Boddhi Satva Desvenda ‘Closure’: Uma Jornada Profunda Pelas Raízes do Afro House e o Futuro do Gênero

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O pioneiro do Afro House compartilha insights sobre sua nova obra, a trilogia que homenageia seus pais e sua visão sobre a evolução de um dos gêneros mais vibrantes da Música Eletrônica.

⏱️ Em 5 segundos:

  • Boddhi Satva lança seu novo álbum, “Closure“, marcando o fechamento de um ciclo pessoal e musical.
  • O DJ e produtor reflete sobre suas origens na República Centro-Africana e a mudança para Lisboa.
  • Ele detalha a trilogia de álbuns (“Invocation”, “Transition”, “Manifestation”) dedicada aos seus pais.
  • Boddhi Satva compartilha sua visão crítica sobre a “gentrificação” do Afro House e a importância de apoiar a comunidade underground.
  • O artista aconselha novos talentos a honrar a arte e aprender com os desafios.

Em um cenário musical em constante evolução, poucos artistas conseguem manter a autenticidade e a profundidade de Boddhi Satva. Reconhecido como um dos arquitetos do Afro House, o DJ e produtor, com uma indicação ao Grammy em seu currículo, está prestes a lançar seu novo álbum, intitulado “Closure”. O nome, por si só, já antecipa a natureza íntima e reflexiva da obra, prometendo um olhar para trás e um passo adiante em sua notável carreira.

Diretamente de Lisboa, onde encontrou um lar que ressoa com suas raízes africanas e europeias, Boddhi Satva abriu o coração para discutir suas origens na República Centro-Africana. Ele revelou como o ambiente musical vibrante de sua infância, com o soul e funk do pai, os Beatles da mãe e os sons orgânicos de Bria, moldaram sua sensibilidade. O nome “Boddhi Satva” não é apenas um pseudônimo, mas uma conexão espiritual com um monge budista que marcou sua família antes de seu nascimento, um reflexo de sua busca pela libertação através da música. Sua transição do hip-hop para a house music foi catalisada pela descoberta de “One Starry Night” de Kevin Yost, uma experiência que “religou” sua compreensão musical. Posteriormente, Alton Miller, com seu “Sweet in the Morning”, tornou-se um mentor e colega de quarto, solidificando seu caminho no deep house.

A Trajetória Musical e a Essência do Afro House

A ascensão global do Afro House é inegável, e Boddhi Satva, que testemunhou sua evolução desde os primeiros “frenesis” sul-africanos no WMC, tem uma visão perspicaz sobre o estado atual do gênero. Embora celebre o reconhecimento, ele expressa preocupação com a “gentrificação” do som, onde a busca pelo hype pode ofuscar a dedicação dos artistas underground que construíram as fundações. “Se você ama a música e é bom nela, faça-a. Mas alguns de nós sacrificamos muito construindo isso”, pondera, enfatizando a importância de “abrir portas”, não de ser um “guardião de portas”, para a comunidade.

Em sua discografia, a trilogia de álbuns – “Invocation”, “Transition” e “Manifestation” – representa um tributo profundo aos seus pais e um espelho de sua própria evolução. “Invocation”, que levou quase uma década para ser construído e contou com o apoio essencial de Louie Vega, foi o ponto de partida. “Transition” surgiu após a perda de seu pai em 2014, um álbum que o “abriu” musicalmente, tornando seu som mais acessível sem perder a complexidade, com colaborações de peso como Davido e Nelson Freitas.

A perda de sua mãe em 2022 inspirou “Manifestation”, um álbum que, embora não tenha conquistado o Grammy prometido, alcançou a competição, colocando-o na mesma categoria de artistas como Arctic Monkeys e Bjork – uma vitória em si. Sua conexão com Louie Vega, um encontro orquestrado por Louie Lou Gorbea e Mr. V, foi um divisor de águas, com Vega vendo nele um produtor que Boddhi Satva ainda não havia percebido ser.

“Closure”: Um Novo Capítulo e Conselhos para o Futuro

Sobre “Closure”, Boddhi Satva descreve o álbum como um “exalar”, o fechamento de capítulos que permaneceram abertos por muito tempo. Musicalmente, ele busca inspiração na forma como J Electronica constrói mundos através de samples e atmosferas cinematográficas, almejando criar um “livro escrito em som” com cerca de 10 a 12 faixas. Este novo trabalho promete ser uma fusão de profundidade emocional e inovação sonora, solidificando ainda mais seu legado.

Para os artistas emergentes, sua mensagem é clara: “Honrem a arte com A maiúsculo”. Citando Fela Kuti, ele lembra que a música é uma arma e uma força espiritual que deve ser usada com respeito. “Você não aprende com seus sucessos. Você aprende com seus fracassos. Mantenha-se comprometido. Mantenha-se humilde. Ouça os veteranos não porque eles têm todas as respostas, mas porque eles pavimentaram o caminho que você está trilhando.” Uma estrada que, embora mais limpa hoje, pode ser escorregadia, exigindo que cada artista encontre seu próprio “grip” para seguir em frente com integridade e paixão.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que o nome artístico ‘Boddhi Satva’ foi inspirado em um monge budista, músico e cineasta que seus pais hospedaram na República Centro-Africana antes mesmo dele nascer?


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