O evento de três dias na Factory Town misturou o terror temático com uma curadoria musical robusta, apesar de alguns percalços logísticos na capital da Flórida.
O final de outubro em Miami ganhou um toque arrepiante e eletrônico com a mais recente edição do Hocus Pocus Festival. Realizado entre 31 de outubro e 2 de novembro na icônica Factory Town, o evento, orquestrado pelas mentes da Miami Link Rebels e Insomniac, abraçou completamente a estética de Halloween. Com direito a competição de fantasias e uma casa mal-assombrada, o festival se estabeleceu como o ponto de encontro obrigatório para os amantes de batidas eletrônicas, navegando com maestria entre o house mais solar e as vertentes mais duras do techno.
A Arena de Jogos e Seus Desafios
A Factory Town, conhecida por seu design a céu aberto e seu foco em nutrir a comunidade criativa local em Hialeah, serviu como o palco principal. As instalações de ponta e o sistema de som de primeira linha foram elogiados, garantindo que a música atingisse cada canto do local. Contudo, a localização mais afastada trouxe à tona os clássicos desafios de infraestrutura de grandes eventos urbanos: a dificuldade de acesso via transporte por aplicativo foi um ponto sensível. Além disso, a dependência de banheiros temporários, que se deterioraram em qualidade ao longo das noites, ficou aquém do nível sonoro oferecido.
Quatro Palcos, Quatro Universos
O festival se desdobrou em quatro palcos distintos, cada um desenhado para uma experiência sonora específica. O Infinity Room, o main stage, era um espetáculo visual, parecendo uma casa assombrada com lasers cortando o ar, recebendo nomes como ARTBAT e o contundente b2b entre Cassian e Kevin de Vries. Para os devotos do som mais pesado, The Park foi o epicentro do hard techno, com a presença estelar de Charlotte de Witte, Nico Moreno e Eli Brown, oferecendo visuais potentes com telas de LED gigantes.
Enquanto isso, o Espacio Proximo honrava as raízes de Miami, misturando house vibrante e ritmos latinos, com performances marcantes de LF System sob uma estrutura piramidal de luzes. Para quem buscava um refúgio mais introspectivo, o Cypress End, vizinho da casa mal-assombrada, entregava uma dose íntima de acid house e psytrance.
Destaques da Pista: Energia e Agregação
Musicalmente, o Hocus Pocus Festival entregou performances memoráveis. Kobosil hipnotizou a plateia com seu techno industrial, profundo e acelerado, executando faixas como “Pray & Die”. A energia crua foi personificada por Nico Moreno, que encerrou uma das noites com um set explosivo, e pela novata VTSS, que mostrou sua versatilidade como maximalista do techno. Um dos pontos altos foi a presença de Patrick Mason, cujo set híbrido ao vivo, repleto de movimentos expressivos e faixas como “Time to Time”, capturou perfeitamente o espírito do novo underground berlinense.
No fim das contas, o festival superou as expectativas ao fundir a imersão temática de Halloween — com decorações arrepiantes e vendedores de adereços de rave — com uma seleção musical de alto calibre. O Hocus Pocus Festival realmente conseguiu lançar um feitiço sobre seus frequentadores, garantindo um fim de semana de Dia das Bruxas inesquecível na cena eletrônica de Miami.



