C6 Fest Esgota Ingressos e Prova que Música de Verdade é o Melhor Atendimento

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Com público de 30 mil e um encerramento lendário de Robert Plant, a quarta edição do festival de São Paulo mostrou que curadoria apurada supera qualquer gimmick.

⏱️ Em 5 segundos:

  • Primeira edição esgotada com 30 mil pessoas
  • Robert Plant e The XX encerraram com shows memoráveis
  • Curadoria cuidadosa superou a necessidade de headliners gigantes

Quando o C6 Fest fechou suas portas no domingo (24), deixou um legado que vai além dos números: pela primeira vez em sua história, o festival de São Paulo lotou todos os ingressos. Trinta mil pessoas ocuparam as dependências do Parque do Ibirapuera ao longo de quatro dias regados por uma programação que priorizou a intensidade musical acima de qualquer gimmick de marketing. O clímax veio com um show de Robert Plant ao lado da cantora Suzi Dian, que transformou o Auditório Ibirapuera em uma câmara de ecos do rock’n’roll mais visceral e do folk mais enraizado.

Curadoria como Assinatura

Essa edição, organizada pela Dueto Produções sob a orientação de Hermano Vianna e Ronaldo Lemos — mesmos nomes que fizeram o Free Jazz Festival virar referência — revelou o amadurecimento de uma proposta que já era promissora desde 2023. Em vez de apostar em headliners gigantescos para encher estádios vazios, o C6 Fest apostou em uma seleção estratégica de nomes fortes dentro dos seus nichos. The XX, que superlotou a parte externa do Auditório na sexta, e Robert Plant, que encerrou o domingo com releituras de clássicos do Led Zeppelin repaginadas em versões folk, foram os grandes ímãs de plateia. Mas a verdadeira mágica ficou nos dias de jazz, com o Branford Marsalis Quartet, o Hermeto Pascoal Big Band e a banda americana Knower entregando experiências sonoras que poucos festivais ousam colocar no mesmo bloco.

O sábado e o domingo também abriram espaço para vozes brasileiras e internacionais pouco convencionais no circuito mainstream. De Mano Brown a Samuel de Saboia, de Wolf Alice a Matt Berninger — vocalista do The National —, passando por Cameron Winter (da banda Geese, uma das mais comentadas de 2025), Benjamin Clementine e Magdalena Bay, o line-up provou que o público está pronto para abraçar artistas que fogem do óbvio, desde que a curadoria apresente o contexto certo. Até mesmo o palco menor, a Tenda Metlife, manteve filas por horas, com sequências de bandas como Horsegirl, Baxter Dury e Lykke Li — que surpreendeu ao cantar “Sozinho”, de Peninha, em português fluido.

Na parte técnica, a produção acertou em ponto fundamental: o piso plástico instalado sobre os palcos externos impediu que a chuva transformasse o chão em lama, salvando a experiência dos últimos dias. Onde ainda há espaço para evoluir é no sistema de som, especialmente no palco Heineken, onde o volume e a equalização deixaram a desejar em momentos-chave — algo que a organização já sinalizou para a próxima edição. Já a cenografia, os bares e as poucas ativações de marcas foram mantidas com elegância discreta, reforçando o lema implícito do festival: quando a música é boa, tudo o mais vira detalhe desnecessário.

Robert Plant C6 Fest 2026 Tatian 1
The xx no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Mano Brown no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Magdalena Bay no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Wolf Alice no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Romy Madley Croft do The xx C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Público do C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Robert Plant, vocalista do Led Zeppelin, formou o projeto Saving Grace especificamente para explorar o folk e o blues, rejeitando o rock pesado que o consagrou?

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