Marina Sena estreia no Rock in Rio e mostra que chegou para ficar no protagonismo

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Primeira apresentação solo da mineira no festival mistura teatro, raízes de Taiobeiras e uma evolução cênica que impressionou quem acompanha sua trajetória.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Primeira vez de Marina Sena no Rock in Rio como protagonista, após participações como convidada
  • Show teatral centrado em ‘Coisas Naturais‘ com rabeca, violão e estética do interior mineiro
  • Céu sobem ao palco para ‘Malemolência’ e conexão entre as duas artistas é destaque

Chuva fina, frio de agosto e um palco Sunset do Rock in Rio que, aos poucos, entendeu quem estava diante de si. Marina Sena não precisou de megafonia exagerada para ocupar o espaço: chegou contida, quieta, quase tímida, e foi construindo — nota por nota, movimento por movimento — uma presença que só cresceu até virar força bruta artística. Não foi apenas mais uma apresentação no festival. Foi a confirmação de que a artista saiu da fase de promessa e entrou de vez no território de quem manda no próprio show.

Vale lembrar o caminho: Marina já havia pisado no Rock in Rio, mas como convidada de Luísa Sonza, e no The Town, cantando Gal Costa. Eram participações elegantes, mas sem o peso de quem conduz a narrativa. Agora, solo, com direção musical de Janluska e Gabriel Duarte, a cantora montou um espetáculo que parecia mais peça teatral do que concerto tradicional. O repertório girou em torno de Coisas Naturais, seu trabalho mais recente, com faixas como “Taiobeiras”, “Folha Grande” e “Carta de Maria” — esta última em parceria com Rubel —, todas carregadas de referências às raízes de Taiobeiras, no norte de Minas Gerais.

O que diferencia essa apresentação é a ousadia de misturar MPB com linguagem cênica. Rabeca, violão e percussão conviviam com uma estética visual ligada ao imaginário popular do interior mineiro, e em “Ouro de Tolo” Marina interagiu com um boneco de pano em uma encenação sobre o fim de um relacionamento — momento que sintetiza bem a proposta: vulnerabilidade transformada em arte. Não é show de pop convencional, não é só folk regional. É uma declaração de identidade, e isso raramente é tão ousado em festivais do tamanho do Rock in Rio.

A participação de Céu em “Malemolência” trouxe um peso emocional extra. Não é à toa: Marina já declarou publicamente que “Varanda Suspensa”, da própria Céu, foi referência direta para “Por Supuesto”, um dos maiores sucessos de sua carreira. Ver as duas juntas no palco não foi só uma colaboração musical — foi um encontro de gerações e de influências que se confundem. Para quem acompanha a cena nacional, esse gesto de reconhecimento entre artistas femininas vale tanto quanto qualquer performance técnica.

Rodrigo Lampreia, do Soho Music Group, que acompanha a trajetória de Marina, resumiu bem o que se viu: “Uma artista muito diferente, muito mais madura, com postura bem definida, sabendo exatamente o efeito que quer causar”. E de fato a evolução é perceptível. Se nos shows anteriores havia talento bruto, aqui havia controle, intenção e uma segurança que só vem com trabalho e autoconhecimento. A banda, os dançarinos, o monstro criado por David de Jesus do Nascimento para “Carnaval” e “Desmistificar” — tudo servia ao conjunto, sem nenhum elemento fora do lugar.

Na reta final, Marina desceu do palco e foi para o meio do público, repetindo que estava realizando um sonho. Saiu de lá não como visitante, mas como dona da noite. O Rock in Rio 2026 provou algo que a cena brasileira já sabia: Marina Sena não é mais aposta. É presença garantida. E se o próximo passo for ocupar palcos maiores que o Sunset, dificilmente vai haver espaço que não a comporte.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que ‘Por Supuesto’, um dos maiores hits de Marina Sena, foi inspirado em ‘Varanda Suspensa’, de Céu? A própria cantora já revelou essa influência em entrevistas, e o encontro das duas no palco do Rock in Rio teve um significado pessoal além da colaboração.


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— Douglas W.