Avi Dahan revela que o caminho para o palco do Coachella começa muito antes do hit: nos contratos, na visão artística e nas decisões estratégicas que poucos enxergam.
⏱️ Em 5 segundos:
- Avi Dahan combina prática jurídica com gestão de gravadora para ajudar artistas eletrônicos a construir carreiras duradouras.
- Artistas como AYYBO e RØZ fizeram seu debut no Coachella graças a anos de trabalho nos bastidores: direitos, equipe, identidade visual e decisões estratégicas.
Quando o mundo vê um artista eletro subindo ao palco do Coachella, o que ele vê são as luzes, o público e o momento épico. Mas para Avi Dahan, o verdadeiro espetáculo acontece nos bastidores: nos contratos que protegem os direitos, nas negociações que definem quem controla o conteúdo e nas decisões estratégicas que moldam a trajetória de uma carreira antes mesmo do primeiro single viral.
Dahan é um caso raro no universo da música eletrônica. Começou como DJ e produtor, viveu de perto a cultura dos eventos, e ainda na faculdade passou por estágios em Columbia Records, Live Nation e WME. Essa experiência nos três lados da indústria — gravadora, produção ao vivo e agenciamento — lhe deu uma visão que poucos têm. Hoje, divide o tempo entre o Dahan Law Group, escritório de advocacia especializado em música, e a Funkshway, gravadora que nasceu da vontade de colocar em prática tudo o que aprendeu ao lado de artistas e empresas.
O que o Coachella realmente exige de um artista
Os debuts de AYYBO e RØZ no festival mais icônico do mundo são exemplos perfeitos do que Dahan chama de “decisões compostas ao longo do tempo”. Com AYYBO, ligado à Funkshway, a equipe dedicou meses refinando o som, a identidade visual e a experiência ao vivo antes de qualquer oportunidade de grande porte aparecer. Já com RØZ, o foco foi garantir que a estrutura jurídica e a equipe estavam alinhadas para sustentar o crescimento. “Coachella não é apenas um booking — é o resultado de muitas decisões criativas, estratégicas e comerciais se somando ao longo dos anos”, explica.
Um ponto que poucos imaginam: o cachê do festival raramente vai direto para o bolso do artista. Muitos investem uma fatia enorme em produção, equipe técnica, viagens e materiais visuais para que a performance represente o nível mais alto de sua carreira. “Às vezes sobra muito pouco depois das despesas, mas se o momento move a carreira para frente, vale cada centavo investido”, conta.
Contratos, royalties e o erro que mata carreiras
Para Dahan, o maior erro de artistas emergentes é acreditar que os problemas contratuais podem ser resolvidos depois. “Artistas lançam faixas sem definir quem divide os direitos, colaboram sem acordo escrito, usam samples sem autorização e assinam documentos que não entendem porque estão empolgados com uma oportunidade.” O resultado? Quando a música começa a funcionar, surgem reivindicações, disputas e até takedowns que podem derrubar o momentum exatamente quando ele está começando.
A confusão em torno de royalties também é um ponto crítico. “Artistas ouvem a palavra ‘royalties’ e pensam que é uma coisa só. Na realidade, existem múltiplos fluxos — master, publicação, performance, mecânico, produtor, direitos vizinhos — e cada um pode ser calculado de forma completamente diferente dependendo do contrato”, alerta. Dois acordos aparentemente similares podem gerar resultados financeiros muito distintos.
No que diz respeito à escolha entre gravadora, distribuidora ou independência, Dahan defende que não existe fórmula única. “A melhor opção depende do momento da carreira, da equipe que o artista tem e dos serviços que realmente precisa. Às vezes uma distribuidora é suficiente, outras um acordo mais profundo com uma gravadora que entenda a visão artística faz toda a diferença.”
A lição central de Avi Dahan para quem quer durar na cena eletrônica é simples mas poderosa: trate sua arte como um negócio, mas não deixe o negócio apagar a identidade. Construa a equipe certa, proteja seus direitos desde o início e entenda que cada contrato assinado é tão importante quanto cada batida produzida. Porque no fim das contas, a carreira que resiste ao tempo é aquela que foi construída com base sólida — antes mesmo de o mundo ouvir o primeiro riff.
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💡 Você sabia que Avi Dahan começou a carreira como DJ e produtor antes de se tornar advogado, e que passou por estágios em Columbia Records, Live Nation e WME antes de fundar o Dahan Law Group?
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