Gillian Gilbert, do New Order, revela diagnóstico de câncer e pede privacidade durante tratamento

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Tecladista histórica da banda esclarece mal-entendido sobre saúde após declaração de Stephen Morris à Rolling Stone; show no Brasil e Rock Hall of Fame estão em pauta.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Gillian Gilbert, 65, tecladista e guitarrista do New Order, revelou publicamente que está em tratamento contra câncer.
  • A notícia surge semanas antes da indução da banda ao Rock and Roll Hall of Fame e do show em São Paulo, 25 de novembro.
  • Stephen Morris, marido e companheiro de banda, já havia mencionado problema de saúde à Rolling Stone, gerando confusão sobre quem estava doente.

Em uma rede social, Gillian Gilbert, 65, tecladista e guitarrista fundadora do New Order, revelou que recebeu diagnóstico de câncer e está em tratamento. A confirmação vem cercada de um mal-entendido gerado por uma entrevista de Stephen Morris — seu marido e companheiro de banda — à Rolling Stone, na qual ele mencionou um ‘problema de saúde sério’ sem dar detalhes. Parte do público interpretou como sendo o próprio Morris quem estava doente. Gilbert esclareceu: ‘Felizmente, ele está bem. Na verdade sou eu que, assim como muitas outras pessoas, estou vivendo com câncer.’

O peso de uma revelação em ano decisivo

O timing da notícia é sensível. Gilbert não apenas enfrenta um tratamento, como o New Order vive um dos momentos mais celebrados da carreira: a banda será induzida ao Rock and Roll Hall of Fame em 14 de novembro, em Los Angeles, ao lado de nomes como Phil Collins, Iron Maiden, Oasis e Wu-Tang Clan. Antes disso, está previsto show em São Paulo no dia 25 de novembro — e a banda já havia anunciado, em junho, que não participaria do Primavera Sound no Chile ‘por motivos pessoais de saúde’, agora explicados pela revelação de Gilbert. A Warner Music também lançará em 25 de setembro o box set ‘Eternal: Live’, com 14 CDs e dois DVDs reunindo a carreira da banda.

Uma história que atravessa décadas

Gillian Gilbert entrou para o New Order em outubro de 1980, poucos meses após a formação da banda por Bernard Sumner, Stephen Morris e Peter Hook — remanescentes do Joy Division após a morte de Ian Curtis. Sua chegada foi pivotal: trouxe uma visão mais experimental e eletrônica que ajudou a moldar o som único da banda, pontuando a transição do pós-punk para a música de dança. O New Order colocou 11 álbuns entre os dez primeiros das paradas britânicas, com dois números um — ‘Technique’ (1989) e ‘Republic’ (1993) — e múltiplas entradas na Billboard 200 e Hot 100 nos EUA. Gilbert deixou de fazer turnês em 2001 e retornou à formação em 2011, já sem Peter Hook.

Análise: o que essa revelação significa para a cena

Há algo simbólico em Gilbert ser a voz por trás dessa revelação. Durante décadas, ela foi a força silenciosa nos teclados e guitarras do New Order — a mão que construiu paisagens sonoras que influenciaram desde o synth-pop até o techno e o house. Sua saída dos palcos em 2001 e o retorno em 2011 já haviam gerado especulações sobre sua saúde e disposição para a estrada. Agora, com o diagnóstico público, a pergunta que fica é: como a banda vai se apresentar em São Paulo sem ela? Morris já havia indicado limitações de saúde que o impediriam de viajar, e a ausência de ambos no Primavera Chile sugere que os planos para novembro podem sofrer adaptações.

Uma carreira que transcende gêneros

O legado de Gilbert vai além dos discos. Ela representa uma ponte entre o rock pós-punk e a eletrônica dance — uma ponte que poucas mulheres conseguiram construir na época. O som do New Order, com suas linhas de baixo hipnóticas e batidas programadas, é ancestral direto do que hoje chamamos de EDM e música eletrônica de pista. Sem a contribuição dela, a trajetória da banda — e talvez parte da própria evolução da música eletrônica ocidental — seria outra.

O que esperar daqui para frente

A comunidade de fãs já se mobiliza em torno da palavra ‘privacidade’ que Gilbert pediu em sua nota oficial. A banda ainda não se pronunciou publicamente sobre os planos para o show de São Paulo e a cerimônia do Rock Hall. O box set ‘Eternal: Live’ chega em setembro como um retrato da trajetória — e pode se tornar uma despedida antecipada dos palcos para uma integrante que definiu o som de uma geração. Resta torcer para que o tratamento seja bem-sucedido e que a música, como sempre fez, siga sendo sua aliada.

— Douglas W.