ONE OR EIGHT revela o ‘EN-GÏNE’ que impulsiona o Japão ao centro do pop global

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O grupo japonês lança seu EP de estreia com uma proposta sonora que mistura rage, eletrônica e folclore — e um videoclipe gravado no Vietnã que redefinige o conceito de colaboração intercultural.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • ONE OR EIGHT lança ‘EN-GÏNE‘, seu primeiro EP com seis faixas, incluindo ‘TRANSLATE’ e ‘MONSTER’.
  • O videoclipe de ‘TRANSLATE’ foi gravado no Vietnã, misturando folclore japonês (yōkai) com ruas vietnamitas em um mundo retrô-futurista.
  • O grupo já acumula hits como ‘TOKYO DRIFT’ com mais de 300 milhões de visualizações e uma colaboração com Big Sean que chegou ao top 5 do iTunes nos EUA.

O motor que faltava: quando o Japão decide não pedir permissão para ocupar espaço no pop mundial

Existe um momento na carreira de qualquer artista em que todas as peças começam a girar ao mesmo tempo — e é exatamente isso que acontece com o ONE OR EIGHT ao revelar EN-GÏNE, seu primeiro EP. Depois de singles que transformaram ruas, poses e momentos cotidianos em algo maior do que eles mesmos, o grupo japonês finalmente expõe o sistema completo por trás de tudo: o combustível, o impulso e a identidade que vinham alimentando cada lançamento. Não se trata de uma mera coleção de faixas — é o momento em que a narrativa se consolida e o motor entra em marcha.

O ONE OR EIGHT não chegou até aqui por acaso. Desde sua estreia em 2024 com o single Don’t Tell Nobody, produzido por ninguém menos que Ryan Tedder e David Stewart, o grupo — composto por oito integrantes: MIZUKI, NEO, REIA, RYOTA, SOUMA, TAKERU, TSUBASA e YUGA — tem percorrido um caminho meteórico que poucos artistas japoneses conseguiram traçar nos últimos anos. A colaboração com Big Sean, KAWASAKI (with Big Sean), conquistou a 5ª posição na parada de Hip-Hop/Rap do iTunes nos Estados Unidos, enquanto TOKYO DRIFT acumulou mais de 300 milhões de visualizações e gerou 200 mil publicações de conteúdo criado por usuários no TikTok, garantindo ao grupo um recorde histórico de aparições na parada Mediabase Top 40 dos EUA para um grupo masculino japonês.

O que torna essa trajetória particularmente significativa é o contexto em que ela acontece. O pop japonês vem tentando há décadas encontrar seu espaço ao lado do fenômeno K-pop, que domina as paradas globais com uma precisão industrial impressionante. O ONE OR EIGHT parece estar traçando um caminho próprio: não é uma resposta ao modelo coreano, mas uma afirmação de que a cultura japonesa tem uma voz distinta e poderosa a oferecer — e que essa voz não precisa se traduzir para ser ouvida.

Rage, videogames e folclore: a sonoridade sem fronteiras de EN-GÏNE

Ao longo de suas seis faixas, EN-GÏNE constrói um universo sonoro que desafia categorias rígidas. A faixa-título TRANSLATE, construída inteiramente em torno da ideia de comunicação sem barreiras, transita livremente entre o inglês e o japonês, ancorada pela frase No need to translate. A produção, inspirada no estilo rage, traz texturas eletrônicas vibrantes que remetem a videogames, graves 808 distorcidos, sintetizadores expansivos e uma sensação de aceleração constante. É a fusão perfeita entre a cultura jovem global e o espírito lúdico e ambicioso de Tóquio — algo genuinamente sem fronteiras que pulsa com a energia do hip-hop, do calor latino e da atitude das ruas japonesas, tudo ao mesmo tempo.

Mas o que realmente eleva EN-GÏNE a outro patamar é a ousadia visual. O videoclipe de TRANSLATE, dirigido por Phuong Vu e produzido pela ANTIANTIART — um nome em ascensão na cena criativa vietnamita — leva a narrativa para um lugar inesperado: o Vietnã. A premissa é tão inventiva quanto eficaz: e se um yōkai japonês, espíritos sobrenaturais e monstros do folclore nipônico, fugisse para o Vietnã? O grupo interpreta agentes enviados para rastreá-lo pelas ruas da cidade, em um cenário retrô-futurista que remete aos filmes de espionagem dos anos 90. A coreografia, assinada pela renomada Akanen, transforma a mensagem de intercâmbio cultural da música em uma colaboração intercultural genuína — somando o mistério do folclore japonês ao calor e ao caos das ruas vietnamitas.

Análise: um EP que cria seu próprio espaço em vez de se adaptar a ele

O que me chama atenção em EN-GÏNE é a coerência conceitual por trás de cada escolha. Não se trata de um projeto que tenta agradar a todos os públicos — algo que muitos artistas em ascensão cometem quando sentem a pressão do mercado global. Pelo contrário: o ONE OR EIGHT parece entender que sua maior força está justamente na sua especificidade. Como resume o integrante SOUMA: Este EP é um projeto que captura plenamente a essência única do ONE OR EIGHT, ao mesmo tempo em que ressignifica o apelo e a cultura do Japão à nossa própria maneira. Essa autenticidade é rara e valiosa.

Há também um paralelo interessante entre as faixas YANKEE SQUAT e TRANSLATE, que finalmente se conectam neste EP não como conceitos distintos, mas como partes de um mesmo motor — um focado na postura, o outro na voz, ambos impulsionados pela mesma força interior. É essa dualidade que dá ao projeto uma profundidade que vai além do entretenimento pop superficial. O grupo não se adapta aos ambientes; ele cria o seu próprio, das esquinas locais aos palcos globais.

Se compararmos EN-GÏNE ao cenário atual, onde artistas japoneses como YOASOBI e Kenshi Yonezu já demonstram que há uma audiência global faminta por sons nipônicos, o ONE OR EIGHT chega em um momento oportuno e com uma proposta diferenciada. Enquanto YOASOBI aposta na combinação de anime e pop, e Yonezu explora a art-pop com sofisticação, o ONE OR EIGHT propõe algo mais visceral e urbano — uma ponte entre a cultura de rua e a eletrônica que fala diretamente à geração Z global.

O que vem depois: o Japão não está apenas entrando na sala, está redefinindo a mesa

EN-GÏNE é mais do que um EP de estreia — é uma declaração de intenções. O lema Bet on Yourself que define o grupo ganha contornos literais quando observamos o comprometimento artístico que cada faixa representa. Com TOKYO DRIFT já tendo provado que o grupo pode gerar impacto digital massivo, e com KAWASAKI mostrando que a colaboração internacional é uma via de mão dupla, o ONE OR EIGHT posiciona o EP como o trampolim para algo ainda maior.

O cenário global de música eletrônica e pop tem buscado urgentemente novas narrativas culturais — e o Vietnã, o Japão e a fusão entre ambos, como proposto aqui, é exatamente o tipo de inovação que o mercado precisa. Se EN-GÏNE conseguir traduzir — ironicamente — a energia de suas apresentões ao vivo e manter a coerência visual que torna o projeto tão único, temos nos primeiros passos de um dos grupos mais relevantes a emergir do Leste Asiático nos últimos anos. O motor está ligado. Agora é só acelerar.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que o nome ONE OR EIGHT deriva da expressão japonesa ‘ichi ka bachi ka’, que significa ‘tudo ou nada’ — refletindo a aposta radical do grupo em conquistar o palco global sem concessões.


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— Douglas W.