Favela Sounds completa 10 anos e reúne 25 mil pessoas em Brasília

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Edição histórica do festival celebra a cena periférica com 20 shows, dados expressivos de diversidade e estreias marcantes de novos nomes da música nacional.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Festival Favela Sounds completou 10 anos nos dias 31 de julho e 1º de agosto em Brasília
  • 25 mil pessoas compareceram presencialmente, sendo 22 mil no Baile e 3 mil no Favela Talks
  • Perfil do público: 78,2% LGBTQIA+, 61,8% pretos ou pardos, idade média de 25 anos
  • Artistas como Bia Soull e Ciça fizeram estreias em festivais de grande porte e se destacaram
  • Cenografia de LED do Palco Petrobras se tornou símbolo visual da edição e viralizou nas redes

Por mais que os números de público sejam impressionantes — 25 mil pessoas em duas noites de festa —, foi a energia que saiu do controle de qualquer planilha que realmente definiu a edição de 10 anos do Favela Sounds. Nos dias 31 de julho e 1º de agosto, a Praça do Museu Nacional da República, no coração da Esplanada dos Ministérios em Brasília, se transformou em um território onde a periferia ocupou o centro do poder cultural do país, e o resultado foi uma das edições mais emblemáticas da história do festival.

Uma década que redefine o conceito de festival no Brasil

O Favela Sounds chegou à marca de dez anos carregando a mesma missão que o fundou em 2016: democratizar o acesso à música, à cultura e ao entretenimento a partir das periferias. Desta vez, o evento voltou ao Museu Nacional após ter realizado sua edição anterior no CCBB Brasília, em fevereiro de 2025, e a escolha do espaço voltou a se confirmir como acertada. Ao longo de duas noites, 20 espetáculos passaram pelo Palco Petrobras, com uma curadoria que equilibrou nomes já consagrados da cena periférica com apostas que estão apenas começando a escrever seus primeiros capítulos.

Dados que revelam um público à espera de representatividade

Os números divulgados pelo festival vão muito além de uma simples demonstração de escala. Segundo pesquisa realizada com o público presente, 52,7% dos participantes se identificaram como mulheres, cis ou trans, 61,8% se declararam pretos ou pardos e um expressivo 78,2% integra a comunidade LGBTQIA+ — considerando orientação sexual e identidade de gênero. A idade média de 25 anos, com mais de 83% da amostra formada por pessoas de até 29 anos, confirma o Favela Sounds como um dos espaços mais relevantes para as juventudes brasileiras. Foram 22 mil pessoas no Baile, 3 mil nas atividades do Favela Talks, 500 postos de trabalho gerados e mais de 2,6 mil espectadores acompanhando a transmissão ao vivo pelo YouTube.

Entre veteranos e estreias, a curadoria acerta em cheio

A programação soube dialogar com diferentes gerações sem perder a identidade. Gaby Amarantos, um dos nomes mais importantes da música paraense, transformou a área externa do Museu Nacional em uma grande festa de aparelhagem e ainda recebeu seu aniversário no palco, com direito a bolo e parabéns em meio ao público. Valesca Popozuda mostrou que sua carreira segue em plena forma, arrebatando fãs das novas gerações, enquanto o paulista Kyan provocou uma das reações mais intensas ao invadir a arena e cantar em meio à multidão.

Mas o que mais chamou a atenção foi o espaço reservado para quem ainda está construindo sua trajetória. Bia Soull, que lançou seu álbum de estreia “Pornografia Auditiva” em abril, e Ciça, um dos nomes mais promissores do rap nacional, fizeram suas primeiras apresentações em festivais de grande porte e saíram dali como nomes certos para ficar no radar. Stefanie também chamou atenção em uma programação que soube colocar lado a lado artistas consolidados e apostas frescas da nova música periférica brasileira, provando que o Favela Sounds não é apenas uma celebração do que já existe, mas um palco para o que ainda está por vir.

A cenografia que virou protagonista

A estrutura do evento também se tornou parte do espetáculo. A cenografia do Palco Petrobras, inteiramente construída em LED, transformou-se em um dos símbolos visuais da edição e foi amplamente repostada em conteúdos virais nas redes sociais — são mais de 2,8 mil publicações espontâneas do público como resposta à experiência vivida. Os espaços Petrobras, que receberam cerca de 7 mil pessoas ao longo das duas noites, completaram a experiência ao celebrar as culturas urbanas com grafite e pintura ao vivo, customização de peças de streetwear, criação de lambe-lambes digitais e acesso a uma playlist oficial durante todo o evento.

O que esperar de um festival que não para de crescer

Segundo Guilherme Tavares, idealizador, diretor artístico e curador do Favela Sounds, a edição de 2026 representa um marco não apenas pela comemoração de uma década, mas pela capacidade do evento de comprovar que visões não-dominantes podem ocupar espaços de grande vazão. “Foi emocionante voltar ao Museu Nacional e encontrar aquele espaço cheio, com um público atento, participativo e disposto a cantar e dançar até o fim. Os artistas saíram muito tocados pela interação que tiveram”, afirmou Amanda Bittar, idealizadora e diretora-geral do festival. Com números que batem recordes, uma curadoria que souz equilibrar tradição e inovação, e um público que se viu genuinamente representado, o Favela Sounds de 2026 não apenas celebra uma década de história — sinaliza que os próximos dez anos podem ser ainda mais transformadores.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que o Favela Sounds nasceu em 2016 com a proposta de levar a cultura das periferias para os centros urbanos, ocupando espaços simbólicos como o Museu Nacional da República, e que nesta edição de 10 anos o evento gerou 500 postos de trabalho diretos?

— Douglas W.