Maroon 5, Jamiroquai e Demi Lovato reescrevem a história do Rock in Rio

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Três gerações de artistas provaram que o festival carioca é palco de reinvenção — e de despedida de lendas

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Maroon 5 fez sua quarta passagem pelo festival em três edições, consolidando-se como presença quase permanente do evento.
  • Jamiroquai trouxe seu suingue de acid jazz dos anos 90 com uma performance cheia de energia, 30 anos após o lançamento de “Virtual Insanity”.
  • Demi Lovato demonstrou evolução artística ao alternar entre rock e pop suave, marcando seu segundo show no Rock in Rio.

Existe um tipo de artista que não apenas sobe ao palco — ele ocupa. O Maroon 5, o Jamiroquai e a Demi Lovato fizeram exatamente isso no segundo fim de semana do Rock in Rio 2026, cada um à sua maneira, reafirmando que festivais de longa duração só sobrevivem porque se transformam em verdadeiros museus vivos da música pop. Não se tratou de mera apresentação: foi uma aula de como manter relevância através de décadas — algo raro num mercado que engole ídolos a cada ciclo de dois anos.

Três décadas de presença: o Maroon 5 como instituição do festival

Por mais que pareça um clichê, a trajetória do Maroon 5 no Rock in Rio merece atenção. São quatro apresentações em três edições — 2011, 2017 e agora 2026 —, um histórico que nenhum outro artista pop norte-americano iguala no evento carioca. O detalhe que eleva essa estatística ao campo da curiosidade é que em duas dessas vezes, o grupo assumiu o festival em cima da hora, substituindo nomes que desistiram: Jay Z em 2011 e Lady Gaga em 2017. É como se o Rock in Rio tivesse desenvolvido um relacionamento de dependência com a banda. Nesta edição, Adam Levine e companhia não vieram para consertar nada — vieram para comandar. E comandaram.

A presença solo de PJ Morton na véspera já sinalizava que o fim de semana seria diferente. Morton, que consolidou o som soul do Maroon 5 nos últimos anos, mostrou que a banda não vive apenas de hits radiofônicos — há uma estrutura musical robusta por trás da fachada pop. E no palco principal, a banda entregou um set que equilibrou o nostalgia dos primeiros álbuns com a energia de trabalhos mais recentes, provando que não se tornou uma banda de festas de formatura, apesar do que o tempo poderia sugerir.

Jamiroquai: a prova viva de que o acid jazz não morreu

Se existe um artista que poderia ter desaparecido no vácuo entre o final dos anos 90 e o presente e ainda assim assimilado uma carreira digna de nota, esse artista é Jay Kay. Aos 56 anos, o vocalista do Jamiroquai subiu ao palco do Rock in Rio com uma vitalidade que desafia a matemática. A apresentação foi um mergulho no catálogo que definiu uma era — “Cosmic Girl”, “Virtual Insanity”, “Deeper Underground” —, mas executada com a naturalidade de quem não está reencontrando o próprio passado, mas simplesmente morando nele.

A evolução do Jamiroquai dentro do Rock in Rio é simbólica. Em 2011, a banda tocou em uma noite onde Stevie Wonder era o headliner — era quase uma homenagem, uma inserção em um templo do soul. Agora, em 2026, o Jamiroquai é o próprio templo. A ausência de “Virtual Insanity” no set anterior havia gerado reclamações justas; desta vez, os versos sobre distorção da realidade soaram quase proféticos, quase como se Jay Kay estivesse comentando a própria jornada de quase três décadas desde o lançamento da faixa. Com Paul Turner no baixo e Matt Johnson nos teclados, a banda demonstrou que seu groove funk-soul não é nostalgia — é linguagem viva.

Demi Lovato: entre a distorção e a suavidade, a reinvenção como arte

A jornada de Demi Lovato no Rock in Rio é uma narrativa em três atos. Em 2018, estreou no Rock in Rio Lisboa ainda sob o halo Disney. Em 2022, explodiu no Palco Mundo com um rock cru, abrindo para Justin Bieber e acompanhada por uma banda inteiramente feminina — uma declaração política tanto quanto musical. Agora, em 2026, a cantora de 34 anos escolheu o caminho do pop suave, baseando sua apresentação no álbum “It’s Not That Deep”, com tons mais introspectivos e dançantes. A coerência é evidente: cada passagem pelo festival marca uma fase, e cada fase é autêntica.

O que mais impressionou nesta edição foi a confiança com que Demi navegou entre seus universos. “Heart Attack” ganhou uma roupagem mais leve, “Frequency” mostrou maturidade vocal, e o encerramento com Pabllo Vittar em “Cool for the Summer” transformou a noite em uma celebração genuína da diversidade da música pop. Não foi um show de ajuste de imagem — foi uma artista que finalmente parece confortável em sua própria pele, sem necessidade de provar nada para ninguém além de si mesma.

O festival que se reinventa através de seus artistas

Há uma sabedoria antiga na frase atribuída a um bluesman de que pedras que rolam não criam limo — e foi exatamente isso que Maroon 5, Jamiroquai e Demi Lovato demonstraram no Rock in Rio 2026. Nenhum dos três artistas repetiu o que fez antes; cada um trouxe uma versão atualizada de si mesmo, e foi essa capacidade de evolução que manteve o festival relevante por mais de 30 anos. O Rock in Rio não é apenas um palco — é um espelho que reflete o momento em que seus artistas escolhem se olhar. E neste segundo fim de semana, o reflexo foi de resiliência, maturidade e, acima de tudo, vontade de continuar. O que vem pela frente promete ser mais uma edição em que a linha entre passado e presente se dissolve — e é exatamente aí que a magia acontece.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que o Maroon 5 é o único artista a ter substituído dois headliners diferentes no Rock in Rio em edições consecutivas — Jay Z em 2011 e Lady Gaga em 2017 —, tornando-se quase uma espécie de “seguro de show” do festival?

— Douglas W.