O duo de Atlanta entrega um álbum que oscila entre nostalgia e futurismo, provando que melodia ainda pode ser rei no universo eletrônico.
Existe algo quase hipnótico na forma como Mako constrói suas composições. O duo formado por Tom Hudson e Haley Marshall traz de volta um conceito que parecia esquecido nos circuitos das grandes festas: a ideia de que uma faixa eletrônica pode simplesmente contar uma história sem precisar gritar por atenção. Em Hourglass, o segundo álbum do projeto, essa proposta ganha proporções ambiciosas, como se cada música fosse uma cena de um filme que o ouvinte precisa assistir do início ao fim.
h2>Entre Nostalgia e Technologia
O que mais impressiona no disco é a capacidade dos artistas de mesclar elementos que, em teoria, não deveriam funcionar juntos. Percussões orgânicas convivem com sintetizadores frios, cordas emocionais se entrelaçam com batidas precisas e diretas. O resultado é uma viagem sonora que começa leve e vai ganhando profundidade conforme os minutos passam. Faixas como a faixa-título e outras de peso médio demonstram uma maturidade que poucos artistas conseguem alcançar em um segundo álbum.
Mako não tenta replicar a fórmula que o consagrou no mercado. Em vez disso, o álbum soa como um exercício de composição livre, onde o prazer de criar vem antes da preocupação com tendências. A produção cuidadosa, os drops que surgem de forma orgânica e as camadas de atmosfera fazem de Hourglass uma experiência que merece ser escutada com fones de ouvido, de preferência em um silêncio que permita a música respirar.
Para quem já acompanha a trajetória do duo, Hourglass representa uma afirmação clara: Mako não precisa de grandes palcos ou grandes números para validar sua identidade artística. O álbum fala por si só, e é exatamente isso que torna a escuta tão satisfatória.



