fernandes. O que começou como branco virou peça central do segundo álbum da banda, “O Medo Não Me Parou“, lançado em 8 de setembro.
A cena alternativa brasileira ganha mais um capítulo
A Bad Luv carrega um pedigree que poucas bandas nacionais da nova geração têm: seus membros já estiveram na estrada com Matuê, Di Ferrero, Gloria e Day Limns. Formada em 2021, na pandemia, a banda se consolidou com o disco de estreia “Nós” (2025) e agora entrega um trabalho ainda mais confessional. Gee Rocha (guitarra), Murilo Amâncio (guitarra) e Vitor Peracetta (bateria) são a base instrumental, enquanto Caio chegou em 2025 trazendo a energia da Cefa, sua banda anterior.
O acidente feliz que virou música
O relato de Caio é revelador: ele estava de férias na praia, sem guitarra à mão, só com o computador. Precisava fechar o refrão de “Furacão” — que já tinha versos prontos, mas não tinha definição. Foi aí que lembrou do riff da versão emo de “Lapada Dela”. Bastou ajustar o tom, encaixar na estrutura e pedir a Gee Rocha para desenvolver o refrão. O resultado? Uma das faixas mais fortes do disco, que inclusive ganhou clipe dirigido por Vinicius Oliveira e pelo próprio Murilo.
post-hardcore com alma brasileira
“O Medo Não Me Parou” é um disco de nove faixas que bebe do post-hardcore e do metal moderno, mas sem perder a identidade da letra em português. Caio descreve o trabalho como “muito confessional”: fala de medos, inseguranças, luto e revolta, mas também aponta para o amor, a partilha e a esperança como motivos reais para seguir. A parceria com Badauí, do CPM 22, em “Dias Difíceis”, nasceu de um encontro casual em bloco de Carnaval — Vitor o avistou na rua e fez o convite na hora. Para o baixista João Bonafé, é como ter “a bênção do GOAT”.
O que isso significa para a cena
Essa história do riff de “Furacão” diz muito sobre o momento do rock brasileiro contemporâneo. A fronteira entre gêneros está cada vez mais borrada — um vocalista de post-hardcore se permitindo absorver uma referência de emo nacional e transformá-la em algo próprio é um sinal de maturidade criativa. A Bad Luv não está reinventando a roda, mas está fazendo o que deveria ser óbvio: tocar com sinceridade e sem preconceito. Como o próprio Caio disse, “não ter nenhum tipo de amarra artística” é o que mantém a música viva.
O que esperar daqui pra frente
Com “O Medo Não Me Parou” já nas mãos e uma turnê de estreia em construção, a Bad Luv entra em 2025 como uma das bandas mais consistentes do cenário alternativo nacional. A gravação do disco inclusive foi antecipada para fevereiro de 2026, antes do nascimento da filha de Gee, Nara — um detalhe que humaniza ainda mais a trajetória. Se “Furacão” é o termômetro, o álbum inteiro promete ser uma das grandes estreias de peso do segundo semestre. E tudo isso, ironicamente, começou com um cover despretensioso no Instagram.
Mídia / Redes Sociais:
— Douglas W.


