BTS rejeita Grammy e revela crise de representatividade na Academia

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O grupo coreano decide não submeter ‘ARIRANG’ à cerimônia, acusando a Recording Academy de tratar K-pop como categoria isolada.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • BTS anuncia que não submeterá material ao 69º Grammy, criticando divisão por região e idioma.
  • Grupo acumula cinco indicações sem vitórias, denunciando padrão de exclusão em categorias principais.
  • Lançamento de ‘ARIRANG’ domina Billboard 200 e Hot 100, mas não será considerado para premiação.

Em um gesto inesperado e carregado de simbolismo, o BTS decidiu não submeter seu mais recente trabalho ao Grammy, desafiando uma instituição que o grupo ajudou a moldar nas últimas décadas. A declaração, publicada simultaneamente pelos sete membros nas redes sociais, não menciona reclamações diretas, mas carrega uma crítica sutil à lógica de criação de categorias específicas para K-pop — uma prática que, segundo o grupo, perpetua uma visão fragmentada da música global.

O legado de indicações sem vitórias

Entre 2021 e 2023, o septeto coreano acumulou cinco indicações ao Grammy, incluindo três nominados para Melhor Performance de Dupla ou Grupo Pop — com “Dynamite”, “Butter” e “My Universe”, em parceria com Coldplay. Apesar da empolgação gerada por esses reconhecimentos, o BTS nunca chegou perto de levar um troféu. Em 2026, a situação se repetiu: mesmo com o sucesso estrondoso de “ARIRANG”, que liderou o Billboard 200 por três semanas e impôs mais um recorde para um artista asiático, a Recording Academy optou por criar uma nova categoria — Melhor Performance de Pop Asiático — cujas regras de idioma e origem geográfica deixam claro que o K-pop continua sendo tratado como um fenômeno regional, e não parte do mainstream global.

A lógica controversa por trás da nova categoria

A nova categoria exige que as gravações apresentem uso significativo de idiomas asiáticos, o que automaticamente descarta faixas como “SWIM”, o single principal de “ARIRANG”, totalmente em inglês. Essa regra revela um dilema estrutural: enquanto o K-pop domina paradas e plataformas internacionais, a academia ainda insiste em separá-lo do diálogo global. O fato de que o álbum tenha vendido mais de 641 mil unidades equivalentes na primeira semana e mantido-se no topo do Billboard 200 por semanas não parece pesar na decisão da Academia — que, como sempre, afirma que o Grammy não é baseado em sucesso comercial.

No entanto, a experiência do BTS não é isolada. Desde 2020, premiações como American Music Awards, MTV Europe Music Awards e Billboard Music Awards criaram categorias específicas para K-pop, muitas vezes reconhecendo apenas artistas que gravam em inglês. O caso de “Born Again”, de LISA (BLACKPINK), indicada exclusivamente à categoria de K-pop apesar de ser uma colaboração internacional em inglês, ilustra como a segregação persiste mesmo quando o conteúdo musical não reflete mais as fronteiras culturais.

O posicionamento do grupo: mais do que uma rejeição, uma reivindicação

O BTS não está apenas rejeitando uma indicação — está rejeitando uma versão de reconhecimento que considera menor do que o espaço que ocupa na cultura pop global. Com “ARIRANG”, o grupo reinterpreta a canção folclórica coreana homônima, fundindo tradições locais com produções internacionais. Faixas como “Body to Body”, “Hooligan” e “Aliens” misturam línguas, estilos e referências culturais de forma fluida — algo que a nova categoria de pop asiático parece querer conter em uma etiqueta.

Além disso, o álbum reúne colaboradores de diferentes nacionalidades, incluindo produtores e artistas de fora da Coreia do Sul. Essa abordagem globaliza o K-pop, mas também o expõe à lógica da Academia: se a música é boa o suficiente para dominar o Hot 100, por que precisa ser enquadrada em uma categoria que limita sua elegibilidade por idioma?

O CEO da Recording Academy, Harvey Mason Jr., defendeu a nova categoria como um passo para “nunca dividir, mas expandir”. Ele afirmou que membros da Academia precisam ser parte dessaas comunidades para garantir que as definições sejam respeitosas. No entanto, a crítica do BTS aponta para um problema mais profundo: a criação de categorias específicas pode parecer inclusiva, mas frequentemente funciona como uma porta lateral — acessível, mas distante das categorias principais.

O que resta para o futuro?

O gesto do BTS é um dos mais ousados de sua carreira. Eles não estão em crise, mas em pleno apogeu — com sete álbuns no topo do Billboard 200 e sete singles no topo do Hot 100. A decisão de não submeter “ARIRANG” ao Grammy é uma declaração política: o K-pop não precisa de uma categoria paralela para ser reconhecido. Ele já conquistou o mainstream — e agora exige um lugar nele.

Com projetos solos avançando e a possibilidade de novos lançamentos, o grupo parece consciente de que sua influência ultrapassa qualquer premiação. A pergunta que permanece é: será que a Recording Academy está preparada para reconhecer o K-pop não como um gênero regional, mas como parte integrante da música pop global? Até lá, o BTS continua escrevendo seu próprio filme — e desta vez, eles saem antes do final, com a razão de quem não precisa de validação externa.

[Este conteúdo foi reescrito e adaptado com análise crítica da equipe Vibermix.]

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que o álbum ‘ARIRANG’ do BTS foi o primeiro disco de um ato coreano a liderar a parada Billboard 200 por três semanas seguidas?


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— Douglas W.